Portugal, 18 de Maio de 2011
A época desportiva acabou mais cedo para nós, vencemos apenas o troféu de menor importância (Taça da Liga), mas ao contrário da ideia (programada) veiculada pela comunicação social, eu penso que a época foi bastante positiva.
Basicamente porque ficamos em 2º lugar na Liga, com acesso à pré-eliminatória da Champions League (factor evidenciado para destacar as boas épocas de Paulo Bento no SCP), porque chegamos às meias-finais da Taça de Portugal (o que não acontecia desde a época 2007/2008), porque chegamos às meias-finais da Liga Europa (não alcançávamos esta fase numa competição europeia há 17 anos) e porque ganhamos a Taça da Liga. Ah, e conseguimos 18 vitórias consecutivas!
Estando tão perto de ganhar vários troféus e ficar apenas com o menos importante, causou e continua a causar uma grande frustração em todos nós. Há uma dor que permanece silenciosa nos nossos corações atónitos com as derrotas que não podiam ter acontecido. Que não merecíamos ter, mas que os nossos inimigos conseguiram que tivéssemos.
Mas vendo a coisa pelo lado positivo, as 7 derrotas que tivemos na Liga, um número excessivo para os nossos hábitos, só encontraram melhores registos no Manchester United (4), Barcelona (2), Real Madrid (4), Milão (4), Lille (4), Marselha (6) e PSG (7), Dortmund (5), Bayern Leverkusen (6) e Bayern Munique (7). Ou seja, nos principais campeonatos da Europa, grandes equipas como Chelsea, Arsenal, Liverpool, Lyon, Valência, Inter de Milão, Juventus, sofreram mais derrotas do que o Benfica, o que quer dizer que outros também sofreram e não deixaram de comparecer no estádio para continuar a apoiar.
Vendo os nossos 63 pontos pelo prisma percentual, 70% dos pontos possíveis, não sendo uma percentagem de campeão, é bom não esquecer que após derrota em Braga, o nosso treinador optou por fazer muitas experiências, procurando a melhor gestão do plantel, e com isso perdemos 7 pontos com Portimonense, Naval e Olhão, que em condições normais não teríamos perdido. Ora 70 pontos (63+7) daria 77,7%, o que é percentagem de muitos campeões nos últimos anos.
Já o FCP fez a incrível marca de 84 pontos, ou seja 93,3% dos pontos possíveis, marca que nem Mourinho atingiu no FCP do Apito Dourado (o máximo foram 84% tanto como Jesus na época passada) e que Eusébio só por uma vez ultrapassou em 72/73 com Jimmy Hagan: 95,6%. Nos gloriosos anos 60, o mais perto que o Benfica esteve e por uma única vez, foi com 92%. Nessa década, já agora, fomos campeões também uma vez com 77% de pontos.
Refiro estes números para que os leitores percebam a realidade da “batota” em que a competição uma vez mais decorreu. Seja porque a equipa de Mourinho com estes mesmos árbitros e com jogadores de melhor qualidade (Deco, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Maniche, Derlei, Alenitchev, etc) não passou dos 84%, seja porque olhamos para os principais campeonatos europeus, e melhor que o Benfica, só fizeram o Barcelona (84%), Real Madrid (80%), Dortmund (74%) e Milan (73%), já considerando o desperdício de 7 pontos com as experiências! 4 equipas apenas! Acham normal? Eu não ...
Quanto à Taça já escrevi o suficiente. Repito a ideia fundamental: não fomos nós que desperdiçamos os 2-0 de vantagem, foi o árbitro Carlos Xistra que ajudou o FCP a tirar-nos essa vantagem. De outra maneira, estávamos lá.
Na Liga Europa, fizemos (com Roberto) um percurso brilhante até à meia-final. Não é todos os anos que se eliminam equipas da valia do Estugarda (apenas concedeu 2 derrotas depois dessa eliminação, uma fora com o Bayern), PSV (o “susto” só existiu para o Benfica, não para o FCP com o Sevilha, na derrota 0-1) e PSG (eliminou o Dortmund na fase de grupos) que apenas concedeu 1 derrota na Liga Europa, precisamente connosco! A eliminação frente ao Braga, por golos fora, é outra história que vem do terramoto emocional provocado pela eliminação na Taça. A confiança dos jogadores caiu a pique, a gestão do plantel com alguns maus resultados não ajudaram em nada, as lesões de Gaitan e Salvio nesta fase ainda pioraram o que não estava bem e o excesso de confiança “matou” a concentração dos jogadores e da equipa.
No fundo resumo esta época desportiva como muito boa. Fomos impedidos de fazer melhor na Liga por erros de arbitragem contra nós e a favor do FCP. Fomos eliminados nas meias-finais da Taça por um árbitro de futebol. Fomos eliminados da grande prova que fizemos na Liga Europa por um conjunto de incidências resultantes de tudo que veio de trás.
Quem não perceber o futebol como uma série de instantes, em que o instante actual influencia o seguinte, e o instante anterior influencia o actual, não se pode por em bicos de pés a pedir a “cabeça” do treinador ou do jogador A ou B. Os instantes no futebol não dependem só de nós. Mas também do valor do adversário e do efeito conjugado do valor do adversário com os benefícios dos erros de arbitragem. O Benfica mais uma vez, foi prejudicado de forma escandalosa (para a minha sensibilidade, tal a gravidade e clareza dos erros). Foram esses pormenores que fizeram muitos e muitos instantes em que acabamos por não conseguir o que merecíamos porque éramos melhores.