quarta-feira, 18 de maio de 2011

Balanço da época I

Portugal, 18 de Maio de 2011

A época desportiva acabou mais cedo para nós, vencemos apenas o troféu de menor importância (Taça da Liga), mas ao contrário da ideia (programada) veiculada pela comunicação social, eu penso que a época foi bastante positiva.
Basicamente porque ficamos em 2º lugar na Liga, com acesso à pré-eliminatória da Champions League (factor evidenciado para destacar as boas épocas de Paulo Bento no SCP), porque chegamos às meias-finais da Taça de Portugal (o que não acontecia desde a época 2007/2008), porque chegamos às meias-finais da Liga Europa (não alcançávamos esta fase numa competição europeia há 17 anos) e porque ganhamos a Taça da Liga. Ah, e conseguimos 18 vitórias consecutivas!
Estando tão perto de ganhar vários troféus e ficar apenas com o menos importante, causou e continua a causar uma grande frustração em todos nós. Há uma dor que permanece silenciosa nos nossos corações atónitos com as derrotas que não podiam ter acontecido. Que não merecíamos ter, mas que os nossos inimigos conseguiram que tivéssemos.
Mas vendo a coisa pelo lado positivo, as 7 derrotas que tivemos na Liga, um número excessivo para os nossos hábitos, só encontraram melhores registos no Manchester United (4), Barcelona (2), Real Madrid (4), Milão (4), Lille (4), Marselha (6) e PSG (7), Dortmund (5), Bayern Leverkusen (6) e Bayern Munique (7). Ou seja, nos principais campeonatos da Europa, grandes equipas como Chelsea, Arsenal, Liverpool, Lyon, Valência, Inter de Milão, Juventus, sofreram mais derrotas do que o Benfica, o que quer dizer que outros também sofreram e não deixaram de comparecer no estádio para continuar a apoiar.
Vendo os nossos 63 pontos pelo prisma percentual, 70% dos pontos possíveis, não sendo uma percentagem de campeão, é bom não esquecer que após derrota em Braga, o nosso treinador optou por fazer muitas experiências, procurando a melhor gestão do plantel, e com isso perdemos 7 pontos com Portimonense, Naval e Olhão, que em condições normais não teríamos perdido. Ora 70 pontos (63+7) daria 77,7%, o que é percentagem de muitos campeões nos últimos anos.
Já o FCP fez a incrível marca de 84 pontos, ou seja 93,3% dos pontos possíveis, marca que nem Mourinho atingiu no FCP do Apito Dourado (o máximo foram 84% tanto como Jesus na época passada) e que Eusébio só por uma vez ultrapassou em 72/73 com Jimmy Hagan: 95,6%. Nos gloriosos anos 60, o mais perto que o Benfica esteve e por uma única vez, foi com 92%. Nessa década, já agora, fomos campeões também uma vez com 77% de pontos.
Refiro estes números para que os leitores percebam a realidade da “batota” em que a competição uma vez mais decorreu. Seja porque a equipa de Mourinho com estes mesmos árbitros e com jogadores de melhor qualidade (Deco, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Maniche, Derlei, Alenitchev, etc) não passou dos 84%, seja porque olhamos para os principais campeonatos europeus, e melhor que o Benfica, só fizeram o Barcelona (84%), Real Madrid (80%), Dortmund (74%) e Milan (73%), já considerando o desperdício de 7 pontos com as experiências! 4 equipas apenas! Acham normal? Eu não ...
Quanto à Taça já escrevi o suficiente. Repito a ideia fundamental: não fomos nós que desperdiçamos os 2-0 de vantagem, foi o árbitro Carlos Xistra que ajudou o FCP a tirar-nos essa vantagem. De outra maneira, estávamos lá.
Na Liga Europa, fizemos (com Roberto) um percurso brilhante até à meia-final. Não é todos os anos que se eliminam equipas da valia do Estugarda (apenas concedeu 2 derrotas depois dessa eliminação, uma fora com o Bayern), PSV (o “susto” só existiu para o Benfica, não para o FCP com o Sevilha, na derrota 0-1) e PSG (eliminou o Dortmund na fase de grupos) que apenas concedeu 1 derrota na Liga Europa, precisamente connosco! A eliminação frente ao Braga, por golos fora, é outra história que vem do terramoto emocional provocado pela eliminação na Taça. A confiança dos jogadores caiu a pique, a gestão do plantel com alguns maus resultados não ajudaram em nada, as lesões de Gaitan e Salvio nesta fase ainda pioraram o que não estava bem e o excesso de confiança “matou” a concentração dos jogadores e da equipa.
No fundo resumo esta época desportiva como muito boa. Fomos impedidos de fazer melhor na Liga por erros de arbitragem contra nós e a favor do FCP. Fomos eliminados nas meias-finais da Taça por um árbitro de futebol. Fomos eliminados da grande prova que fizemos na Liga Europa por um conjunto de incidências resultantes de tudo que veio de trás.
Quem não perceber o futebol como uma série de instantes, em que o instante actual influencia o seguinte, e o instante anterior influencia o actual, não se pode por em bicos de pés a pedir a “cabeça” do treinador ou do jogador A ou B. Os instantes no futebol não dependem só de nós. Mas também do valor do adversário e do efeito conjugado do valor do adversário com os benefícios dos erros de arbitragem. O Benfica mais uma vez, foi prejudicado de forma escandalosa (para a minha sensibilidade, tal a gravidade e clareza dos erros). Foram esses pormenores que fizeram muitos e muitos instantes em que acabamos por não conseguir o que merecíamos porque éramos melhores.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Gralhas

