terça-feira, 5 de novembro de 2013

Subir o Olimpo ...



Portugal, 4 de Novembro de 2013

Na última jornada, conseguimos uma robusta vitória sem sofrer golos, sobre um adversário que se moralizara por ter ganho em Braga, mais uma vitoria com o selo de Jorge Jesus e Cardozo, mas para variar a comunicação social haveria de referir “um jogo que teve nota artística mínima” e “no segundo período, a qualidade do espetáculo piorou” BOLA online.
Já para o empate do FCP “foi um FC Porto sem chama, a viver essencialmente de os impulsos de alguns jogadores” mas “onde o relvado também não facilitou o trabalho da equipa de Paulo Fonseca”, BOLA online. Para a vitória do SCP reservaram “não foi fácil, nada fácil a vitória do Sporting” e “nem com mais um jogador o Sporting conseguiu ser mais tranquilo”, BOLA online.
Para o RECORD online, tivemos “uma exibição q.b. valeu ao Benfica para vencer a Académica, por 3-0”, tivemos “enorme surpresa no Restelo! Mangala acaba o jogo como protagonista, por boas e más razões” e ainda para o SCP “Três pontos importantes na luta pelo título”.
Numa interpretação livre, diria que nem BOLA nem RECORD conseguiram criticar a qualidade do jogo do FCP, apondo sempre um factor de distracção (o estado do campo, para um, o Mangala para outro). Diria que tanto BOLA como RECORD deram conta, quer da dificuldade do jogo do SCP, quer da importância dos 3 pontos conquistados. E diria também que o Benfica, por ter simplificado as dificuldades do seu jogo, devido à competência do treinador e qualidade do grupo, por ter ganho com clarividência e por margem confortável, foi o que dos 3 “grandes” o que saiu mais penalizado pelas apreciações sobre “notas artísticas” e “exibições qb”.
Esta é a matriz cultural dos “mídia” lisboetas, dominados por adeptos do SCP ou pelos que não sendo adeptos do SCP se encaixam bem na sua forma de ver e pensar o futebol. Por exemplo aqueles adeptos do Benfica que sonham com “jogos vibrantes”, “goleadas das antigas”, dos que facilmente embarcam na treta do “jogar bem”, da “nota artística”, da “pressão alta”, disto e daquilo, e quando perdemos jogando dessa maneira, dizem que Jorge Jesus devia deixar o romantismo de lado.
A idiotice pode-se apresentar sob a forma de muitos tipos de disfarces...
O que é certo é que os 3 pontos importantes para o SCP, mais importantes para eles do que para o Benfica segundo a comunicação social, permitiram recuperar 2 pontos de atraso nesta escalada difícil ao 1º lugar do campeonato. São tantas as dificuldades que a equipa do Benfica tem de ultrapassar, muitas mais do que o SCP por exemplo, que poderemos bem dizer que subir ao Olimpo é capaz de ser mais fácil, do que subir ao 1º lugar do nosso campeonato.
Ao contrário de qualquer outra equipa, o Benfica vê-se sucessivamente confrontado na comunicação social com debates sobre a táctica (o losango, o quadrado, os trincos, o 6, o 8, o meio, as alas, o 10, etc.), sobre o número de avançados, sobre a marca da pastilha elástica do treinador, sobre o defesa lateral esquerdo, sobre o número de meses que o Cardozo leva sem marcar um golo de livre directo, sobre o número de jogos que levamos a sofrer golos consecutivamente, sobre a falta de eficácia da equipa nas bolas paradas, sobre a marca de gasóleo do Benficão, sobre o excesso de confiança ou o discurso pouco mobilizador do treinador (conforme dá jeito), sobre a nota artística ou sobre a falta de brilhantismo num determinado jogo ganho, sobre o número de lesões (musculares ou traumáticas, tanto lhes dá), sobre os milhões que se gastaram em jogadores que não saem do banco, sobre o número de nacionalidades dos jogadores num determinado jogo, sobre as duas opções para cada posição, sobre o ordenado do treinador, etc, etc.
Nós no Benfica, não temos a “sorte” de, e ao contrário dos rivais, sermos presenteados com comentários da RTP, quando da vitória tangencial (golo de Tonel, de canto) de um rival contra o extinto Estrela da Amadora, “sem deslumbrar mas com a eficácia que se exige a um candidato ao título, assim como não temos a “sorte” de nos desculparem com “o estado do terreno”, como aconteceu recentemente no jogo da 1ª mão com o Olympiakos. Porque nestas alturas de mau tempo, a bola só não rola bem para o FCP. Para o Benfica isso já não é relevante...
Enquanto não se perceber a importância que este tipo de mensagem tem na moldagem do carácter do “12º jogador”, nuns casos para o bem, noutros para o mal, vamos continuar divididos sobre o valor, o respeito, o apoio que a nossa equipa, treinador e jogadores em particular, tem e merece...

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