quarta-feira, 27 de abril de 2011

A Taça da Liga - mais do mesmo

Portugal, 27 de Abril de 2011

A Taça da Liga proporcionou um espectáculo bem razoável considerando a diferença de orçamentos em presença, proporcionou mais uma excelente vitória do nosso Glorioso e proporcionou mais do mesmo em termos de arbitragem.

Terá de morrer um árbitro para isto mudar? Espero e desejo que não.

Começando pelo resultado, que para muitos foi equivalente a uma vitória “sofrida”, enfim, direi que mais uma vez prevaleceram as opiniões da comunicação social e dos tais analistas “encartados” que mais não são do que avençados deste “sistema” em que só uma equipa pode ser campeã (os do SCP acreditam que com eles têm mais hipóteses de ganhar e é o que se tem visto nas últimas 3 décadas).

Claro que quando o FCP no ano passado venceu a Taça de Portugal por 2-1 ao Chaves, equipa já despromovida para a 2ª B, isso não foi uma vitória difícil, foi “mais um troféu para a vitrina do FCP abrilhantado pela réplica pela equipa de Chaves, que terá enchido de orgulho todos os transmontanos”.

Para o FCP, a comunicação social enfeudada tem sempre o copo “meio cheio”, enquanto para o Benfica está sempre “meio vazio”. Mas têm a mesma quantidade de água.

Sobre a arbitragem, e com ajuda da minha amiga Pipinha, registo o seguinte. Jogador Leonel Olímpio. Faltas merecedoras de cartão amarelo: (1) 7,29 mn (2) 12,21 mn carga com cotovelo adiante nas costas de Aimar (3) 15,48 mn e (4) 36 mn finalmente o cartão amarelo por falta sobre Jara. À 4ª falta portanto, quando o lance com Aimar é aquilo que na gíria se designa de um “amarelo alaranjado”.

Luisão. Falta merecedora de cartão amarelo (1) 47 mn. E não é que levou logo à primeira? Ok, é do Benfica, está de acordo com o Manual da Arbitragem.

Penalty contra o Benfica aos 30 mn, por suposta barreira de Maxi Pereira, com braço ao nível da cara de Pizzi. Na 1ª imagem, a que o árbitro tem no campo até aceito a decisão. Nas repetições da televisão, verifico que foi mais um bom teatro do Pizzi, que simulou essa barragem e com a simulação atingiu a cara de Maxi. Já agora, o veredicto do Tribunal o JOGO foi 2-1 a favor da marcação da grande penalidade.

Atropelamento de Saviola na área do Paços por Coehen, árbitro de frente para o lance, visão completamente desimpedida, 45 mn, mais uma vez não assinalado. Veredicto Tribunal JOGO: unanimidade na marcação do penalty.

Ou seja, Proença mais uma vez aplicou o Manual da Arbitragem nos casos de disciplina e nos casos técnicos. Na disciplina para variar teve critério tolerante com os adversários, em particular com Leonel Olímpio (há sempre um adversário que parece estar instruído para “carregar” em cima dos jogadores do Benfica, para além dos limites), ao contrário do que teve com os jogadores do Benfica aqui exemplificado por Luisão, internacional brasileiro, admoestado à primeira.

Nos casos técnicos, flagrante dualidade de critérios na marcação de grandes penalidades, critério onde é useiro e vezeiro nos prejuízos ao Benfica (esta época também não viu penalty flagrante a favor do Benfica em casa do Nacional, quando perdíamos 1-0, também na sequência de uma falta assinalada contra nós e inexistente), com possível interferência no resultado e no estado anímico das duas equipas, prejudicando o Benfica também neste parâmetro.
Perante estas incidências de jogo, erros técnicos e disciplinares do árbitro com o mesmo padrão de erro de sempre, aos 49 mn escuto o comentador da Benfica TV dizer que “o árbitro não tem sido protagonista o que se apraz registar”.

Mais do mesmo: roubados e branqueados pela própria Benfica TV. Serão instruções da Direcção do Sr.º Vieira?

