quarta-feira, 5 de junho de 2013

A renovação

Portugal, 5 de Junho de 2013

Após vários episódios perfeitamente reveladores da falta de rumo, falta de estratégia ou o que de equivalente se lhe queira chamar, o Benfica finalmente comunicou à CMVM a renovação de contrato com Jorge Jesus. Não foi um processo simples, muito menos foi fácil de concluir em particular após a derrota nas 3 grandes provas em que estivemos empenhados até ao final.

Esta demora no processo era perfeitamente escusada, mas adivinhava-se que assim seria. Recordando o que foi sendo dito na imprensa, que como sabemos, funciona também como receptáculo de “recados” e outras mensagens com conteúdo ambíguo, que ao contrário do que pensam os seus mentores, costumam ter custos desportivos imprevistos:
Título principal “Renovação de Jesus fora dos planos”, titulo secundário “Vieira recusa abordar assunto”, RECORD on-line, quarta-feira, 31 outubro de 2012 | 06:40.
“O treinador do Benfica, Jorge Jesus, não sabe ainda qual vai ser o seu futuro no clube, uma vez que o contrato que os liga aos encarnados acaba no final da temporada” – BOLA online, 15-12-2012
Este tipo de mensagens, resultantes da habitual inépcia da Direcção em saber utilizar a comunicação como ferramenta ao serviço dos interesses do clube, conduziu os midia a debates opinativos com alguma regularidade, sobre os méritos e deméritos do treinador, ora elogiando, ora apontando lacunas e criticas, que no final da época se transformaram apenas em lacunas e criticas pelo falhanço dos objectivos que legitimamente esperávamos alcançar.
Passar o debate dos midia para os adeptos é muito fácil, uma vez que vivemos em autênticas sociedades de informação, e como tal as pessoas falam do que se fala e não do que lhes apetece falar. Porque estão condicionadas e a grande maioria dos adeptos não consegue fugir aos temas que os midia criam.
Ou seja, percebe-se com facilidade que a figura do treinador estava fragilizada nas últimas semanas devido ao acumular de inêxitos, apesar de nem todos esses inêxitos se deverem a factores de incompetência própria. E com naturalidade, o resultado final da articulação das vontades dos midia com a influência nos adeptos, tornou a renovação de Jesus muito mais difícil do que seria desejável. Com consequências para a próxima época.
Como se vê o problema da falta de estratégia do Benfica para a comunicação, tem consequências várias e acarreta sistemáticos ónus para quem tenta fazer o melhor, em competições viciadas, como bem se viu nas “performances” dos árbitros nas ultimas jornadas do campeonato, culminando na indicação de Jorge Sousa (o árbitro que nos impediu de ganhar a Taça de Portugal), como n.º 1 dos árbitros portugueses. “Feito” que já havia alcançado na época 2008/2009 quando, por mera coincidência seguramente, arbitrou 4 jogos ao Benfica e conseguiu que tivéssemos 3 derrotas, quando os demais árbitros nos restantes 26 jogos apenas tinham “conseguido” 2. O “sistema” da arbitragem é muito claro nas suas opções e não é também por acaso que Bruno Paixão, o ultimo árbitro que esteve numa derrota justa do FCP, ainda hoje não arbitra jogos desse clube, para além de ter perdido as insignias de internacional.
A renovação de Jesus veio tarde. Envolvida numa penumbra sebastianista e com declarações de princípios demagógicas por parte do mesmo Presidente que despediu Fernando Santos na 1ª jornada do 2º ano de contrato, a renovação deveria ter acontecido por avaliação global positiva dos 3 anos de contratos integralmente decorridos, bem como dos meses já vencidos neste 4º ano de contrato. Jesus, como qualquer treinador do Benfica, não deve ser avaliado pelo número de títulos conquistados, mas pelo dinheiro e prestígio gerado. E porquê? Porque o paradigma dos clubes mudou.
Hoje um bom treinador é um treinador que gera dinheiro para sustentar uma boa equipa sem perder nunca a ilusão da conquista. Se ganhar títulos tanto melhor. Mas esta não pode ser a condição necessária para definir a renovação. A independência dos Bancos deve ser conseguida à custa do dinheiro gerado pelo futebol. E não da conquista de títulos, para os quais se gastam recursos que muitas vezes não se têm, que depois custam caro na gestão das épocas seguintes. O exemplo do SCP é elucidativo: durante os últimos 3 anos buscaram uma equipa e hoje não têm dinheiro para nada.

