terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Primeiros na primeira volta

Portugal, 24de Janeiro de 2012

Excesso de trabalho tem-me impedido de registar alguns pontos de vista sobre a carreira futebolística do nosso Benfica. Contudo sempre se arranja um tempo, mesmo que seja para falar de um tema já algo ultrapassado: a liderança do Benfica ao cabo da 1ª volta.

O interesse que tem analisar o comportamento da equipa ao fim da 1ª volta, resulta do facto de termos jogado contra todas as equipas, o que do ponto de vista matemático permite algumas leituras e conclusões. Admite-se alguma linearidade nesta matéria pois dando de desconto a ordem dos jogos, que não favorece ninguém já que os nossos adversários também têm esse factor, podemos concluir que, grosso modo, se perdemos 6 pontos na 1ª volta é crível que a 2ª volta também resulte em perda semelhante. Dará ainda assim para ser campeão?

Este Benfica tem um dos melhores desempenhos dos últimos anos. Mérito do tantas vezes criticado Jorge Jesus, muito mais do que de Filipe Vieira como certos adeptos ilustres querem fazer crer, numa lógica de seguidismo, tipo culto do “querido líder”. Esqueceram-se que Vieira, como Presidente, já teve 7 treinadores, a todos deu os jogadores que podiam ser contratados, e os resultados ficaram bem aquém dos obtidos por Jorge Jesus.

Jorge Jesus conseguiu então após 18 anos, ser líder ao fim da 1ª volta. Se considerarmos a 1ª volta sem derrotas, teremos de recuar mais uns bons anos. Talvez 26 ou 27! Se somarmos a este pequeno recorde, as 18 vitórias consecutivas da época passada, os 17 anos interrompidos para chegarmos a uma meia-final de prova europeia, mais os 84% de pontos conquistados no título de há 2 anos, enfim, como benfiquista só lhe posso dizer obrigado: custa dinheiro, mas vêm-se resultados.

Conseguimos fazer 86,7% de pontos neste campeonato, contra todo o tipo de campanhas desestabilizadoras perpetradas pela comunicação social, e que condicionam o pensar de tantos adeptos: 1) tivemos a fase da equipa estar mal fisicamente, quando marcávamos cedo mas não goleávamos (Guimarães, Olhanense, Basileia), 2) temos agora a fase que a equipa só marca nos últimos 20 mn (Gil Vicente), 3) tivemos a fase “deixem jogar o Capdevilla”, 4) tivemos a fase “está a queimar o Nolito”, 5) tivemos a fase “Rodrigo e Nelson Oliveira vão sentar o Cardozo”, 6) tivemos a fase das “invenções” (em jogos que fez apenas gestão do plantel, por opção ou por necessidade – castigos e lesões). Etc, etc. Treinador do Benfica que não ganhe os jogos todos, não serve ...

Apesar disso e enquanto essa mesma comunicação social se “babava” com as N vitórias consecutivas do SCP, regra geral contra 10 e com 1 penalty a favor pelo meio, o Benfica lá ía (contra 11, sem penaltys e com golos mal invalidados – Olhanense e Paços de Ferreira). Com ou sem nota artística! Até chegar aqui, em 1º lugar, com muito trabalho, muito planeamento, muita coragem, muita calma, muita qualidade espremida de cada um dos talentos.

As conclusões lineares são contudo perigosas, porque não há qualquer relação cientifica sobre o rendimento da 1ª e da 2ª volta (recordo o caso do Sporting de Espinho, talvez em 1996/97, que fizeram uma 1ª volta de Taça UEFA e depois acabaram por descer de divisão) e também porque temos um rival que é melhor e mais perigoso que os outros, porque nunca é vitima de erros de arbitragem graves e bárbaros como nós. Ainda agora com o Gil, com 1-1 o árbitro assinalou livre indirecto dentro da área contra nós, num lance unanimemente considerado pelo Tribunal de O JOGO, como casual (o “benfiquista” de ABOLA pelo contrário, condescendeu e branqueou a decisão do árbitro). E se o Gil fizesse 1-2?