A Taça III

Portugal, 27 de Abril de 2011

Para terminar este sequência de opiniões sobre a derrota na Taça, falo do modelo de jogo do Benfica.

Ao contrário da crítica dita especializada, há muitos anos que penso que o nosso modelo de jogo tradicional, de propensão ofensiva, com 1 trinco, 3 médios sendo 2 médios alas e 1 dito organizador de jogo, mais 2 avançados relativamente móveis, é um modelo destinado a perder – em condições normais – 5 em 10 jogos com o FCP. Em condições anormais (com erros de arbitragens) perdemos 9 em 10.

A explicação é relativamente simples, pelo que não percebo porque não se fala deste tema. De facto o FCP actual joga com 1 trinco, 2 médios volantes e 3 avançados móveis, sendo que 2 jogam pelas alas e 1 pelo meio do terreno. Este modelo só na teoria é de propensão ofensiva, uma vez que quando não tem posse de bola, o FCP consegue com naturalidade meter 10 jogadores atrás da linha da bola. Nestas condições há menos linhas de passe para o adversário e mais probabilidade de serem desarmados, pois a densidade de jogadores em posição defensiva é grande, e pontualmente superior até à densidade de jogadores adversários em posição ofensiva.

Qualquer perda de bola dá regra geral, origem a contra ataques perigosos que têm uma boa eficácia, já que regra geral dão em golo. Porquê? Porque os adversários, neste caso os jogadores do Benfica que estão em posição ofensiva, até se reposicionarem em posição defensiva adequada, precisam mais tempo do que os do FCP para chegar à nossa baliza, já que a partir do momento que se aproveitam de uma bola perdida ou roubada, correm de imediato – e de frente para a baliza - em direcção ao nosso meio campo. Enquanto os nossos jogadores têm de inverter o sentido de corrida, voltando-se e correndo em direcção ao nosso meio campo, e tudo isto consome muitos segundos. Ora em cada segundo um jogador de futebol pode facilmente correr 3 a 4 metros, pelo que qualquer segundo ganho pelos jogadores do FCP depois de roubarem uma bola, devido ao seu posicionamento avançado no terreno, dá aquele aspecto que nos leva a perguntar: onde anda a nossa defesa e porque não está “ali” o meio campo?

Neste jogo da Taça, Jesus foi acusado de não ter colocado os melhores jogadores em campo. Uma táctica habitual na comunicação social, para lavarem os erros de arbitragem que uma vez mais favoreceram o FCP. Ora implicam com os jogadores e posições ocupadas, ora implicam com a táctica e se não houver reparos em nenhuma destas categorias de problemas, atiram que “o Benfica jogou mal” ou “não mereceu mais”. É do manual do jornalismo: desviar atenções do essencial (arbitragem).

Ora considerando impedimentos e lesões, Jesus apenas fez uma opção que fugiu à “lógica” e que foi não alinhar Aimar de início. A prova que esta acusação contra Jesus é gratuita, grosseira e programada, é que nos 4 jogos anteriores disputados com o FCP (Supertaça, 2 para o Campeonato e 1ª mão da meia-final da Taça), o único jogo que o Benfica ganhou ao FCP foi o único que Aimar não jogou (por indisposição)!

Quer isto dizer que ninguém, em bom rigor, poderá assacar as causas da derrota à falta de Aimar! E portanto ninguém pode em bom rigor acusar o treinador de ter “errado”.

Também não quer o dizer que Aimar seja um jogador descartável, nada disso. O que quero reflectir é que Aimar pode acentuar as dinâmicas de jogo ofensivo, o que depois causa os problemas de contra ataque que bem conhecemos (e que se repetiram no jogo anterior em casa do PSV). Agravados com a intervenção do manual dos árbitros, que na dúvida apitam contra o Benfica ou a favor do FCP como preferirem.