Por ultimo quem sabe porque razão não conquistamos o titulo de campeão esta época e de vencedores da Taça, bem como porque razão fomos impedidos no ano passado de lutar pelo título, óbviamente sabe que só as percentagens de Jesus poderão, com alguma sorte (já que o Sr.º Vieira só fala de arbitragens quando estes forem profissionais, ou seja, nunca) vir a dar títulos. Porque nos últimos 27 anos foi o treinador que com consistência conseguiu obter as maiores percentagens de pontos conquistados no campeonato, condição necessária para ganhar o título.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Hóquei Histórico

Portugal, 3 de Junho de 2013

O 1º título de campeões europeus no Hóquei em Patins fez história nas modalidades de pavilhão do Benfica e ao mesmo tempo ajudou a mitigar a frustração da má época no futebol, no qual perdemos 2 títulos internos “roubados” pelos erros direccionados dos árbitros, e a Liga Europa por um golo infeliz.

Quanto ao título de campeões europeus no Hóquei, finalmente conseguimos o que já há muito merecíamos: o máximo título das competições europeias. Merecíamos porque somos o clube que, ininterruptamente, pratica a modalidade há mais tempo, merecíamos porque somos o clube português com maior palmarés na modalidade e merecíamos porque já tínhamos perdido 4 finais anteriores.

Dá-se a particularidade que este baptismo de vitórias na Euro Liga do Hóquei aconteceu precisamente onde a lógica menos apontaria no início da prova: no pavilhão do FCP e precisamente contra a equipa da casa!
O requinte da coincidência foi tal, que nem faltou o presidente do FCP, o mesmo que na antevéspera brincava na Casa do FCP da Afurada que “no FCP ganham-se os jogos no 1º ao 92º minuto” e também “não estava a ver o FCP perder um jogo no último minuto”.

Pois ontem teve de assistir na privilegiada bancada presidencial do seu pavilhão à 1ª vitória do Benfica na Champions do Hóquei, e não foi no último minuto. Foi no 4º minuto do prolongamento! Como gostei de ver aquela cara de “bola sobada” quando a bola entrou... E a “netinha” ao seu lado... que espectáculo ...

Mas como no Benfica de Vieira temos um “rumo” e “sabemos para onde vamos, logo de seguida lembrei-me de uma noticia publicada no RECORD em 22 de Maio, na qual se dava conta que: “Perdido o campeonato, são poucas as certezas do Benfica para a próxima época. Pública que é a saída do treinador Luís Sénica, a indefinição começa logo no banco, estando em cima da mesa os nomes de dois técnicos portugueses – Pedro Nunes (Paço de Arcos) e Vítor Silva (Candelária) – e um espanhol”. E também que “sendo certa a continuidade de Valter Neves, Diogo Rafael e João Rodrigues, os restantes sete jogadores aguardam por notícias, desesperando pela definição da sua situação, quando outros clubes já começaram a tratar de renovações em Fevereiro”.

Ou seja: perdido o campeonato, há que fazer uma revolução. Mais ou menos a mesma lógica do que queriam fazer no futebol, porque já se percebeu qual é o “rumo”. É não haver rumo. Adiante. 

Agora e por mero acaso do destino, mas com muito suor, inspiração e dedicação dos galhardos atletas e treinadores do hóquei benfiquista, ganhamos o que NUNCA havia sido ganho em toda a história do Benfica e a pergunta é: a revolução vai para a frente?

Ou será que quem devia sair eram precisamente os que decidiram revolucionar o Hóquei?

Vamos concluir desta maneira. O Prof.º Sénica pôs o Hóquei do Benfica no trilho do sucesso. Em 4 anos, disputou duas Final Four da Taça CERS, uma perdida, a segunda ganha, discutiu a Final Eight da Euro Liga perdendo nos quartos de final com o Valdagno, e ganhou a Euro Liga na 2ª participação. 4 participações positivas nas provas europeias.

Pelo contrário, no campeonato, apenas ganhou 1, para além de 1 Supertaça e 1 Taça de Portugal, cito de memória. Ou seja, ganhou 2 troféus internacionais e apenas ganhou 1 campeonato. Onde quero chegar?

O Benfica venceu em provas arbitradas por árbitros estrangeiros. Não é uma coincidência, é uma constatação. E ganhou mais, apesar do nível de dificuldade das provas ser superior à dificuldade do campeonato português.
O FCP conseguiu pela 2ª vez, organizar a Final Four da Champions League do Hóquei. A 1ª vez, há uns 9/10 anos terminou com agressões aos hoquistas do Barcelona, que venceram o FCP na final. Como é que apesar disso eles ganham a organização desta prova, só a Federação de Hóquei poderá explicar. Mas o que é certo é que o Benfica concorreu à organização da Final Four da 1ª Taça CERS e da actual Champions League. A 1º foi perdida para Torres Vedras, a 2ª, esta, foi para o FCP. Nada acontece por acaso...