Portugal, 16 de Maio de 2011

A semana finda foi mais uma cheia de “gralhas”: começou na entrevista do Sr.º Filipe Vieira à Benfica TV, continuou nas habituais fugas de informação para o RECORD sobre a hipotética dispensa de Roberto e acabou com o árbitro Gralha ajudando o Leiria a empatar com o Benfica, no meio das habituais gralhas que são aqueles que durante um jogo de futebol assobiam e insultam a sua própria equipa, em vez de a apoiarem.


A entrevista do Sr.º Vieira à Benfica TV foi mais do mesmo. Não sei se foi por isso, ou porque minutos antes de ir para o ar, os principais tópicos da mesma já tinham sido publicados no RECORD, o que é certo é que foi uma entrevista pouco divulgada na comunicação social desportiva. 


entrevista contém uma série de gralhas, que vão desde a forma como ele diz ter chegado ao Benfica (após telefonema de Manuel Vilarinho) até às razões porque perdemos este campeonato: “andamos demasiado tempo em festas”, “o plantel revelou-se insuficiente”, “acredito no trabalho da comissão de arbitragem presidida por Vítor Pereira”, etc., etc. 


As gralhas do Sr.º Vieira têm uma finalidade precisa: evitar que os adeptos critiquem o planeamento que a Liga do Dr.º Fernando Gomes (apoiada por Vieira) preparou para a presente temporada, em que antecipou o início das provas sabendo que estávamos em ano de Mundial, e que uma equipa que tivesse lá muitos jogadores seria forçosamente prejudicada. E houve uma que de facto teve lá muitos jogadores: o Benfica. 


A derrota na Supertaça é vista como marcante, o que até certo ponto é correcto, mas uma vez mais não é ligada com a antecipação das provas, nem com outro factor que parece causar “fobia” ao Sr.º Vieira: os erros de arbitragem. O Benfica entrou mal nesse jogo, levando um golo a frio aos 4 mn, mas depois houve um penalty claríssimo sobre Coentrão, que o árbitro João Ferreira, como bom intérprete do “manual da arbitragem azulada” interpretou como simulação. Em vez de empatarmos o jogo, ficamos com um jogador condicionado daí em diante. Na parte final do jogo, e em clara compensação, perdoou várias faltas disciplinares aos jogadores do Benfica, que se desorientaram claramente em 2 ou 3 lances. 


João Ferreira mais tarde viu 1 penalty a favor do FCP contra o Beira-mar, numa simulação de Hulk, jogo que o FCP ganhou por 1-0, com esse golo “oferecido” pelo árbitro. Aí o “manual” foi mais uma vez “bem” aplicado. 


Mas isto para o Sr.º Vieira é apenas “andamos demasiado tempo em festas”! 


As gralhas continuaram durante o jogo com o Leiria, onde uma das claques do Benfica invectivou os nossos jogadores por causa da eliminação da Liga Europa. Só gente anormal pode pensar que assobiando a equipa, esta vai render mais. Resultado: em 20 mn o Leiria marcou 2 golos, com culpas para o guarda-redes (e árbitro, já lá vamos), e empatou o jogo. Note-se que falo do guarda-redes apenas e só porque Roberto teria tido direito a 1ªs páginas no dia seguinte e também porque nenhum jogador consegue manter a concentração com os seus adeptos apupando-os. Os assobios a um jogador, atacam todos os jogadores. Pensei que ainda se lembrassem de Thomas e do exemplo recente do SCP (vieram nos jornais algumas declarações de jogadores dizendo ser mais difícil jogar com os assobios).

