segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Passarinhos e passarões...



Portugal 14 de Dezembro de 2015

À partida para Astana, onde o Benfica selou o apuramento para os oitavos de final da Champions, às perguntas dos jornalistas, e a propósito dos incidentes de arbitragem no dérbi para a Taça, Rui Costa afirmou que não somos passarinhos (nem hipócritas). Rui Costa tentou dizer algo que passasse para os benfiquistas a ideia que no Benfica não somos ingénuos, que estamos a ver como os árbitros fabricam alguns resultados que nos são desfavoráveis, que estamos atentos à pressão que o SCP tem feito sobre os árbitros.
Nem de propósito, jogo em Braga, outra vez Hugo Miguel, mais um penalty claro por assinalar sobre Pizzi e mais uma expulsão perdoada por agressão sobre Renato Sanches. Que mudou depois do jogo com o SCP para a Taça? Nada. Rui Costa, um passarinho...
Veio o jogo da Académica e antes do árbitro assinalar duas grandes penalidades a favor do Benfica, existiu outra sobre Gaitán, que não foi assinalada. Gaitán desde o jogo com o SCP para a Supertaça, é o preferido dos adversários... ainda não ganhou qualquer penalty apesar de ter sido diversas vezes derrubado de forma ilegal. Como nós, passarinhos, não falamos nem antes nem depois dos jogos, os adversários continuam a carregar em cima dos nossos melhores jogadores...
O SCP venceu o Belenenses com 1 penalty aos 92 mn, cometido por Tonel, referiu a comunicação social. Se o lance acontecesse com o Benfica, nas mesmas condições, era marcada falta atacante e os passarões da comunicação social iriam referir que “bom de facto há um contacto, se é suficiente para desequilibrar ou não o Tonel só o árbitro – que estava bem colocado – pode ajuizar melhor, dê-se o benefício da dúvida ao árbitro, não é fácil arbitrar, eles não têm as condições que nós temos aqui na cabina, etc.”. E os passarinhos do Benfica iriam lamentar a perda de pontos nesse jogo fácil, culpa do treinador que “não soube mexer na equipa” (outro truque dos passarões...).
(Se acham que estou a exagerar na ironia, vão ver o que disseram e escreveram quando Aimar foi pontapeado dentro da área da Académica e Hugo Miguel – esse mesmo, de Braga – ainda assinalou falta atacante. Perdemos 2 dos 5 pontos que tivemos de avanço sobre o FCP, e depois a culpa foi do Jesus).
Os passarões do SCP andam desde o inicio da época a pressionar a arbitragem, por via indirecta, utilizando o Benfica como arma de arremesso. Seja por isso ou por algo que me escapa, o SCP tem sido beneficiado com uma enorme série de erros de arbitragem que têm valido boa parte dos pontos de avanço que desfruta nesta altura. O mais inacreditável foi o penalty contra o Estoril obtido na sequência de um fora de jogo de quase 2 metros, que estranhamente o árbitro assistente deixou passar. E o SCP ganhou 1-0. Terá sido culpa dos vouchers e livro do Eusébio que Vieira manda oferecer aos árbitros, após jogos em casa, mesmo nos que somos “roubados”. Como aquele contra o Moreirense, onde o adversário empatou 2-2 aos 81 mn com um golo, quase os mesmos 2 metros em fora de jogo (por sorte, Jonas ainda conseguiu repor a verdade do jogo, mas nem sempre isso tem sido possível)...
Agora foi o FCP a beneficiar na Madeira de 2 penaltys não assinalados contra. A regra do andebol voltou a valer para os defesas do FCP (tal como na época em que perdemos o título por 1 pontos e isso aconteceu em pelo menos 2 jogos do FCP, ambos com situações de empate). Se considerarmos que o árbitro foi o mesmo que recentemente no dérbi não viu Samaris ser agredido por cotovelada de Slimani com 0-1 a nosso favor, se considerarmos que é o mesmo que num (curiosamente) Benfica – Nacional, há 4/5 épocas, inventou 1 penalty para o Nacional “entrar” no jogo (não valeu de muito pois acabamos por ganhar 4-1), tenho de manifestar a minha estupefacção quando ouço o Pedro Guerra (esse todo) dizer que se trata do “melhor árbitro nacional mas que não esteve bem no dérbi com o SCP”. É só passarinhos pelas bandas da Luz...
Podia ainda falar do penalty que (finalmente) marcaram contra o SCP e a favor do Moreirense (a ganhar 3-0 é mais fácil assinalar) e que é igual ao que, com 0-0, Ruiz cometeu sobre Luisão no fatídico Benfica 0 – SCP 3, mas não vale a pena. Os passarinhos do Benfica não iriam perceber as semelhanças nem o porquê do SCP marcar 3 golos na Luz para o campeonato, quando o mesmo Jesus com o tal super plantel nunca ter conseguido ganhar 3-0 em Alvalade para o campeonato.
O passarão, esse manda ou dá instruções para que não se fale de arbitragens... Há 14 anos...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Objectivo alcançado