A crítica ao modelo de jogo do Benfica - neste jogo em particular - é infundada, sendo as razões da derrota, bem pelo contrário, assacadas à incapacidade que o Benfica demonstrou na 2ª parte, para se encaixar no jogo do FCP, como tinha feito na 1ª parte. E essa incapacidade resultou da falta dos 2 médios ala, criativos, velozes e com razoável capacidade defensiva, resultou de querermos dar mais velocidade aos processos ofensivos e foi numa perda de bola que resultou o contra ataque que originou o 1º golo. Tudo o resto, foi da responsabilidade do árbitro Carlos Xistra.

sábado, 23 de abril de 2011

A Taça II

Portugal, 23 de Abril de 2011

Na continuação da minha visão pessoal sobre as causas da eliminação frente ao FCP, hoje passo à causa n.º 3.

3 – Treinador

Qualquer jogo que o Benfica perca, em que época, em que altura da época, em que competição seja, o treinador é sempre objecto de criticas mais ou menos contundentes. Os primeiros críticos são os analistas da comunicação social que orquestradamente desviam as atenções para cima do único profissional que não deve ser criticado (jogo a jogo não, só após um ciclo). Porque todos os analistas podem ser árbitros (basta tirar o curso), mas nunca poderão ser treinadores de grandes equipas (não basta tirar o curso, há que obter resultados).
Esta dolorosa derrota fez-me recuar no tempo a uma outra também contra o mesmo FCP, mas para o campeonato. Em 91/92 (há 19 anos) já na 2ª volta, recebemos o FCP com 3 pontos de atraso. A vitória valia 2 pontos e precisávamos dela para re-entrar nas chamadas contas do título. O treinador era Eriksson e Roberto nem sonhava que um dia iria ser guarda-redes do Benfica. Árbitro? Fortunato Azevedo! O Benfica tinha uma equipa e um treinador melhor que a do FCP (Carlos Alberto dos Santos treinava), mas pelas mesmas razões da actualidade, estávamos atrás. E o jogo começou mal. Ainda na 1ª parte o árbitro assinalou penálti contra o Benfica expulsando o alegado “infractor”, Rui Bento (hoje treinador do Beira-Mar). Penálti que só ele viu! Numa disputa de bola entre Rui Bento e o malogrado Rui Filipe, que começa fora da área, os dois tocam-se ombro a ombro, e o jogador do FCP cai. O pretexto estava dado. O truque podia ser aplicado. É que aquilo que todos viram quer no jogo quer depois na repetição da TV, para Fortunato foi uma falta quando Rui Filipe já estava em queda (disse-o ele na RTP a Rui Tovar, que repetiu o lance vezes sem conta para ver se víamos a falta). Também neste jogo existiram os habituais truques de arbitragem e o Benfica viu-se em desvantagem 0-1. No final do jogo derrota por 2-3 e o título quase entregue. Aliás faltando poucas jornadas para terminar o campeonato, o avanço passou de 5 para 10 pontos no final (imaginem se fosse a 3 pontos por vitória) e toda a gente da comunicação social ficou ciente que o título tinha sido conquistado pela melhor equipa. Tal como agora, pouco ou nada mudou nestes 19 anos.

Na altura, não creio que houvesse muita pressão sobre o treinador do Benfica porque só havia 2 jornais desportivos, Bola e Record, e eram trissemanários. Hoje há 3 e são diários, ou seja, antes havia 6 edições por semana, agora há 21. Antes também não havia TSF e televisões eram apenas a RTP com dois canais. Pouco se debatia o futebol. Felizmente para Eriksson que nessas ultimas 3 épocas apenas ganhou 1 título de campeão. O mesmo que Jesus conseguiu logo no 1º ano.

Mas como sabemos, desde Novembro quando perdemos com o Hapoel que a “cabeça” de Jesus está a “prémio”. Ou seja, 6 meses depois de se ter sagrado campeão com o mérito que nos lembramos, para a comunicação social Jesus já estava a prazo. Os pretextos são sempre os mesmos. As derrotas. Não interessa saber porque se perde, quais os condicionalismos internos ou externos, quais as vantagens e desvantagens do plano de jogo, nada disso. Interessa destruir, deformar adeptos, para assim se manter o actual “status quo”, ou o “Sistema”.