Por último o árbitro Gralha completou o ramalhete das “gralhas” da semana ao expulsar Luisão (Benfica vencia 3-2 e adeptos assobiavam a equipa), quando o 1º cartão amarelo é mal mostrado. Porque ou ele considerava que houve agressão, e aplicava o cartão vermelho. Ou considerava encenação do jogador do Leiria, e mostrava-lhe amarelo. A jogada enquadra-se nesta 2º hipótese!

Mas como sabemos, as leis de jogo para o Benfica são aplicadas de forma diferente do FCP, e Luisão foi expulso por 2º cartão amarelo, por falta menos grave do que a que fez Cebola Rodriguez sobre Maxi Pereira na meia-final da Taça. Cebola não foi expulso porque o FCP estava em desvantagem na eliminatória. São as leis do “manual da arbitragem azulada”. Luisão contudo foi expulso. Se o critério fosse igual, o Benfica tinha eliminado o FCP da Taça e o desânimo que aconteceu depois, não teria acontecido. Nem a deterioração da relação entre alguns adeptos e a equipa, com prejuízo desportivo acentuado.

O que pode fazer um simples cartão amarelo, e que um Gralha acabou por voltar a evidenciar (depois de Vasco Santos no Olhanense - Benfica, com o 1º cartão amarelo a Jardel, igual a situação que envolveu Sapunaru e Saviola nesse famigerado jogo da Taça)...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Pigmeus

Portugal, 12 de Maio de 2011

Ontem ficou a saber-se que o Tribunal Central Administrativo do Sul declarou “inexistente a deliberação do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol que aplicou uma suspensão de dois anos a Pinto da Costa e subtracção de seis pontos aos dragões, castigando também o Boavista com a pena de descida de divisão”.

Se bem se recordam tudo aconteceu em Maio de 2008 quando o CJ da FPF analisou os recursos de Pinto da Costa e do Boavista, numa tumultuosa reunião que, pelo meio, teve a destituição de um dos conselheiros por parte do Presidente, conselheiro esse que se opunha à posição do Presidente, nomeado pela AF Porto (e confesso adepto do FCP), e que era (naturalmente) dar razão a Pinto da Costa e ao Boavista. E anular os castigos impostos pelo CD da Liga de Ricardo Costa.

O Presidente do CJ deu a reunião como finda por falta de quórum, mas os demais conselheiros não aceitaram a destituição do tal conselheiro, prosseguiram a reunião do CJ e ratificaram o castigo imposto pelo CD da Liga. Deste modo o curriculum de Pinto da Costa passou a incluir uma condenação pela prática de crime de corrupção desportiva, e o Boavista desceu de divisão.

Se bem estão lembrados, muitos dirigentes do Benfica se têm referido a Pinto da Costa como tendo sido o único dirigente em exercício de funções que foi condenado por corrupçãoNão sei se estariam ao corrente de que, tanto ele como o Boavista tinham recorrido da decisão do CJ da FPF. E portanto haveria sempre a possibilidade de ganharem o recurso. Ou seja, fazer uma bandeira com a condenação desportiva de Pinto da Costa, seria sempre prematuro e inconsciente, até à sentença transitar em julgado.

Mas no nosso Benfica as coisas correm assim, com um amadorismo tremendo e difícil de compreender. Ou talvez não.

A decisão do Tribunal Central do Sul foi adequada e conforme às leis?

Já hoje respiguei do SOL o caso da absolvição do Médico Psiquiatra acusado de violar uma paciente grávida. Factos que foram apurados pelo Tribunal: “(tendo) o médico começado a escrever uma receita. Quando voltou, aproximou-se da paciente, exibiu-lhe o seu pénis erecto e meteu-lho na boca, agarrando-lhe os cabelos e puxando a cabeça para trás, enquanto dizia: «estou muito excitado» e «vamos, querida, vamos”.  “A mulher tentou fugir, mas o médico agarrou-a, virou-a de costas, empurrou-a na direcção do sofá fazendo-a debruçar-se sobre o mesmo, baixou-lhe as calças (de grávida) e introduziu o pénis erecto na vagina, até ejacular”. 