A tarefa que se avizinha é pois dura e difícil. Será necessário continuar como até aqui, pondo o resultado à frente da exibição, porque o que conta são os 3 pontos (embora para certos benfiquistas de “barriga cheia”, por vezes isso não chegue). Acreditar nos profissionais que já obtiveram tantas e tão boas marcas, como estas e todas as que foram obtidas nas últimas 2 épocas e meia. Cerrar fileiras em torno da equipa, encher o estádio, apoiar os nossos e assobiar os adversários. O Benfica vai precisar desse Inferno da Luz para reconquistar um título que merece e que já podia estar mais bem encaminhado se o FCP tivesse obtido os resultados condizentes com o seu futebol e não com as decisões dos árbitros: Guimarães, Gil Vicente e Feirense entre outros.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Ser treinador no Benfica I

Portugal, 3 de Janeiro de 2012

Apesar do assunto do dia poder ser o jogo da Taça da Liga mais logo em Guimarães, dado que nos últimos tempos se tem acentuado uma certa pressão sobre o nosso treinador Jorge Jesus, parece-me relevante falar do tema “Ser treinador no Benfica”.

Seja porque razão seja, os treinadores no Benfica não costumam ter a vida facilitada. Desde Bella Gutman, o treinador bicampeão europeu que saiu de forma estranha, contabilizando diversos títulos nacionais e internacionais, para além de ter revolucionado o futebol da época ao criar os estágios antes dos jogos, até Toni que foi despedido depois de ter sido campeão e semifinalista da Taça das Taças, num dos anos mais difíceis, do ponto de vista económico, na vida do Benfica, há demasiadas histórias que não batem certo com a ideia de uma certa grandeza de que fazemos gala, perante os nossos adversários de FCP e SCP.

Já agora, um aparte. Manuel Vilarinho fazia parte da Direcção de Manuel Damásio que despediu Toni. Mais tarde creio ter querido compensar esse erro tremendo, ao criar condições para poder despedir José Mourinho, por ser treinador de Vale e Azevedo. Um erro compensado com outro erro, qual deles o pior. Mas este é o nosso Benfica ...

Vem isto tudo a propósito das sucessivas críticas que tenho lido e ouvido em vários lados, incluindo na Benfica TV, acerca de Jorge Jesus, dos seus méritos e deméritos, com pendor para estes últimos. Ouvindo tanta gente a falar como fala, fico perplexo por não haver mais bons treinadores na 1ª liga.

Hoje soube-se que Co Adrianse, ex-treinador do FCP, foi despedido do seu actual clube, FC Twente. Depois de passagens sem grande relevo no Metalurg Donetsk, Salzburgo, Al-Saad etc., foi antes disso no FCP que atingiu os seus momentos de glória, vencendo Campeonato e Taça de Portugal. De referir que o Campeonato foi vencido com 79% de pontos, menos 1% que a 2ª vitória de Mourinho que tinha outros jogadores, dos que renderam muitos milhões ao FCP, como Deco, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Maniche, Derlei, etc.

O interesse deste assunto é que Co Adrianse venceu tudo ao compatriota Ronald Koeman nosso treinador. Este, apesar de “só” ter ganho a Supertaça (ao Setúbal), conseguiu também a proeza de – na Champions - afastar dois colossos ingleses várias vezes campeões europeus, como sejam o Manchester United e o Liverpool, que até era o campeão em título. Nas provas nacionais, ficou a 12 pontos do FCP e em 3º lugar no campeonato. Na Taça foi eliminado em casa pelo Guimarães com mais uma arbitragem de Jorge de Sousa que passou por ter perdoado a expulsão a Cléber na 1ª parte, com 0-0, e por ter validado o golo do Guimarães em que o avançado ajeitou a bola com o braço, antes de rematar.