De facto enquanto mudarmos de treinador, as pessoas nem reflectem que Xistra NUNCA comete erros contra o FCP! Nem iguais nem parecidos aos que comete contra o Benfica. Este ano arbitrou o Guimarães - FCP e o maior erro foi não ter assinalado 1 penalty ... contra o FCP. No Braga - Benfica foi o que se viu. Agora voltou a ter critérios disciplinares distintos, que levaram a perdoar a expulsão de Cebola Rodrigues. Isto não acontece por acaso. São erros de “manual”.

Dito isto a única critica que faço a Jesus é o exagero na gestão do plantel. Penso que os jogadores do Benfica não tinham mais jogos nas pernas que os do FCP. Daí não se justificar as alterações que fez contra o Portimonense, Naval e Beira-Mar. Ainda por cima tivemos uma derrota e um empate, o que minou a confiança da equipa, dos adeptos, sem necessidade. Gerir sim, mas o método utilizado de fazer descansar entre 8 e 9 titulares, foi um erro colossal. Até porque os jogadores precisam de manter as rotinas de jogo. Para enfrentar uma equipa como o FCP que é anormalmente eficaz (porque joga com os erros de manual da arbitragem), temos de nos apresentar na melhor forma possível. E “forma” aqui não é apenas a componente física, mas sim a táctica e a mental. Que se melhoram ... jogando. 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A Taça I

Portugal, 21 de Abril de 2011

Quando ontem coloquei aqui um texto intitulado “Histórico” estava longe de pensar que nesse mesmo dia haveríamos de fazer História mas pelas piores razões. A eliminação da Taça frente ao FCP doeu.

Perder com o FCP dói sempre mais do que perder com outro clube qualquer. Rivalidades locais, mas não só. Também pela certeza que uma vez mais o crime compensou e que ganhou quem mais torpedeia a verdade desportiva.

E claro, também doeu por termos esbanjado em nossa própria casa uma vantagem de 2 golos trazida do estádio da Galinha, onde fizemos uma das melhores exibições da época.

Há muitas razões para explicarmos mais esta derrota contra o FCP, a 4ª esta época. Por ordem decrescente de importância:

1 – Arbitragem

Segundo jogo consecutivo arbitrado por Xistra, segunda derrota. 

A chave do jogo está no lance em que perdoa o 2º cartão amarelo a Rodriguez, na 1ª parte, com 0-0 e depois na 2ª parte aos 66 mn com 0-1. Recordo que Xistra não teve problemas em expulsar Miccoli num jogo com o Estrela da Amadora (época 2006/2007), com 2 cartões amarelos, 1 por ter pontapeado a bola depois de lhe ter sido assinalado fora de jogo (dupla penalização porque ele estava em posição legal e desperdiçou-se uma situação de golo) e 1 por ter reagido (cresceu para o adversário) a um atropelamento para aleijar. Por coincidência o jogo seguinte era no estádio da Galinha contra o FCP e Miccoli não pôde jogar. 

Também já tinha expulso Reyes em Guimarães (época 2008/2009) quando vencíamos 2-1 aos 30 mn da 1ª parte, com 2 cartões em 2 minutos! Um deles, mal assinalado porque Reyes fez o chamado “carrinho” mal medido, sem maldade, quando o adversário corria na direcção do seu próprio meio campo, ou seja, não estava a criar uma jogada de ataque. Mas é de manual: Benfica a ganhar, retira-se 1 jogador para aumentar as hipóteses do adversário marcar golos e empatar ou ganhar jogo (truque aplicado ao ultimo jogo em Braga, pelo mesmo Xistra, quando expulsou Javi Garcia e o Benfica ganhava 1-0).

Confesso que fiquei dividido quando soube da nomeação. Pareceu-me que a provocação ao Benfica por parte da FPF era tão grande que das duas uma: ou Xistra “intervinha” no jogo (aí a minha curiosidade era saber como o faria), ou Xistra por estar pressionado pela má arbitragem de Braga, não “intervinha” no jogo e o efeito da nomeação seria o contrário do que pensava quem a decidiu. Para nosso azar, ele interviu no jogo. 