Ou seja: o médico obrigou a paciente a praticar sexo oral, obrigou a paciente a ter relações sexuais, mas o colectivo por maioria simples (vá lá, alguém teve escrúpulos) decidiu que “o arguido não cometeu o crime de violação, porque este implica colocar a vítima na impossibilidade de resistir para a constranger à prática da cópula”. 

Este Tribunal decidiu bem? Neste caso só saberemos quando o Médico aplicar a “receita” à mulher de um dos juízes do colectivo. 

No caso do FCP e do Boavista, digamos que o tal Presidente tinha a lição bem estudada. Caso a maioria dos conselheiros estivesse do seu lado, a reunião prosseguia com normalidade e os castigos seriam revogados. Caso não estivessem do seu lado, tinha sempre a possibilidade de criar um incidente administrativo e terminar a reunião por ali. 

Ou seja. Enquanto os amadores e ingénuos dirigentes do Benfica e analistas desportivos assumidos benfiquistas, resumem a análise do sucesso desportivo às bolas que entram e não entram na baliza, ou às opções técnico-tácticas do treinador que no ano anterior foi campeão, deslumbrando, os do FCP controlam praticamente todas as variáveis da Arbitragem, Organização das Provas e como se vê, também da Justiça Desportiva

Digamos que a competição futebolística entre Benfica e FCP é praticada com uma certa diferença de proporções. Como a diferença de tamanho entre os pigmeus e os gigantes europeus.

terça-feira, 10 de maio de 2011

A pressão II (e agora Luís)

Portugal, 10 de Maio de 2011

Terminei o texto anterior da seguinte forma, relativamente à pressão que se tem feito sobre Roberto: “(é) uma mensagem que toca a todos e não só a Roberto. Toca aos adeptos, toca à equipa técnica, toca aos próprios colegas de equipa. A “pressão” existe e está mais uma vez orquestrada para diminuir as variáveis de confiança do Benfica, dando assim ajuda extra ao nosso adversário. Hoje (amanhã) é português, antes foi estrangeiro. Não interessa! Interessa é atacar o Benfica para impedir que ganhe ...”.

Infelizmente a melhor equipa – Benfica – foi eliminada e nunca saberemos se a desestabilização em torno de Roberto, por tocar a todo o plantel, mais outros factores que não cabem neste tema, não terão ajudado à falta de concentração dos nossos jogadores que na hora do remate acertaram no poste ou falharam golos ditos “fáceis”. Nunca o saberemos.

Com a eliminação do Benfica e porque desta vez não foi possível dizer que a culpa foi do Roberto, tal como a comunicação social havia ensaiado nos dias anteriores (ao estilo, “nós bem avisamos”), como também não houve coragem para por em causa os “preconceitos futebolísticos” que sustentaram a titularidade de Saviola, em clara falta de forma (“os melhores devem jogar sempre”, dizia Pragal Colaço após a eliminação da Taça), a derrota com o Braga caiu em cima de Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, e de Jorge Jesus (este já não surpreende).

E agora Luís?” titulava a BOLA a quem Pinto da Costa chama de “Pravda”. A familiaridade do tratamento (1ª pessoa do singular, sinal de intimidade) sugere uma encruzilhada para o Presidente do Benfica. Já os sportinguistas do RECORD titulavam no sábado “não sai, ninguém o tira” sobre foto de Jesus, o que é uma mensagem desrespeitosa porque define um “alvo” a que atribuem uma situação de “privilégio” (fica, faça as asneiras que fizer).

O Benfica tinha um jogo difícil em Vila do Conde. Um jogo que poderia aumentar a distância pontual ao 1º lugar, como eles tanto têm repetido nas 1ªs páginas. Até têm falado em recorde negativo. Já o FCP tinha um jogo mais acessível por ser em casa e a equipa vir moralizada do apuramento para a final da Liga Europa.

Os títulos criam quadros de referência. A articulação entre esta alcateia da comunicação social, originou os títulos que já referi e que provocaram incómodo entre todos. Mais uma vez não são só afectados os visados na 1ª página, mas todo o grupo de trabalho que sente a instabilidade de tomadas de decisão que lhes podem ser adversas, os adeptos que se dividem entre os que querem poucas mudanças, porque consideram os árbitros como maiores responsáveis e os que querem muitas mudanças porque acham que os jogadores e o treinador poderão ser superiores a todas as armadilhas de arbitragens. A divisão entre adeptos gera divisão no apoio à equipa. A divisão dos adeptos entre assobios e aplausos, enfraquece a confiança dos jogadores e estimula o adversário.