No Hóquei como no Futebol, a Federação está ao serviço do FCP. A eventual dispensa dos serviços do Prof.º Sénica e da esmagadora maioria do plantel, apenas servirá para o Benfica (!?) branquear o controlo do FCP nesta modalidade. Porque esta revolução anunciada, não irá tornar o Benfica mais forte.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A Capela dos cretinos e dos otários



Portugal, 30 de Maio de 2013



Uma das coisas que me faz confusão, tantos dias depois da final da Taça, é não perceber porque razão fomos literalmente “bombardeados” pela comunicação social amestrada, com supostos erros de arbitragem do João Capela no jogo Benfica-SCP, e perante ao efectivos erros de Jorge Sousa, com influência directa e indirecta no resultado da final da Taça, essa mesma comunicação social amestrada, “bombardeia” o treinador do Benfica sem mostrar uma imagem, sem fazer um comentário ou uma simples reflexão sobre os vários erros de arbitragem, todos para o mesmo lado, citando Bruno de Carvalho.


Haverá também um manual de bem “informar” e intoxicar a opinião pública? Os factos indicam que sim. Vejamos.

No Benfica-SCP, o Benfica ganhou e não se seria muito inteligente por em causa as opções do treinador. Essa mensagem não passaria. Mas poderia beliscar-se a justeza e mérito da vitória, procurando atingir a moral dos adeptos do Benfica e galvanizar a moral dos adeptos rivais. Como? Encenando um roubo, criando uma ficção de escândalo que explicasse a derrotada por meios ínvios: os da arbitragem!


Assim fomos confrontados com algo de espantoso, que foi repetir e ampliar imagens e perspectivas que o árbitro em campo não tem, de forma a tornar de leitura simples – pelo abuso da repetição – o que de facto não foi, não é, nem pode ser simples. Em bom rigor, e não foram precisas repetições, só podemos falar de 1 penalty por assinalar a favor do SCP, ao mn 86, de Maxi sobre Viola. O tal penalty, que ainda assim, é bom lembrar, foi assinalado a favor do Benfica contra o Braga na época de Quique Flores e esta mesma comunicação social disse que não era. Convém lembrar os mais esquecidos que Jesus era o treinador do Braga e nessa altura foi "roubado" (disseram os mesmos da Capela)...


Para o cenário do “roubo” ser “credível”, sonegaram todas as imagens de lances em que o Benfica podia reclamar outras decisões do árbitro, como seja a cotovelada de André Martins a Enzo Peres aos 3mn 55s, a entrada por trás de Bruma sobre Gaitán (minutos antes de Matic o ter pisado involuntariamente - cartão vermelho defenderam os pseudo analistas da Sporti-FCP TV).


A manipulação e falta de vergonha raiaram o escândalo. Cretinos...


Surpreendentemente, ou talvez não, na final da Taça a Sporti-FCP TV não teve o mesmo critério. Porque não houve lances mal decididos pelo árbitro? Não! Porque o Benfica perdeu e assim têm sempre a hipótese de abordar o jogo pelo prisma do treinador. E desta forma têm um outro esquema para atingir a moral dos adeptos do Benfica e de galvanizar a moral dos adeptos rivais. Como? Branqueando os erros do árbitro que, de forma directa ou indirecta, contribuíram para o resultado, ao mesmo tempo que bombardeiam o treinador com supostos erros de decisão. 


Claro que isto é só uma suposição, imaginemos um programa em que os três lances que na 1ª parte justificavam cartão amarelo aos jogadores do Guimarães, fossem passados 1, 2, 3, N vezes, acompanhados dos comentários dos tais analistas de arbitragem, que confrontados com o abuso das repetições teriam forçosamente de admitir que ficaram cartões por mostrar. Imaginemos que mostravam também os lances em que os 2 médios do Benfica, Matic e Enzo foram admoestados, justificando pelas imagens que os amarelos foram mal mostrados. Para terminar, imaginemos que passavam várias repetições do golo claramente em fora de jogo, repetindo-o tantas vezes como o alegado penalty de Garay sobre Wolfswinkel de modo a que as pessoas percebessem claramente que um dos dois golos que derrotou o Benfica, foi ilegal.