O 2º golo em fora de jogo de quase 1 metro, 7 mn depois do 1º golo, matou a vantagem do Benfica, perturbou a cabeça dos nossos jogadores e adeptos na mesma medida em que galvanizou a do adversário e seus adeptos, tudo interferindo na disposição individual e colectiva daí em diante. Jesus fala que a nossa equipa se desposicionou e tem razão. A explicação só pode ser encontrada no efeito psicológico do 2º golo ilegal. Ou seja, na arbitragem.

2 – Direcção

Há muito que defendo que Vieira me faz lembrar a história do “rei vai nu”. O Benfica passa por um período complicado da sua evolução enquanto instituição e grupo empresarial, em que pesam muito os interesses dos minoritários que têm mais capital ou podem libertar mais meios financeiros do que nós. E por isso continuam a controlar a estratégia. Vieira é o representante desses interesses minoritários, Banca, Olivedesportos, PT, etc., que nos trouxe até aqui, entenda-se, até ao ponto em que temos modalidades de pavilhão muito competitivas, temos uma Fundação, temos a Benfica TV, temos um estádio novo e um centro de estágio moderno, mas devemos 200 milhões à Banca e estamos condicionados na gestão futebolística pelas migalhas que a Olivedesportos nos paga.

Sendo Vieira um “rei vai nu”, um “tigre de papel”, uma pessoa que não pensa o Benfica como este deve ser pensado, mas em função dos interesses da Banca, da Olivedesportos e da PT, não me surpreendeu que quando o FCP iniciou a jogada do condicionamento do árbitro, ou seja, quando fez a conferência de imprensa onde apontaram 15 erros à arbitragem de Duarte Gomes no jogo do campeonato, a Direcção do Benfica uma vez mais tenha reagido mal: não falamos agora para não sermos acusados de condicionar o árbitro. Ou seja: eles não perceberam que o FCP estava a condicioná-lo e que devíamos contrariar esse condicionamento, no nosso próprio interesse.

Por outro lado quando a comunicação social avançou na semana passada, a hipótese de só poderem ser nomeados Olegário Benquerença (jogo de Guimarães) e Carlos Xistra (jogo de Braga), o que fez a Direcção? Remeteu-se ao silêncio em vez de mostrar publicamente o seu desagrado pela gestão das nomeações que havia sido feita pelo Sr.º Vítor Pereira, gestão esta que era responsável pela falta de outras opções para a nomeação do jogo da Taça!

Isto é: em vez de dar mostras públicas de que sabe como se fazem as “coisas”, enviando uma mensagem para a equipa de arbitragem de que estaríamos atentos ao seu desempenho, enviando uma mensagem aos nossos jogadores de que deveriam estar mais concentrados porque o jogo iria ser mais difícil, enviando uma mensagem aos nossos adeptos de que o jogo poderia ser dificultado pelo desempenho da arbitragem, enviando uma mensagem aos jogadores e adeptos do rival de que teriam pela frente uma equipa forte a começar na Direcção e acabar nos jogadores, a não reacção da Direcção do Benfica apenas estimulou o filme habitual: nos pormenores o árbitro decidiu em função dos interesses do FCP.

Dizem que Pinto da Costa é o melhor ponta de lança do FCP. Porque é que a Direcção do Benfica não lhe segue o exemplo? Só por incompetência?

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Histórico

Portugal, 20 de Abril de 2011

Com a eliminação do PSV na Liga Europa, curiosamente com Roberto na baliza (impediu o 3-0 com defesa por instinto), com César Peixoto no onze inicial (ganhou o penalty que dá o empate) e com Cardozo a marcar o penalti, esta equipa do Benfica fez história uma vez mais.

Fez história porque há 17 anos que não estávamos numa fase tão adiantada de uma prova europeia, o último degrau antes da Final. Na altura fomos eliminados pelo Parma na Taça das Taças.