Como se sabe, a Direcção era presidida pela “rainha de Inglaterra”, Sr.º Filipe Vieira, e como se bem recordam, e para variar, a sua Direcção nada contestou sobre muitos e variados “roubos de igreja” de arbitragem, como os imortalizou o falecido José Maria Pedroto.

Na altura era voz corrente que Koeman não se tinha adaptado ao futebol português e até o presidente do Sindicato dos Treinadores, Bernardino Pereira (simpatizante do SCP e hoje director desportivo do Guimarães), disse numa rádio que “Koeman não tinha acrescentado nada ao futebol português”. Há que ajudar a “procissão” a ir para a frente, ou seja, a legitimar a mudança de treinador para que o “sistema” continue na mesma.

Se Co Adrianse ganhou o que ganhou depois de sair do FCP, ou seja NADA, já o tal que não se tinha adaptado ao futebol português ganhou 2 títulos (e últimos) de campeão holandês pelo PSV, na Champions eliminou o Arsenal para voltar a chegar aos quartos de final, foi para o Valência onde promoveu (ou deu a cara por) uma mini limpeza de balneário (correu com Canizares, Angulo e Albelda), acabando por ganhar a Taça do Rei ao super favorito Barcelona. Actualmente treina o Feeynord.

Compreende-se pois porque estas conversas sobre Jorge Jesus me fazem soar a mais do mesmo. Quem é Vítor Pereira ao pé de Jorge Jesus em termos de curriculum? O mesmo que Co Adrianse ao pé de Koeman. Mas nós não soubemos dar o devido valor às conquistas de Koeman, nem soubemos perceber (para variar) porque razão falhamos no Campeonato. E na Taça.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Um balanço da Champions

Portugal, 22 de Dezembro de 2011

Como alguns se recordarão, antes do jogo com o Manchester tive o “atrevimento” de fazer uma previsão sobre algumas variáveis de jogo. Previsão? Isso mesmo, fi-la antes do jogo se realizar, com base na estatística das duas equipas até então, fazendo um certo tipo de correcção ao Manchester por jogar em casa, e ao Benfica por jogar fora. Após o jogo verificou-se o seguinte:

MU:
Previsão de posse de bola entre 58% e 63%. No jogo: 63%! Previsão de faltas cometidas entre 8 e 11. No jogo: 13! Previsão de remates à baliza entre 11 e 15. No jogo: 13! Remates enquadrados com a baliza entre 5 a 8. No jogo: 7! Previsão de cantos contra nós, entre 3 e 5. No jogo: 6!

Benfica:
Previsão de posse de bola entre 37% e 42%. No jogo: 37%! Previsão de faltas cometidas entre 14 e 18. No jogo: 18! Previsão de remates à baliza entre 7 e 10. No jogo: 10! Remates enquadrados com a baliza entre 3 a 6. No jogo: 4! Previsão de cantos a favor, entre 1 e 4. No jogo: 2!

O prazer que me deu verificar que é possível antever o rendimento de duas equipas, com base no seu desempenho anterior, é justificado porque assim vi recompensada a minha maneira de ver o futebol, mais baseada nos números do que nas emoções ou sentimentos.

Cumulativamente o Benfica empatou a 2 e conseguiu logo aí, a qualificação para a fase seguinte, um dos objectivos da época. A minha satisfação foi pois dupla.

Recuperando os números do Benfica nesta fase da Champions, temos que fizemos 101 faltas e recebemos 74, fizemos 66 remates, 29 (44%) dos quais enquadrados com a baliza, tivemos em média 47,2% de posse de bola, tivemos 37 cantos a favor e 19 contra, fomos apanhados 9 vezes em fora de jogo contra 31 dos nossos adversários, recebemos 14 cartões amarelos, tantos quantos os adversários, e 1 vermelho contra nenhum dos adversários. Marcamos 8 golos e sofremos 4.