A pressão jornalística uma vez mais apostava num tipo de resultados. Mas saiu-lhes tudo ao contrário. O FCP empatou, o SCP perdeu, o Braga empatou e só o Benfica ganhou. O clube que queriam que perdesse pontos (pela pressão que colocaram), foi o único que ganhou.

Ficamos a aguardar que falem nos 36 pontos de avanço do FCP sobre o SCP e os 35 pontos de avanço sobre o Braga. Falarão? Talvez sim mas no fim do campeonato quando o “efeito” 1ª página não produzir resultados.

Aliás, e relacionado com este assunto, não acharam estranho o silêncio da alcateia da comunicação social, sobre a questão do futuro treinador do SCP? Não acharam estranho que nenhum dos habituais comentadores, painelistas, paineleiros, jornalistas, etc, ninguém tenha especulado sobre o futuro treinador do SCP? Que ninguém tenha publicado a foto do futuro treinador do SCP na 1ª página?

Estou a exagerar? Vamos lá lembrar o que aconteceu naquele último mês de Quique Flores no Benfica. Quase todos os dias saíam notícias dando conta que Jesus ia ser o novo treinador do Benfica, que Quique Flores seria despedido (a bem ou a mal), que isto e aquilo. Intranquilidade programada para justificar a saída de Quique. Isto é: criando condições para perdermos mais pontos, depois há melhores razões para sustentar a troca de treinador.

A alcateia sabe bem o que faz. Hoje o SAPO online refere que Domingos vai assinar um contrato de 2 anos com o SCP. Hoje já se pode saber o que está decidido há semanas. Não se pôde saber antes porque enfraquecia o Braga para o jogo da Liga Europa com o Benfica! Como o Braga vai jogar com o SCP a decisão pelo 3º e 4º lugar, agora já toda a gente pode saber.

A ideia é ajudar o SCP (e FCP na Liga Europa) e enfraquecer o Braga. A alcateia sabe bem o que faz...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A Europa por um canudo

Portugal, 6 de Maio de 2011

Não esperava a eliminação em Braga, ainda por cima com arbitragem estrangeira. Contudo também sabia que estávamos a passar muitas eliminatórias com vitórias no 1º jogo por 2-1. E algum dia, isso poderia acabar. Também sabia que íamos em 34 jogos sempre a marcar golos (recorde enorme e por ser positivo, não foi descriminado pela comunicação social) e sabia que um dia isso iria acabar.

Por azar e injustiça “divina”, tudo se conjugou para acontecer no 2º jogo com o Braga. Será que merecemos este castigo? Acho que não! A Direcção sim, merece estas derrotas e muito mais. Pelas mentiras que nos impingem desde há 10 anos. Mas pensando na gente boa e simples que apoia o Benfica, considerando a entrega dos jogadores e profissionalismo do treinador, acho que não merecíamos.

Até porque jogamos melhor no conjunto das duas mãos, fomos extremamente infelizes nas bolas ao poste (3 nestes dois jogos, 6 no total da Liga Europa) e nos lances de bola parada, de onde resultaram os 2 golos do Braga (este último em falta igual ao que nos anularam em Braga na época do título, mas aceitável porque o nosso golo também era de validar, e não foi porque empatávamos o jogo).

Numa perspectiva técnica, diria que o Braga foi uma equipa acessível, ao contrário do que tem mostrado nos jogos da Liga Portuguesa. Foi nítida a influência positiva da arbitragem, cortando jogadas que cá em Portugal seriam validadas ao Braga, não cortando jogadas ao Benfica que cá seriam cortadas com o “truque” do fora de jogo ou da falta inexistente.

Ainda na perspectiva técnica, parece-me que o Benfica voltou a jogar em 4-1-3-2, ou seja, um modelo de jogo de propensão ofensiva, como tenho várias vezes criticado, contra um Braga com um 4-2-3-1 que Mourinho gosta de utilizar, e que é um modelo de propensão defensiva e mais dado ao contra ataque. Ora sabendo que o Braga ia jogar assim, e Jesus reconheceu-o, porque razão voltamos a utilizar um modelo de jogo de propensão ofensiva, que acabou por ser “facilmente” neutralizado no “miolo” do terreno de jogo?