Acho que todos compreendem que, caso tivesse sido este o critério dos cretinos dos mídia, a questão do treinador e seus eventuais erros de decisão ficava sem conteúdo. E isso não era bom para o árbitro, ex-Super Dragão, nem para o “sistema” das nomeações, pois ficavam a saber que na próxima vez o esquema seria denunciado novamente. E lá se ia a vantagem deles...


Se pararmos um pouco para pensar, chegamos à conclusão que, por incrível que pareça, é esse o critério que eles têm quando FCP e SCP não ganham! Ou não é? Por exemplo, o caso do SCP que é mais evidente. Nos últimos 4 anos tiveram 6 ou 7 treinadores. Quer dizer, despediram e voltaram a contratar. Alguém sabe porque saíram? Isto é, se perdiam porque faziam mal as substituições, porque defendiam o resultado, porque alinhavam mal os jogadores? Não, ninguém sabe! Apenas sabemos que não atingiram os resultados e foram por isso, despedidos!


Ao longo dos anos, quantas vezes FCP e SCP viram os erros dos seus treinadores serem batidos e rebatidos nos programas de televisão, por comparação com os do Benfica? Ao longo dos anos quantas vezes vimos a comunicação social criar casos “Capelas” em torno dos erros grosseiros que dão vitórias e campeonatos ao FCP (mais do que SCP, que foi campeão em 2000 com 20 penaltys, todos “indiscutíveis”), como ainda agora com o escândalo de Paços de Ferreira, onde foi oferecido 1 penalty e 1 expulsão ao FCP, para marcar 1 golo, e tirado 1 penalty ao Paços para tentar marcar 1 golo?


NENHUMA! Ou deixamos de ser otários, ou não há capela que neste pobre país, consiga albergar tanto cretino e tanto otário do nosso “futebolês” ...

terça-feira, 28 de maio de 2013

(A)normalidades da Taça



Portugal, 28 de Maio de 2013



Passada a fase da cabeça quente após derrota na final da Taça que nos é preferida, passada a confusão que a comunicação social faz aproveitando o legitimo e normal desencanto dos adeptos do Benfica, é altura de pensar nisto mais friamente. 


Saem duas notas iniciais: 1) se o Benfica vencesse a Taça de Portugal, não faltaria quem repetisse, como no passado recente com a Taça da Liga, que este Benfica não se pode limitar a ganhar uma Taça de Portugal com o plantel que tem, e 2) recordo-vos um conjunto de ideias que deixei aqui publicadas em 3 de Abril, no texto intitulado “Três”: 

Três é o número de competições em que o futebol do Benfica está envolvido e como tal, é o número de competições que podemos ganhar. “Poder ganhar” não quer dizer que “vamos ganhar”. O entusiasmo tolda o raciocínio de boa parte dos adeptos do Benfica que nestas alturas dão como adquirido o que será sempre muito custoso de alcançar. Mas não são só os adeptos e a comunicação social a desconcentrar a equipa. Os dirigentes, por razões diferentes, também dão o seu contributo.

Noticia BOLA, 29/12/2011: Luís Nazaré, presidente da Mesa da Assembleia-geral do Benfica, diz que a equipa encarnada pode aspirar a um lugar na final da presente edição da Liga dos Campeões. (ainda não tínhamos jogado os oitavos de final com o Zénit).

O Benfica pode conquistar 3 provas, como pode não conquistar nenhuma (longe vá o agoiro), tudo depende de como se conseguirem manter competitivos os níveis de concentração individual, os níveis físicos e os níveis tácticos em face da esperada gestão física. Acresce que o entorno da equipa deve ser com base no apoio responsável de adeptos e dirigentes, jogo a jogo, sem fazerem muitas contas em função dos jogos seguintes. Essas contas não são para os adeptos, são para a equipa técnica.

Três, foi também o número de provas que o Bayern de Munique treinador pelo nosso conhecido Juup Heynckes (apenas mais um que falhou no Benfica e teve algum sucesso lá fora), podia ter ganho na época passada: Campeonato, Taça da Alemanha e Champions League. Com alguns se recordarão, perdeu as três provas, sendo que duas delas foram derrotas na final.

Deve ter sido doloroso e para podemos comparar basta imaginarmos com nos sentiremos caso não consigamos ganhar nenhuma das provas que ainda estamos em prova, das quais só numa podemos dizer que estamos quase garantidos na final (Taça de Portugal). Seria sem dúvida doloroso...