Os números têm várias leituras, nenhuma delas definitiva, mas a que me interessa mais é a comparação com os números do FCP, o nosso concorrente nacional. Assim eles fizeram as mesmas 101 faltas contra 93 dos adversários, fizeram 96 remates, 44 (46%) dos quais enquadrados com a baliza, tiveram em média 52% de posse de bola, tiveram 42 cantos a favor e 29 contra, foram apanhados 3 vezes em fora de jogo contra 32 dos adversários, receberam 19 cartões amarelos contra 17 dos adversários, e 1 vermelho contra 2 dos adversários. Marcaram 7 golos e sofreram outros 7.

Há alguns números que merecem reflexão porque se cruzam com o “sistema” que está implantado em Portugal, para os favorecer em termos de campeonato, com base no que já várias vezes referi, “manual” de erros de arbitragem. Repare-se que apesar do estatuto de 1º cabeça de série, ou seja, jogando contra 3 equipas de menor valia estatística, o FCP teve mais cartões amarelos, os mesmos cartões vermelhos, fizeram o mesmo número de faltas, marcaram menos golos e sofreram mais do que o Benfica, 2º cabeça de série, que jogou contra equipas estatisticamente mais difíceis!

Se compararmos com as primeiras 10 jornadas dos últimos 5 anos do campeonato nacional, estatísticas oficiais da Liga, o FCP marcou os mesmos golos do que o Benfica, 104, sofreu 30 (menos 14 do que o Benfica!), tiveram 102 cartões amarelos (125 o Benfica), e entre duplos amarelos e vermelhos tiveram 3 expulsões contra 6 do Benfica! 

Há pois uma clara diferença de certas variáveis de jogo entre a Champions e a Liga Portuguesa, as quais dependem – não só mas também – dos critérios de arbitragem! Dizer-se que o Benfica não ganha tantos campeonatos porque é uma equipa indisciplinada ou sofre golos que não devia, como se vê é desmentido nas provas da UEFA. 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O pós jogo.

Portugal, 19 de Dezembro de 2011

No futebol há uma “lei” que diz que não há 2 jogos iguais. Os jogos com o Marítimo provaram isso mesmo, pois perdemos um para a Taça de Portugal, e ganhamos outro para o Campeonato.

Estas “leis” básicas de futebol, tal como outras “leis” apriorísticas no mundo do futebol, nem sempre são consideradas por quem tem responsabilidades de fazer opinião. Vem isto a propósito do Pós-Jogo, programa que é transmitido na Benfica TV, onde um conjunto variável de 3 convidados dá as suas opiniões sobre o jogo que terminou. Neste caso, foi o Marítimo - Benfica. Também é aberto à participação de espectadores através de uma linha telefónica, que quando tento, está sempre ocupada.

Ora depois do jogo, de um conjunto de 6 telespectadores, 4 optaram por sublinhar com mais ou menos intensidade, o jogo menos conseguido do Benfica, o defesa esquerdo que os preocupa e a entrada tardia do Nolito. Todos manifestaram claramente preocupações com o “mau” jogo do Benfica e com a falta de qualidade de Emerson. 2 dos quatro reforçaram que o Nolito tinha entrado tarde.

Confesso que fiquei algo estupefacto porque supunha que devíamos estar contentes por termos ganho num campo difícil (4º classificado). Mas ainda pior, foi ter percebido que a velha glória José Augusto também ajudava à “festa”... De facto após uma intervenção em que também manifestou alguma preocupação pelo jogo menos conseguido (?!?!) do Benfica, numa segunda intervenção acabou por dizer que é “adepto do Benfica jogar com 2 extremos colados à linha”.

“Destrocando” isto, temos que (1) José Augusto é adepto do 4-4-2 que nos anos 60 permitiu ao Benfica dar “cartas”, cá e lá fora, (2) não surpreende que ao longo dos anos vários treinadores do Benfica tenham adoptado este modelo, sem ganhar títulos (Koeman e Quique com 4-4-2 clássico, F. Santos com 4-4-2 em losango), percebendo-se agora que a opção é ditada pelas opiniões de ex-glórias e outros ex-dirigentes do Benfica, (3) José Augusto, bem como outras velhas glórias e outros ex-dirigentes pararam no tempo e não percebem as dinâmicas actuais de jogo (o Real Madrid joga em 4-2-3-1, o Barca em 4-3-3 versão Guardiola) que inutilizam com facilidade os modelos 4-4-2, (4) após a Benfica SAD se ter endividado em 160 milhões de euros apenas para o futebol, José Augusto tem o desplante de sugerir que a equipa não está a jogar “bem”.