Numa perspectiva de níveis anímicos, diria que o Benfica “acabou” na derrota com o FCP, para a Taça de Portugal. O terramoto emocional que provocou em jogadores e adeptos, prejudicando ou destruindo a relação de cumplicidade que havia entre adeptos e jogadores, rebaixando os níveis de confiança dos jogadores, essa derrota como referi, deixou marcas que ainda ontem se verificaram, tal como na 1ª mão. E onde se verificaram? Na concentração!

Um Benfica alegre como o que venceu 18 jogos consecutivamente, na 1ª mão ganhava por mais de 2 golos ao Braga. Sem qualquer sombra de dúvida. Aquele Benfica que se mostrou até ao jogo de Braga, onde fomos “xisrrotados”, primava pela espontaneidade, criatividade, espectacularidade, crença, capacidade para inverter resultados negativos (Estugarda e PSG, bem mais fortes que o Braga) e de se transcender nos jogos difíceis (Estádio da “Galinha” para a 1ª mão da Taça).

Esse Benfica perturbou-se em Braga e acabou na 2ª mão da Taça de Portugal. Uma vez mais “xisrrotados”. Não vou voltar a falar na arbitragem desse jogo porque já falei no texto que escrevi, Taça I. Apenas sublinho o pormenor da não expulsão do Sapunaru quando agarrou Saviola, com 0-0, e interrogo-me: e se o árbitro tivesse aplicado as leis de jogo e o FCP ficasse reduzido a 10? Estaríamos na final da Taça de Portugal e na final da Liga Europa seguramente!

Para variar a Direcção do Benfica não percebeu. Veio a contestação após vitória na Taça da Liga, e a Direcção nada fez. Era uma minoria? Talvez, mas ruidosa, logo, mais interveniente, mais desestabilizadora. Tinha que se ter actuado.

Ainda hoje não sabemos porque razão o Sr.º Vieira disse que iria falar sobre a pressão que o FCP estava a fazer sobre a arbitragem antes do jogo da Taça, e acabou por não falar, depois de ter sofrido um golo em fora de jogo de metro! Porquê? Ao Mourinho invalidaram-lhe 1 golo e foi o que se viu.

No Benfica as coisas, o sucesso entenda-se, acontecem ao acaso. Ganhamos o ano passado, mas foi um acaso. Bastava que os erros dos árbitros que favoreceram o FCP tivessem resultado em mais vitórias, e nada poderíamos fazer se tivéssemos menos pontos que eles. Este ano, Vieira apoiou o ex-dirigente da SAD portista Fernando Gomes e com esta leviandade ofereceu não 1, mas 3 títulos de campeão ao FCP (todo o mandato de Fernando Gomes).

Não tenho dúvidas que o Benfica dos últimos jogos, é uma equipa triste e deprimida, o que provoca a ausência do brilho futebolístico que antes se mostrou. O maior responsável foi Carlos Xistra em Braga e Taça. Não entender estes pormenores, é continuar a barafunda em que o Benfica vive desde há 20 anos para cá.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A pressão I

Portugal, 4 de Maio de 2011

Muito se fala que a “pressão” sobre os jogadores do Benfica é enorme, e possivelmente maior do que noutros clubes. Mas quando se pretende caracterizar o que é essa “pressão”, as definições regra geral são incompletas ou românticas. Uns dizem que “no Benfica tem de se ganhar sempre” e por isso há mais pressão, outros dizem que a pressão é pelo facto do “Benfica ter milhões de adeptos”.

Sempre achei que a “pressão” é muito mais que estes conjuntos de argumentos incompletos e romântico, uma vez que qualquer jogador profissional que vai para um clube que luta por títulos, sabe que vai ter de ganhar mais do que noutros clubes que não lutam por títulos. Portanto esse conceito de “pressão” é pois natural. O que é que distingue então a “pressão” no Benfica, da “pressão” nos outros clubes?

Quando tinha 15 anos e estudava no Liceu (hoje Escola Secundária), a minha professora de Introdução à Politica explicava-nos que “os media são o 4º poder”. E muita confusão me provocava isto. Primeiro, não sabia o que eram os “media”, depois de saber, interrogava-me como é que eles poderiam ser tão importantes...