Portugal 10 de Dezembro de 2015
Ao contrário de muita gente, a mim parece-me de destacar que foi alcançado um objectivo da época desportivo, ao classificarmo-nos para os oitavos de final da Champions. A segunda vez nas últimas 6 épocas.
Mais do que explicar a derrota, importa destacar esta pequena “conquista” que vale prestígio e alguns milhões. Até porque uma das críticas que sempre se fizeram a Jesus foi de que não “apostava” o suficiente na Champions, prejudicando a imagem do Benfica.
Não foi nada disso que se passou com Jesus obviamente, e se dúvidas houvesse anteontem ficaram dissipadas: nós não temos mentalidade competitiva de Champions. Podemos ter muita alma, podemos ter adeptos que finalmente perceberam que se tem mais a ganhar, apoiando do que criticando, podemos ter uma entrega sem limites ao jogo, mas falta-nos saber pensar em função das dificuldades desta prova. E saber pensar envolve todos, e não apenas o treinador.
A questão amplamente destacada antes do jogo de que bastava um empate para ficarmos em 1º lugar, foi “vendida” por muita gente afecta ao Benfica (dos outros não falo, por razões óbvias), uns pela acção, outros pela omissão, mas quase todos esquecendo de referir que ao FCP também bastava um empate com o Dínamo de Kiev e afinal perdeu o jogo e a passagem aos oitavos de final, sendo eles recordistas nacionais em número de presenças.
Também podia falar do Galatasaray, a quem um empate bastava para passar á Liga Europa, mas que estiveram a perder com um adversário que não tinha marcado golos fora de casa. Do Lokomotiv de Moscovo precisava de um empate com o SCP para assegurar o 1º lugar do grupo, e perdeu o jogo. Ou até do Olimpiakos de Marcos Silva a quem um ponto bastava para seguir em frente, e perderam 0-3 em casa. E outros exemplos se podiam dar, que confirmam que não é vantagem precisar de um empate caseiro para atingir um objectivo importante.
Em vários países e vários clubes, a ideia de “só falta um empate” leva ao facilitismo que provoca maus resultados, muito possivelmente porque os jogos passam a ser mal preparados do ponto de vista da componente mental.
Depois noutro plano temos a valia do adversário. O Atlético de Madrid, 2º classificado da Liga Espanhola, não é uma equipa do nosso “campeonato”. Por mais que não queiram admitir, o Benfica não tem sido preparado para aumentar o seu nível competitivo internacionalmente. Não vou cruzar esta opinião com as críticas que repetidamente tenho feito às opções de Vieira e da Direcção. Isso fica para outros textos. Mas que a equipa do Benfica foi enfraquecida de há duas épocas para cá, isso não merece qualquer contestação. E que foi ligeiramente compensada esta época, também não oferece dúvidas. Mas continuamos longe dos patamares superiores da competição apesar dos milhões gastos....
Por último, o grupo onde estivemos inseridos. Tratou-se de um grupo acessível, com 2 adversários com valia desportiva perfeitamente encaixada no pote de onde vieram: Galatasaray e Astana, potes 3 e 4. Ao contrário da época passada onde o Astana era o Mónaco e o Galatasaray era o Bayer Leverkusen. Fizemos o que tinha de ser feito, 4 pontos com o Astana e 3 pontos com o Galatasaray. No confronto com o Atlético vencemos fora de portas, o que marcará o desempenho nesta edição da prova, já que o Atlético não perdia em casa há cerca de 4 anos.
Depois de falhar a Supertaça e Taça de Portugal, com decisivos empurrões de erros de arbitragem, o Benfica conseguiu alcançar o primeiro objectivo da época. É pouco, mas dado que nem Vieira, nem a Direcção, nem a “estrutura” sabem para mais, acho que foi muito bom. Daqui em diante é só “lucro”.
PS: podia falar de aspectos técnicos do jogo, mas reparei que o 1º golo aconteceu porque o defesa lateral estava em posição ofensiva (como os adeptos gostam), o que permitiu a diagonal que levou ao cruzamento atrasado que deu golo, e tudo na sequência de uma perda de bola, podia falar que o 2º golo é um “chouriço” que acontece poucas vezes na vida, podia falar que a táctica da 1ª parte foi prejudicada pela pouca intensidade colocada no jogo, enfim, podia falar da nossa forma de vermos o futebol, porque no fundo vi um Benfica a jogar à Benfica... E quando assim é, não há muito mais a dizer...




segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Estrutura 0 - Jesus 3



Portugal 23 de Novembro de 2015



Mais uma derrota com o SCP, esta obtida no prolongamento e em condições quase dramáticas, dadas as incidências do jogo até final. Mais uma competição que se vai perante o silêncio de Vieira, o tal “faz que é presidente do Benfica” e que lê bem os discursos que lhe escrevem na inauguração ou reinauguração de cada Casa do Benfica.

O título deste texto pode sugerir uma abordagem a esta derrota distinta da que de facto vou começar por fazer.

As minhas reflexões e pensamentos vão em primeiro lugar para Luisão e Samaris, ambos vitimas das incidências do jogo e das manobras do árbitro do costume, Jorge Sousa, o tal árbitro que – repito – derrotou Jorge Jesus na final da Taça perdida para o Guimarães de Rui Vitória. Na altura, os ingénuos ou ingratos preferiram colocar a tónica em JJ, mas 3 anos depois cá está a evidência: Rui Vitória já perdeu duas competições para o adversário, neste caso treinado por Jorge Jesus. Nada acontece por acaso. Deixem-me ser petulante porque vou recordar o que escrevi aqui no blogue em Maio de 2013: “(na derrota com Guimarães, final da Taça de Portugal) Não perceber como o árbitro pode arruinar ou condicionar a nossa equipa, é continuar a não perceber a estatística e porque os resultados se repetem. Assim, repetindo o critério que já tinha tido contra o Koeman, permitiu um critério disciplinar largo aos jogadores do Guimarães, e curto aos jogadores do Benfica. Ao intervalo o miolo do nosso meio campo estava condicionado, enquanto os jogadores do Guimarães, jogavam à vontade, sem medos”. Texto “Anormalidades da Taça”, publicado em 28 de Maio de 2013.

Na sequência de tudo isto e sempre perante o silêncio da pseudo-Direcção, da pseudo-estrutura, esta è a 4ª eliminação do Benfica na Taça, arbitrado por Jorge Sousa! Koeman, Chalana, Jesus e Vitória foram as 4 vítimas!

E feita esta recordação tenho de recuar ao pensamento em Luisão, que partiu um braço na sequência de um penalty que o árbitro não quis ver, aos 118 mn de jogo, e tenho de pensar no Samaris que aos 45 mn levou uma cabeçada de Slimani, ao lado de Pizzi que jogava a bola, e que o árbitro também não quis ver. Estava 0-1 a favor do Benfica, e percebe-se que o resultado do jogo poderia ser diferente do que acabou por ser, passando o SCP a jogar com 10 contra 11 jogadores moralizados do Benfica. Até porque Slimani está no lance do 1º golo, naquela bola estranha que disputou com Luisão.

E assim não posso ter palavras para desancar nenhum dos que estiveram dentro das 4 linhas, pois deram o que sabem e o que podem, e isso poderia ter chegado para eliminar o SCP.

É muito mau ter um braço partido sem que o árbitro marque penalty, é mau ter um jogador expulso com 2 amarelos em 3 mn, ele que foi agredido de forma brutal no ângulo de visão do árbitro, assim como é muito mau ter uma “estrutura” que só aparece nas vitórias e nas derrotas deixa sempre que a comunicação social faça o trabalho do costume, que é branquear a derrota do Benfica com hinos ao Slimani (ele que deveria ter sido expulso), ou com dissertações sobre se Vitória tem o lugar a prazo ou não. Não me recordo de terem feito nada disso quando o SCP perdeu com o CSKA, ou quando perdeu com o Skanderbeu!