Este é o Benfica de que não nos conseguimos livrar, por mais estádios que se construam, mais profissionalismo que a estrutura directiva promova, por mais saltos que se dêem a pensar no futuro, porque o problema é de mentalidade, é de cultura desportiva. Ou de falta dela.

Quando se ganha, joga-se sempre “bem”. Porque o objectivo primeiro do jogo é ganhar e somar 3 pontos! O segundo objectivo poderá ser a nota artística, mas nunca o factor essencial de um jogo. Não perceber isto é não perceber porque razão o Dortmund tem quase 70 mil espectadores por jogo em sua casa. E quando o próprio José Augusto não percebe, ele que foi dos melhores jogadores do seu tempo, então estamos muito mal!

Bom, no dia seguinte o Sr.º António Tadeia, comentador da RTP (jornalista no JOGO e adepto do SCP), disse que o Nolito tardou a entrar no jogo, e fiquei a perceber porque razão 4 dos 6 adeptos também acharam isso. Até porque Tadeia comenta na TSF por vezes (não sei se foi o caso, mas como eles pensam todos por igual ...). A influência da comunicação social uma vez mais evidente, porque não lembraram que no jogo anterior da Taça, Nolito foi titular e o Benfica perdeu ...

Concluindo, o Marítimo com uma equipa “remendada” devido aos 3 jogadores do meio campo que habilmente o árbitro Jorge Sousa “eliminou” do jogo com o FCP (José Augusto esta parte parece não ter percebido), acabou por resistir 80 mn em casa do FCP, mesmo a jogar com 10 desde os 42 mn. Apenas menos 5 mn do que no jogo com o Benfica. Que dizem ter jogado “mal”...

Ah, e o RECORD fez hoje uma noticia sobre o jogo difícil que o SCP tem para a Taça ... com o Marítimo!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Uma Taça de Desilusões I

Portugal, 5 de Dezembro de 2011

A eliminação da Taça de Portugal volta a colocar na ordem do dia o debate sobre o verdadeiro objectivo da SAD do Benfica, que parece estar (ou é “obrigada” a estar) mais voltada para a vertente económica do que para a vertente futebolística.

Em 11 participações na Taça, deste “projecto” desportivo de Vilarinho/Vieira, falhamos a final por 9 vezes (!) o que é um registo pobre para a equipa com maior número de vitórias nesta competição. O registo de eliminações apresenta algumas curiosidades. Assim, fomos eliminados 2 vezes por FCP, Guimarães e Marítimo, 1 vez por SCP e Leixões (nas grandes penalidades) e 1 vez pelo Gondomar da 2ª B. Das 8 eliminações na prova a um só jogo, cedemos 2 vezes (FCP e Marítimo) depois de jogarmos primeiro em casa. O Guimarães neste período foi a única equipa a eliminar-nos 2 vezes em nossa casa. E foi em nossa casa que sofremos a maior humilhação da nossa história na prova, ao sermos eliminados pelo Gondomar da 2ª divisão B.

Na questão casa e fora, nestas 8 eliminações jogamos 6 vezes em casa, o que diz bem do que significa o actual Inferno da Luz para os nossos adversários: zero! Mas bom, temos um estádio novo (por pagar), cadeirinhas estofadas (para outros incendiarem), lojas de comida em todos os pisos, cobertura em todo o estádio (ao contrário dos “pobres” do Barcelona que só tem cobertura em menos de num terço do mesmo), etc. E todos nos elogiam ...