Fez história porque há 28 anos que não estávamos na meia-final da competição que sucedeu à Taça UEFA. Nessa época fantástica, eliminamos o Universitae Craiova com 2 empates.

Fez história porque pela primeira vez, sim, pela primeira vez, o Benfica vai jogar contra uma equipa portuguesa numa prova europeia.

Fez história porque pela primeira vez, sim, pela primeira vez, vamos jogar contra uma equipa portuguesa, com uma equipa de arbitragem estrangeira.

Este feito só por si já contribui para a excelência da época que temos vindo a fazer, onde o pior resultado é na competição da regularidade - o campeonato - regularidade essa que hoje em dia tem a ver com a regularidade com que o Benfica é prejudicado pelos erros das equipas de arbitragem ao mesmo tempo que vemos o nosso principal rival ser regularmente beneficiado pelas mesmas equipas de arbitragem que nos prejudicam.

(“Confiem em mim” disse o Sr.º Vieira quando decidiu apoiar Fernando Gomes e Vítor Pereira para a Presidência da Liga e da Comissão de Arbitragem da Liga).

O nosso ADN benfiquista é vencer todos os jogos e competições em que participamos. O nosso desejo, a nossa crença, a nossa ilusão é conseguirmos uma vez mais estar na final de uma prova europeia, faltando este último escolho português. Um escolho como outro qualquer que chegasse a esta fase da prova, nas que por ser português e dentro da problemática do “sistema” nos coloca responsabilidades acrescidas. Não podemos falhar com uma arbitragem estrangeira e o desejável é que a passagem à final se dê com distinção: 2 vitórias. Será pedir muito eu sei, mas já mostramos por diversas vezes que somos a melhor equipa portuguesa. Que não seja agora que, por lesões, por infelicidade nos remates, por qualquer erro do árbitro (dos que existem e temos que aceitar por serem casuísticos, logo não intencionais) que sejamos impedidos de fazer uma boa exibição e obter um bom resultado nos dois jogos.

Como homenagem registo a campanha dos adversários da Liga Europa que galhardamente eliminamos:

Estugarda: 5 vitórias na fase de grupos (3-0 ao Young Boys, 2-1 e 5-1 ao Odense, 1-0 e 3-0 ao Getafe) e 1 derrota no último jogo (4-2 fora no Young Boys).

Paris Saint Germain: 3 vitórias (Sevilha 1-0 e 4-2, e 2-0 Karpaty Lviv) e 3 empates (0-0 e 1-1 com Borussia Dortmund e fora com Karpaty Lviv) na fase de grupos. 2 empates (2-2 e 0-0) nos dezasseis avos de final com BATE Borisov.

PSV: derrota no 1º jogo da fase de grupos em casa com a Sampdória, depois 4 vitórias (2-0 fora ao Metalist, 2-1 fora ao Debreceni e Sampdória, 3-0 em casa ao Debreceni) e 1 empate (0-0 em casa com Metalist). Na fase a eliminar 2 vitórias (3-1 ao Lille em casa e 1-0 ao Rangers fora) e 2 empates (2-2 com Lille e Rangers 0-0).

Honra aos vencidos, glória aos vencedores.

terça-feira, 12 de abril de 2011

ADN do Benfica I



Portugal, 12 de Abril de 2011


Circula por aí um vídeo feito por um benfiquista chamado Guilherme Cabral e que foi intitulado ADN Benfica (se quiserem peçam-me para basta2002@gmail.com). É um vídeo bonito, bem construído, com uma boa mensagem e um bom conjunto de imagens. O resultado conjuga bem com o título que o autor lhe deu, ADN Benfica, e podemos dizer que é um vídeo que honra a tradição de paixão, crença, devoção e crença infinita do adepto anónimo benfiquista.

Mas será que existe um único ADN Benfica? Será que o ADN Benfica que Guilherme Cabral quis imortalizar, representa a totalidade do comportamento benfiquista?