Mais tarde ao ler uns textos sobre comunicação social, ainda antes de entrar na Faculdade e no curso que escolhi (não foi jornalismo), fiquei a perceber que uma noticia é a transformação de um facto (algo que aconteceu) numa informação. Fiquei a perceber que uma noticia na 1ª página é mais impactante do que na última página de um jornal, apesar de ser a mesma. Ou na abertura ou fecho de um telejornal. Fiquei a saber que a notícia deve ser separada da opinião. E fiquei a perceber que conjugando adequadamente tudo isto, de facto as pessoas formam as suas ideias sobre as coisas ou temas, sem pensarem muito pois antes de pensarem já foram induzidas a tirar certas conclusões.

As palavras podem ser “pedras” para uns, e “flores” para outros. Mas são palavras que saem do mesmo emissor.

Adaptando estas ideias à tal “pressão” que existe no Benfica, penso podermos concluir que ela é o resultado de uma conjugação de vontades e esforços, entre grupos e profissionais da comunicação social, que optando e subjectivando a importância dos temas, provocam nos receptores um determinado efeito que depois se repercute em cadeia e provoca as mais dispares e disparatadas reacções comportamentais.

O que se passa com Roberto é exemplar. Sabendo da importância deste lugar específico, os guarda-redes do Benfica não costumam ter vida “fácil” com a “pressão” artificialmente criada por esta comunicação social orquestrada numa lógica de actuação, que é distinta – para pior - no caso do Benfica. E um exemplo recente é o “falhanço” do alemão Butt, que depois foi campeão na Alemanha.

Pois Roberto, ou porque deu nas vistas pelo seu custo (que ele nada tem a ver) ou porque substituiu o guarda-redes campeão Quim ou simplesmente porque qualquer pretexto serve para pressionar um jogador do Benfica, dizia eu, Roberto após o 2º jogo amigável com o Sion, foi imediatamente bombardeado com rótulos (forma mais simples, prática e eficaz de passar a “mensagem”): titulo principal “frango à espanhola” no RECORD e sub-título na BOLA “erros de Roberto dão vitória ao Sion”.

Logo percebi que Roberto iria ser o jogador chave, entenda-se “vítima”, para a alcateia da comunicação social, os tais que a cada “frango” de Patrício acrescentam “no melhor pano cai a nódoa”. Ao Roberto não foi possível deixar mostrar o seu “pano”.

Até ao início do campeonato, Roberto foi sempre visto à “lupa”. De forma incrível cada golo sofrido podia ser sempre defendido. E não era defendido porque o Roberto “tinha estado mal”. A sucessão de mensagens desta natureza, derruba qualquer um. Eu estou do lado dos que resistem.
Roberto defendeu 1 penalty no primeiro jogo em que foi preterido. Irónica e hipocritamente, a mesma BOLA que tanta “pedra” lhe tinha atirado, desta vez virou-se contra ... Jesus. O título foi sintomático: Deus manda mais que Jesus! Porque entendamo-nos, eles têm de atirar sempre em cima de alguém do Benfica.

Vamos jogar a 2ª mão da meia-final da Liga Europa. Chegamos até aqui com Roberto na baliza. Vamos fazer o 14º jogo europeu, 6 dos quais de “borla” por termos sido campeões. Nos 17 anos anteriores não conseguimos. Fala-se de futebol nas importantíssimas 1ªs páginas dos jornais desportivos? Não, fala-se de Roberto. A mensagem é a incerteza, a angústia, a possibilidade maior do erro, a opção do treinador, as características do Roberto.

Uma mensagem que toca a todos e não só a Roberto. Toca aos adeptos, toca à equipa técnica, toca aos próprios colegas de equipa. A “pressão” existe e está mais uma vez orquestrada para diminuir as variáveis de confiança do Benfica, dando assim ajuda extra ao nosso adversário. Hoje (amanhã) é português, antes foi estrangeiro. Não interessa. Interessa é atacar o Benfica para impedir que possamos ganhar ...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Camarada Vasco

Portugal, 2 de Maio de 2011

As nomeações dos árbitros, representa um dos “segredos” sobre como funciona o “sistema” na parte que diz respeito à arbitragem. Digamos que as nomeações são um indicador de como o “sistema” vê as arbitragens dos homens do apito, em função dos erros que cometem e da sua tendência.