Para o Sr.º Vieira está tudo bem, “temos outras provas para ganhar”. Ou seja, a Liga dos Campeões, o Campeonato e a Taça que ninguém Liga, e por isso mesmo os árbitros parecem ter autorização para, de vez em quando, errar a nosso favor de forma grosseira.

Convenhamos que o Sr.º Vieira e a equipa que lhes escreve os discursos, sabem contornar o desânimo dos adeptos, de cada vez que perdemos uma competição. Porque há que alimentar a ilusão, a chama, o apego à equipa, pois há bilhetes e muito merchindising para vender, a Sporttv factura menos quando andamos cabisbaixos, etc, etc. E se não vendermos, o Benfica fica nas mãos dos Bancos a quem devemos mais de 240 milhões de euros de empréstimos.

É este o Benfica da refundação que falava há dias, o Dr.º Domingos Soares de Oliveira (que não mente pouco) em entrevista ao jornal do Benfica.

Sem querer ser mauzinho, o Benfica perdeu este jogo porque foi buscar um guarda-redes para agradar à comunicação social e a todos os que dentro do Benfica, acharam um erro tremendo gastar 8 milhões no Roberto quando tinham ali 60% do português Eduardo por 4 milhões. Se a estupidez futebolística fosse música, o Benfica tinha a melhor orquestra do campeonato, por larga margem!

Eduardo estava condenado a ser um fracasso no clube do seu coração. Porque a pressão de ganhar é superior à de Braga e Génova, e porque trazia de Itália (onde há maior cultura defensiva) uma média de golos sofridos de 1,4 golos por jogo! Roberto sofreu 0,92 e foi o que se sabe. Mas no Benfica ninguém pensa, porque quem paga os prejuízos é o dinheiro dos sócios ...

Claro que podíamos falar de arbitragens. Apesar de termos sido prendados com 1 penalty duvidoso (só pela televisão, porque no campo qualquer um marcava), voltamos a ser penalizados em 2 foras de jogo inexistentes (mn 31 e 59) e o adversário voltou a beneficiar do critério disciplinar “largo” aos mn 22 e 29, não levando 2 cartões amarelos! O truque de sempre que ajuda a aumentar os níveis de confiança do adversário. Quem ainda não sabe porque razão os nossos adversários metem mais o pé contra o Benfica do que contra o SCP e o FCP, depois de se gastarem 160 milhões de empréstimos bancários nas contratações de 10 épocas, ou é burro ou continua a brincar com o dinheiro dos sócios ....

Se estendermos a análise das questões de arbitragem às outras 9 eliminações, iríamos concluir que em pelo menos 5 (!) houve erros de arbitragem com influência directa no resultado: FCP (Carlos Xistra, 2ª mão, 2010/2011), Guimarães (Elmano Santos, 2009/2010), Leixões (Olegário Benquerença, 2008/2009), SCP (Jorge Sousa, 2007/2008) e novamente Guimarães (Jorge Sousa, 2005/2006)...

sábado, 26 de novembro de 2011

O derby da caixa

Portugal, 26 de Novembro de 2011

Vai começar dentro de minutos o jogo Benfica - SCP, que após alguns anos de interregno, ficou marcado pela polémica criada em conjunto por certos sectores da comunicação social e por ex e dirigentes do SCP, relativamente à implementação de uma caixa de segurança para adeptos dos dois lados.

Um jornal avançou há cerca de 15 dias com a ideia que o Benfica ia montar uma “jaula” para os adeptos do SCP, e a partir daí sucederam-se as atitudes tacanhas da envolvente sportinguista. A comunicação social, que nos últimos anos parece caminhar para uma tez esverdeada em Lisboa, não se limitou a escutar as opiniões dos actuais dirigentes do SCP, como foi escutar as opiniões de ex dirigentes, como Miguel Salema (BOLA) e Dias da Cunha (CM).

Estrategicamente, esta comunicação social deixou a PSP para o fim e aí percebeu-se que, uma vez mais, a “montanha” sportinguista tinha parido um rato: a caixa está prevista na lei e a PSP aprova-a. Qual o drama então?
Ficaremos sem saber que outras razões teve o SCP para faltar ao almoço de Direcções, mas aposto que quando visitarmos Alvalade, lá teremos a caixa de segurança do SCP para os adeptos do Benfica. Adiante.