Na passada sexta-feira foi para o ar mais um programa da Benfica TV, intitulado o Jornal do Benfica. Dois dos habituais membros do painel, José Diogo (escreve uma coluna no jornal do Benfica) e Dr.º Pedro Guerra, tiveram algumas intervenções que me puseram a pensar no ADN do Benfica. Em ambos os casos relacionados com o jogo que ganhamos ao PSV.

De José Diogo recordo que na sua opinião, o PSV esteve um pouco adormecido, que as coisas não lhe saíram bem, que teve um daqueles dias em que é melhor não sair de casa.

Do Dr.º Pedro Guerra recordo que na sua opinião o PSV é a equipa mais difícil das que estão em prova e que a par do Benfica e do FCP é a única que já ganhou um título de campeão europeu. E que por exemplo ganhou no terreno da Sampdória e do Metalist que há 2 anos tanto nos deu que fazer.

São, reconheço, excertos muito limitados do que terão sido as suas ideias desse jogo, mas foram o suficientemente irritantes e incompetentes para me manterem ligado à Benfica TV e por isso passei ao zaping para outras bandas.

O que o meu ADN benfiquista esperaria que fosse dito, é que os 60 mil espectadores que foram apoiar o Benfica estiveram ao nível dos melhores adeptos do mundo, considerando o balde de água fria que foi a derrota com o FCP. O que o meu ADN benfiquista esperaria, é que fosse realçado o grande jogo que o nosso Benfica conseguiu fazer em condições mentais e psicologicamente difíceis, talvez só possível porque estiveram lá 60 mil a apoiar. O que o meu ADN benfiquista esperaria que fosse dito é que marcamos 4 golos de belo efeito e tivemos outras tantas situações, fruto da excelente exibição conseguida. O que o meu ADN benfiquista esperaria que fosse sublinhado, é que o PSV não tinha derrotas fora de casa desde a fase de grupos, acumulando 4 vitórias e 1 empate. E que por esse motivo era de facto um adversário temível, e não porque ganhou a Taça dos Clubes Campeões Europeus em 1988.

O meu ADN benfiquista esperava que o Benfica fosse elogiado pela excelência demonstrada, quer pela equipa quer pelo público. Fiquei com a sensação que afinal não jogamos assim tão bem, foi o PSV que esteve num dia não. E fiquei com a ideia que o PSV afinal era uma equipa forte não pelos resultados recentes mas porque ganhou uma Taça dos Campeões há 23 anos. E ganhou à Sampdória que curiosamente não passou a fase de grupos.
Mas o meu ADN continuou a ter surpresas destas na Benfica TV. No programa de ontem da “Máxima dos Mínimos”, o Dr.º Pragal Colaço revelou excertos do acórdão ou despacho da Comissão Disciplinar da Liga que puniu Jorge Jesus com 11 dias de suspensão. Ficamos a saber que o jogador Luís Alberto do Nacional insultou Jara com “viado” que é a versão brasileira do “paneleiro” em português vernáculo.

Este facto curiosamente não foi objecto de “fuga de informação” para a comunicação social, por parte da Liga de Clubes, a mesma que pelo contrário deixou fugir a informação de que Duarte Gomes teve nota 4 (excelente) no último jogo do SLB com o FCP. Fuga esta que permitiu ao FCP criar um caso mediático, aliás bem ensaiado e já esperado (vem aí o jogo da Taça, há que condicionar e “apimentar” o ambiente em torno da nomeação e do árbitro).