E como temos uma muito má “estrutura” (como sempre defendi) desculpem mas não consigo chegar às tretas do “não jogamos nada”, “Marco Silva é que devia ter sido contratado e não Rui Vitória”, “o plantel é mais fraco do que na época passada” (conclusão que aliás é incorrecta), “precisamos de reforços”, etc., porque isso é continuar no mesmo sitio onde estamos vai para 20 anos: acreditar que é possível ganhar contra os erros dos árbitros!

Porque não é, e os 3 jogos contra o SCP esta época, demonstram isso com nitidez e com os mesmos erros dos mesmos árbitros que têm acontecido nestes últimos anos: Jorge Sousa, duas vezes, Carlos Xistra uma vez.

As derrotas do Benfica começam e acabam em Vieira. Não há mais almofadas possíveis de colocar entre ele e 14 anos de insucessos que custaram 280 milhões de divida financeira, e apenas foram quebrados durante 6 anos pelo melhor treinador que passou no Benfica nos últimos 30 anos, mas que foi rejeitado porque íamos alterar o paradigma do plantel para 20+5, 20 jogadores e 5 da formação.

Tudo mentiras, tudo expedientes para implementar uma estratégia inconfessável, que é menorizar o Benfica face aos rivais.

Mesmo que Jesus fosse para o estrangeiro, mudar de treinador quando a equipa jogava com a qualidade que jogava, qualquer que fosse a escolha do novo treinador, seria sempre um começar de novo. E um começar de novo, com novos métodos e tácticas do novo treinador mas com a arbitragem dos truques e manigâncias, acarretaria sempre um risco grande que poderia não garantir um final feliz. E é o que se está a ver.

Nisto tudo o que mais lamento é o silêncio arrepiante da Direcção perante a fractura de um braço de um dos jogadores com mais jogos na história do Benfica, ou da expulsão injusta de outro jogador que antes disso foi agredido. É esse silêncio conivente com os poderes do futebol, que mais me arrepia. Pelo cinismo...

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Um derbi lix(istr)ado...