Sobre o jogo, muita análise foi feita, muita conjectura se plasmou em comentários e opiniões, escritas e faladas. Creio haver espaço para mais uma.

Da parte do Benfica, penso, ao contrário do que muitos disseram, que o jogo a meio da semana com o Manchester, teve mais pontos positivos do que negativos. Porque manteve a equipa em competição a alto nível, beneficiando de acréscimo de ritmo competitivo, e porque o bom resultado – histórico – de lá trazido, funciona como injecção de moral e motivação para os jogadores que jogaram, e os que não alinharam mas sentem que fazem parte de um grupo forte, em que não é fácil entrar. Pena a lesão de Luisão, mas Jardel ou Miguel Vítor darão conta do recado. Já o SCP não pode dizer o mesmo, e o facto de ter tido uma semana para preparar este jogo do ponto de vista físico não creio que lhe traga muitas vantagens, porque o Benfica teve 4 dias para descansar o que é superior ao mínimo que se considera adequado para a recuperação muscular (72 horas).

Sobre o SCP, penso que o facto de ter bastantes jogadores jovens, em idade e no clube, poderá ser negativo quanto à capacidade para reagirem a um ambiente adverso e em clima de grande rivalidade. Neste aspecto o Benfica tem vantagem, porque tem menos jogadores nessas condições. E os que temos já passaram pelo campo do FCP, pelo que já adquiriam alguma experiência.

Relativamente às consequências do jogo, parece-me que o SCP tem mais a perder do que o Benfica, pelo que deverá entrar mais pressionado. Embora durante toda esta semana, a comunicação social tenha dado uma ideia diferente, como que se o jogo fosse decisivo apenas para o Benfica ...
É evidente que ninguém quer perder e que uma vitória será sempre positiva para a equipa que a alcançar, e para os seus jogadores. Mas numa perspectiva puramente matemática, o Benfica se ganhar deixa o SCP a 4 pontos e com um calendário final nesta 1ª volta, de dificuldade superior ao nosso. Se acontecer o contrário, ficamos a 2 pontos do SCP e eventualmente 3 do FCP. Que também tem um calendário um pouco mais difícil que o nosso. Digamos que um eventual mau resultado terá consequências mais negativas para o SCP do que para o Benfica.

Quanto ao jogo em si, que neste momento que concluo este texto já decorre, ainda com 0-0, para mim há ainda o interesse de saber como reage o SCP ao defrontar o adversário mais difícil da época, fora de casa (a Lázio jogou em casa do SCP), assim como tenho interesse em saber se o nosso Benfica, neste 2º jogo mais difícil da época em nossa casa, conseguirá fazer melhor do que com o Manchester e Basileia. O árbitro é português, adepto do FCP (apesar de lisboeta), e isso também acrescenta algumas nuances ao jogo. Que ganhe o Benfica.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Champions e o jogo de Manchester

Portugal, 16 de Novembro de 2011

Após o empate com o Basileia voltaram as carpideiras do costume, manifestando-se por tudo quanto era sitio, fosse na Internet (os adeptos), fosse na comunicação social (os jornalistas, analistas e notáveis do clube). Li um desabafo num blogue, de alguém que esteve lá e chorou (!?) por não termos conseguido ganhar e apurarmo-nos para a fase seguinte, logo seguido de um apelo à coragem que “vamos conseguir”. Noutros lados li sobre as dúvidas e incertezas que se instalaram nas cabeças e corações dos adeptos e percebi que 10 anos depois, apesar do tal projecto empresarial “ganhador”, tudo continua igual na descrença e tudo continua igual na falta de fair-play de sócios e adeptos.