Ora perante a revelação do ponto-chave do episódio que levou à punição de Jorge Jesus, ao ver hoje o Benfica 14 horas fiquei siderado, para não dizer outra coisa começada com “f ”, por ter verificado que esse episódio não foi considerado com interesse para ser divulgado entre a nação benfiquista. Isto é: o Jara foi insultado, o Jorge Jesus em sua defesa atirou-se ao Luís Alberto e a nossa Benfica TV num programa de grande audiência, entendeu que o caso não tinha interesse mediático.
Assim se faz a defesa do Benfica. Há muitas formas de ADN benfiquista sem dúvida. Entre alguns participantes da Benfica TV circula uma versão muito próxima do ADN da trissomia 21 ...


quinta-feira, 7 de abril de 2011

"Rogeirar" II


Portugal 7 de Abril de 2011

Terminei o texto anterior referindo-me a Nuno Rogeiro e à natureza e qualidade das suas opiniões, como as defendeu no programa Linha da Frente, edição da noite, da Benfica TV em 5 de Abril. Ele a dada altura do programa, pediu desculpa por não concordar com a maioria, mas na sua opinião “o Benfica não perdeu o título pelas arbitragens mas porque não está a jogar o mesmo que jogou na época passada”. Já antes e a propósito do telefonema de um telespectador, responsabilizou Roberto pela derrota com o FCP pois na sua opinião, o 1º golo do FCP é um “frango” do Roberto.

Que leva uma pessoa reconhecida pela sua inteligência, como Nuno Rogeiro, a tirar as mesmas conclusões que outras pessoas que se levantam às 6 da manhã para apanharem a carrinha da empresa e irem carregar tijolos para as obras?

Antes de continuar, deixem-me mostrar porque esteve errado Nuno Rogeiro e a generalidade da comunicação social que na “tempestade de opiniões”, o salpicou de influências, como a qualquer outro adepto.

O golo que dizem ter sido “frango” do Roberto fez o 0-1. Pouco depois o Benfica empatou 1-1 e voltou tudo à estaca zero. Isto é. Voltou tudo à situação inicial. Com mais de 73 mn para jogar o Benfica estava empatado, sofrendo a seguir um lance de penalty que acabou por fixar o resultado. Ou seja, o Benfica com o suposto erro de Roberto, aos 17 mn tinha TODAS as possibilidades de ganhar. Se Rogeiro pensasse na base do respeito pelo atleta do Benfica, concerteza teria apanhado esta nuance da evolução do resultado.

E para comprovar que um golo não é um artigo de mercearia que se soma ou subtrai para tirar conclusões, como ele e a comunicação social fizeram, lanço estes exemplos simples. Admitindo sempre que o resultado ficava 1-2 para o FCP, imaginemos que o jogo estava 1-1 e o Roberto sofria esse golo que dava o 1-2. Ou que o Benfica estava a perder 0-1, esse erro dava o 0-2 e mais tarde o Benfica reduzia para 1-2.

Parece-me óbvio de concluir que nestes exemplos que dei, o erro de Roberto teria tido influência no resultado. E todas as criticas, mais exaltadas ou não, teriam algum cabimento. Mas não foi isso que se passou. O suposto erro de Roberto apenas tirou 17 mn ao jogo! Tantos quantos demorou o Benfica a recuperar a situação de igualdade.

Então o problema da derrota do Benfica e da consagração antecipada do FCP, nunca pode ter sido o erro de Roberto mas o que o Benfica jogou depois dos 17 mn. E disto não falo aqui, agora, pois daria “pano para mangas”.

Como pessoa reconhecidamente inteligente como é Nuno Rogeiro, era este o raciocínio que eu esperava que fizesse, para se assumir como diferente, como alguém que entende os pormenores do futebol e apresenta um outro “caminho” para as pessoas analisarem e quem sabe seguirem. Ao debitar umas quantas banalidades, iguais às que se viram e ouviram na comunicação social, dei por mim a pensar que Nuno Rogeiro estava a “Rogeirar”.

Por “Rogeirar” podemos então entender a incapacidade de alguém com qualidades intelectuais superiores e publicamente reconhecido pelo mérito das suas ideias e raciocínio numa ou mais áreas profissionais, em conseguir fazer análise futebolística de forma e substância diferente da que se viu e ouviu na comunicação social.

Um dos problemas do Benfica nos últimos anos, talvez duas décadas, é que infelizmente existe muita gente na Direcção e staff, a “rogeirar”. Tal como outros que na comunicação social era suposto não “rogeirarem” e acabam por ser mais do mesmo ...