Portugal 30 de Outubro de 2015

Perdemos o derby por um resultado bastante pesado, tendo em conta o que estávamos habituados com o anterior treinador. A última derrota caseira por 3-0 aconteceu com a Académica, era Camacho o treinador e antes disso, e que me lembre nos anos mais próximos, tínhamos perdido com o Boavista 3-0 com Souness (estive no estádio a ver o jogo).
Por uma questão de racionalidade abrangente e transversal aos vários períodos de liderança do Benfica, podia falar aqui da comparação das equipas de tostões de Vale e Azevedo, com as equipas de milhões de Vieira, mas o que importa mais sublinhar é que estas derrotas desniveladas tiveram sempre um sabor amargo e doloroso.
Todas tiveram as suas próprias explicações, sem que com isso se possa dizer que podiam ser evitadas. Porque, e ao contrário do que os pensadores mais notáveis do futebol português defendem, aqueles pensadores que depois do jogo sabem tudo mas nunca treinaram uma equipa de futebol (e se o fizeram, nunca ou quase nunca foram bem sucedidos), um jogo de futebol precisa de 3 equipas, e há uma que sendo a mais pequena, pode comandar os ritmos do jogo, a favor de um lado contra o outro, pode condicionar os instantes das alterações tácticas por parte dos treinadores por interferência com decisões que originam ou impedem golos, podem marcar os instantes das substituições, etc., e tudo com base na forma como interpretam e aplicam as leis de jogo.
Nesta perspectiva, não se pode ser campeão sem arbitragens competentes, isentas, onde o erro se resuma ao limite natural da capacidade humana. E assim seja para todas as equipas. Só com erro tendencialmente nulo, podemos apreciar e avaliar o que vale uma equipa de futebol, o seu treinador, os seus jogadores.
Como se sabe, a comunicação social com a omissão (o silêncio que Vieira tanto gosta) do Benfica tem criado ou sugerido a ideia que somos beneficiados ou que andamos embrulhados com esquemas menos próprios com os árbitros, quando na realidade é o contrário que se passa. Não há inocentes nestas matérias, mas numa escala de interferência/condicionalismo dos árbitros, FCP e SCP vão uns anos à nossa frente.
Dito isto, eu resumiria o dérbi em 3 períodos distintos: 1) até ao golo do SCP, 2) entre o 1º golo do SCP e o intervalo, 3) toda a 2ª parte. São períodos com características muito próprias e como tal devem ser analisados.
No 1º período não existiu uma tendência de jogo definida, embora o Benfica tivesse mais ataques do que o SCP que já se postava com uma táctica reactiva de esperar pelo erro, mais do que o provocar.
No 2º período o domínio táctico e mental dos jogadores do SCP foi total, e a equipa do Benfica andou um pouco perdida em campo, raramente sabendo fugir à enorme pressão que 2, 3 e até 4 jogadores adversários faziam sobre o nosso homem que tinha a bola, e o espaço envolvente, impedindo assim as nossas linhas de passe.
No 3º período o Benfica tentou, o SCP defendeu (há quem lhe chame “gestão”) os 3 golos de avanço, e espreitou erros do Benfica, mais do que os provocar. Sublinho isto porque abona em favor da generosidade táctica do Benfica que continuou a procurar jogar o jogo pelo jogo, tentando marcar golos, objectivo principal de qualquer partida.
O “bom” jogo do SCP deveu-se a terem um golo de avanço, que lhes permitiu pressionar o nosso jogo, mais do que construir o seu jogo. Pressionar para procurar o erro, para depois contra atacar aproveitando o adiantamento do Benfica (a perder, ninguém coloca os jogadores na sua grande área).
Esta perspectiva do jogo parece-me pacifica e conclui assim: se Xistra assinalasse o penálti sobre Luisão, e se este fosse convertido), o panorama táctico e mental seria completamente diverso. Eram os jogadores do Benfica que teriam a folga de um golo do seu lado, eram os jogadores do SCP que tinham de ir atrás do prejuízo. Eram os jogadores do Benfica que podiam pressionar mais, eram os jogadores do SCP que tinham de construir mais (o que leva a pressionar menos, pois os jogadores ou estão num lado, ou estão no outro).
A influência do árbitro foi pois determinante. Não só nesse instante do jogo, fase inicial da partida, como pelo tempo fora. Terminou com 2 penáltis tirados ao Benfica, com a suprema habilidade de mostrar amarelo a Mitroglou por simulação (o penálti sobre Gaitan tinha sido 1 mn antes). Ora Mitroglou ficava isolado se não fosse derrubado com a anca do jogador do SCP, pelo que não se percebe porque quis simular o derrube que na realidade foi.
Poderão dizer-me que Xistra poderia ter expulsado Samaris com 0-3, pois fez duas faltas passíveis de cartão amarelo (agarrou o adversário). Mas o cenário corria-lhe de feição, o Benfica perdia 0-3 e ele sabia que tinha tirado 1 penálti ao Benfica, pelo que não valia a pena por em risco a imagem da sua arbitragem. Foi uma decisão de auto-defesa controlada. E sabe, com toda a gente, que depois disso pode entrar na lógica das compensações, para favorecer o adversário do Benfica. E foi o que aconteceu quando não expulsou Slimani por ter pontapeado Gaitan, ou quando não amarelou João Mário por ter pontapeado as “bolas” de Jimenez. Até na disciplina o SCP ficou a ganhar.
Por último, vi aí um trabalho de grande complexidade publicado no Ser Benfiquista, onde são divulgados vídeos com os supostos erros de posicionamento dos jogadores do Benfica. Os erros são definidos pela escala dos conhecimentos do autor (sempre subjectivos). O trabalho assenta contudo em dois erros de avaliação (pouco subjectivos): (1) ignora a qualidade competitiva do SCP (diferente do Estoril ou Belenenses por exemplo) e parte do princípio que os jogadores do Benfica teriam sempre de saber ultrapassar essa qualidade (a velha história da equipa que pode ganhar sempre, se for perfeita), (2) desvaloriza as implicações tácticas nas duas equipas, do 1º golo que naquele caso pendeu para o nosso adversário. É um trabalho interessante mas que nada acrescenta excepto criticar o desempenho dos nossos jogadores, os quais pelo contrário deveriam ser defendidos. Como por exemplo, invocando os erros grosseiros de arbitragem, como fazem Mourinho, FCP e SCP nas mesmas situações.