Posso parecer um benfiquista “anormal” porque não sinto o Benfica da maneira que a maioria sente, mas isso não quer dizer que não me importe ou que não queira ganhar mais. Este tipo de sentimento nada tem que ver com a minha antipatia pelos actuais “donos” do clube e SAD, porque já era assim antes. Lembro-me de ir a Espanha no dia seguinte aos 7-0 (não podemos esquecer) de Vigo e levar um boné do Benfica pendurado no lado de dentro do vidro do carro. Tal como nos dias seguintes, pois não o tirei. Podemos escorregar, mas nunca caímos. É assim que penso, mesmo que durma mal após cada resultado menos bom.

O caso do empate com o Basileia nem é nada disso, pois é um resultado positivo. Por resultado positivo entendo todo o que contribui para a obtenção do objectivo final, que neste caso, é passar à fase seguinte. Ora se empatamos, tiramos 2 pontos ao nosso concorrente directo e ficamos com vantagem no goal-average. Podia ter sido melhor? Claro que sim, mas o Manchester não terá pensado o mesmo quando empataram 3-3?

No futebol há que saber ganhar, saber perder e saber empatar. Nós no Benfica, queremos ganhar sempre e parece que não percebemos que às vezes isso pode não acontecer, porque os outros também estão ali para jogar. O Basileia tem menos “nome” que o Benfica? Sem sombra de dúvida. Mas não são os nomes que ganham jogos, mas sim as equipas. E o Basileia terá seguramente um bom orçamento, ou não viesse de um país desenvolvido. Ora com bons orçamentos contratam-se bons jogadores, e com bons jogadores é mais fácil ganhar jogos.

Virando o disco para a estatística, com base nos dados da UEFA podemos avaliar a carreira do Benfica nesta Champions de forma mais cerebral, tentando prever os próximos jogos. Assim estamos com uma média de 47% de posse de bola (só em 1 dos 4 jogos, temos mais que o adversário), fazemos 16 faltas e sofremos 11 faltas por jogo, rematamos 12 vezes por jogo (5,5 enquadrados com a baliza), permitimos 8 remates dos adversários por jogo (3 enquadrados com a baliza), obtemos 7,5 cantos e concedemos 3 por jogo, somos apanhados em fora de jogo 2 vezes por jogo contra 5 do adversário. Na disciplina temos 10 cartões amarelos, tantos como os adversários, e 1 vermelho contra 0 dos adversários.

Os números valem o que valem, mas o jogo que tivemos menos posse de bola (39%), em casa com Manchester, foi o que rematamos mais (14). No jogo que fizemos menos remates (7), ganhamos 2-0 ao Basileia, que também foi o jogo em que concedemos mais remates ao adversário (13) e o que fizemos mais faltas (19). No jogo com mais posse de bola (61%), no Otelul, fizemos 13 remates e 14 faltas. O pior desempenho no capítulo dos remates foi em casa com o Basileia, sendo que dos 13 remates, apenas 3 foram enquadrados com a baliza.

Posso salientar que o Basileia em Manchester rematou 13 vezes, tantas como o MU, sendo que 5 remates foram enquadrados com a baliza, contra 7 do MU. A posse de bola e os cantos foram iguais para cada equipa! Nada mau para os suíços.

Dito isto, que Benfica se pode esperar em Manchester? Desde logo um Benfica vencedor, acreditando no potencial da equipa e na sua capacidade de inventar jogo perante circunstâncias adversas que podemos estimar com base nos dados do Manchester. Assim prevejo um MU com muita posse de bola, entre 58% e 63%, com poucas faltas cometidas, entre 8 e 11, obrigando-nos a fazer mais faltas que eles (o que tem sido hábito), entre as 14 e as 18, com muitos remates à baliza, entre 11 e 15 (nós deveremos obter entre 7 e 10), sendo enquadrados com a baliza 5 a 8 (nós 3 a 6), entre 3 a 5 cantos contra nós, 1 a 4 a nosso favor.

Uma vitória em Manchester significa o 1º lugar e o coroar da melhor Champions que já fizemos no actual modelo de prova. Assim o espero.