Como já aqui escrevi nos textos intitulados “crónica de um título anunciado”, o campeonato ficou entregue na 1ª jornada quando o árbitro do Benfica – Académica perdoou 4 lances para grande penalidade a favor do Benfica, todas em situações de empate 0-0 e 1-1, e no dia seguinte Paulo Batista perdoou 1 penalty contra o FCP, com possível expulsão do Álvaro Pereira (o avançado da Naval está enquadrado com a baliza), e assinalou 1 penalty inexistente a favor do FCP ao mn 83, que valeu 3 pontos para o FCP. Quem assim erra, não erra por acaso. E quando não se erra por acaso, esses erros vão acontecer quando o “sistema” precisar que aconteçam para não deixar cair o FCP.

Qual a leitura que o “sistema” teve desses erros? Volto às nomeações. Estes 2 árbitros não foram seleccionados para arbitrar na 2ª jornada. Mas na 3ª jornada foram ambos escolhidos para arbitrar na 2ª de Honra. E na 4ª jornada já estavam a arbitrar na 1ª Liga. Uma primeira conclusão é óbvia: errar a favor do FCP ou contra o Benfica, tem exactamente o mesmo tipo de avaliação por quem nomeia os árbitros, permitindo-lhes “facturar” 800 euros por jogo na 2ª de Honra e 1100 euros na 1ª Liga.

Para tirarmos uma 2ª conclusão, teremos de lembrar o jogo da final da Taça da Liga, onde Lucílio assinalou 1 penalty inexistente que deu o empate ao Benfica e apesar de ter tido muitos erros disciplinares a favor do SCP, devido ao vendaval mediático que se abateu sobre esse erro que beneficiou o Benfica, Lucílio acabou por ser excluído das nomeações durante 6 semanas! Como se vê, aqui o critério foi distinto do aplicado a Paulo Batista que errou a favor do FCP.

Quem não percebe o poder das nomeações na definição de uma certa lógica de actuar por parte dos árbitros, é melhor dedicar-se à pesca ou ao golfe, duas modalidades que já se praticam no nosso clube.

Dito isto, quando se soube que seriam dois árbitros do Porto a arbitrar os jogos de Benfica e FCP, nomeações que saíram antes da realização da 1ª mão dos jogos da Liga Europa, ficou para mim evidente que ambos iriam influenciar os jogos de Benfica e FCP. No caso do Benfica tentando tirar pontos para tirar partido de algum desânimo que se instalou nos adeptos após a Xisrrota na Taça de Portugal. No caso do FCP, e com Setúbal a precisar de pontos, iriam tentar impedir que FCP perdesse pontos e tivesse jogadores lesionados.

Por acaso as coisas correram bem ao FCP na 1º mão da Liga Europa (destaque contudo para o estranho penalty que deu o empate ... depois do intervalo) e o efeito das nomeações ficaram neste caso um pouco diluídos. Tanto assim que o treinador do FCP até fez algo que até aqui não tinha feito de forma evidente: geriu o plantel e poupou 6/7 titulares conforme o critério de contabilização dos mesmos. Mas ficou o Benfica à mercê de Vasco Santos, o árbitro que nas escutas aparece bem recomendado por gente do FCP.

O camarada (camarada do “sistema” entenda-se) Vasco, teve contudo uma actuação que veio provar a minha tese de que existe um manual de arbitragem. De facto, querendo agradar aos amigos do “sistema” e continuar a merecer a confiança para as nomeações (1100 euros por jogo é uma boa “renda”), Vasco mostrou cartão amarelo a Jardel num lance em que Toy se podia isolar. O lance descreve-se como um por e tirar de braço à frente do adversário, com este a aproveitar o balanço para se deixar cair. O Tribunal do JOGO por unanimidade concorda com este cartão (discorda também por unanimidade do 2º que deu a expulsão).

Onde pretendo chegar? Simples. No jogo da Taça, Sapunaru agarra Saviola no ombro, que já lançado em corrida, desequilibra-se e cai. Saviola estava enquadrado com a baliza e não tinha outro jogador entre si e o guarda-redes. Foi assinalada falta? Não! Graças ao camarada Vasco ficamos a saber que deveria ter sido assinalado livre directo contra o FCP e admoestado Sapunaru com 2º cartão amarelo (no mínimo).

O jogo estava 0-0. Alguém acredita que o Benfica perdia a eliminatória a jogar contra 10? Não creio. O Benfica foi Xisliminado da Taça por erro grosseiro de arbitragem. Erro de manual (contra FCP isto não acontece)!