Postas as coisas assim, ou seja, não deixei de considerar a hipótese de perdermos as 3 provas, apesar do meu desejo em não ser assim, a realidade é que estamos tão doridos como seguramente os adeptos do Bayern estiveram no ano passado. Eles mantiveram o treinador, nós temos de fazer um esforço para pensar racionalmente no assunto e perceber porque perdemos.


A final da Taça contra o Guimarães foi o 4º jogo arbitrado por Jorge Sousa com esta equipa. Em jogos sempre recheados de erros técnicos e disciplinares, sempre para o mesmo lado (parafraseando o presidente do SCP), perdemos 3 vezes e ganhamos 1 (Trappatoni) com um livre directo marcado por Geovanni a quase 30 metros da baliza. Dos tais lances que os árbitros nunca dão como golo.


Não perceber como o árbitro pode arruinar ou condicionar a nossa equipa, é continuar a não perceber a estatística e porque os resultados se repetem. Assim, repetindo o critério que já tinha tido contra o Koeman, permitiu um critério disciplinar largo aos jogadores do Guimarães, e curto aos jogadores do Benfica. Ao intervalo o miolo do nosso meio campo estava condicionado, enquanto os jogadores do Guimarães, jogavam à vontade, sem medos.


O condicionamento dos nossos jogadores e a mensagem de “podem dar pancada à vontade” para os jogadores do Vitória, levou a que o nosso jogo perdesse alguma qualidade e o do Guimarães aguentasse os nossos argumentos. A substituição de Cardozo, isto é, a passagem de Gaitán para o miolo e Urreta para a ala esquerda, pretendia segurar o jogo a meio campo. TAL E QUAL FAZ O FCP QUE JOGA SEMPRE COM UM AVANÇADO! A única critica que faço é que devia ter saído o Lima, porque era previsível um adiantamento dos defesas centrais do Vitória. Lima não segura ninguém, porque a sua característica é mobilidade e a de Cardozo é o posicionamento. Mas os adeptos preferem o Lima e acho que isso pesou na decisão de Jesus.


Teve azar. Não pelo seu eventual erro, mas porque levou com um golo em fora de jogo. Fora de jogo bem superior ao de Cardozo frente ao Chelsea. Fora de jogo que o FCP NUNCA LEVA e não é por acaso. E como um azar não vem só, a equipa desorganizou-se e levou com um golo que, novo azar, o remate tabela em Luisão e ganha um caprichoso desvio para fugir do alcance de Artur.


O Benfica perdeu mais uma Taça por erros de arbitragem mas a lógica de jumento que domina o pensamento dos mais altos representantes do Benfica na comunicação social, optou por centrar a temática em Jesus, não percebendo que dessa forma, continuam a alimentar a historia que interessa ao “sistema”: a Liga Capela. Isto é, sabemos que houve uma arbitragem Capela, não sabemos que existiu uma arbitragem Hugo Miguel ou Jorge Sousa, como antes Carlos Xistra, Pedro Proença ou Soares Dias.


Nós precisamos de facto de uma outra “estrutura”...mental! Gente que perceba o futebol como ele de facto é jogado, com as regras do FCP, e não gente que vive no passado e defende o impossível. Se não voltamos à lógica do, muda e torna a mudar de treinador.


Outra curiosidade que sai fora deste âmbito da arbitragem. Nos últimos 20 anos estivemos 6 vezes na Final da Taça, se não me falha a memória. Ganhamos 3 (Boavista, SCP e FCP) e perdemos 3 (Boavista, Setúbal e Guimarães). Dá que pensar...

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O ausente



Portugal, 27 de Maio de 2013

Esta época em branco é dedicada a todos aqueles sócios e adeptos do Benfica, pessoas ilustres da comunicação social, da política, da economia ou não ilustres, que andaram 3 anos a dizer que o Benfica não se pode limitar a ganhar Taças da Liga. A falta de humildade costuma-se pagar caro...

Mas o objectivo deste texto é estabelecer uma relação entre a falta de liderança do clube e os inêxitos do futebol como aliás de todas as modalidades colectivas em que competimos com o FCP.

Como alguns se recordam dos anteriores textos que escrevi, se pensavam que o “faz que é Presidente” do Benfica iria criticar o penalty do tropeção fora da área que deu expulsão e ajudou o FCP a ser campeão, pois teriam de esperar sentados porque ele não iria fazê-lo. Não tirei essa conclusão por detestar a personagem em questão desde os tempos que ao lado de Pinto da Costa celebrava os golos que o FCP marcava ao Benfica de Vale e Azevedo. Tirei a conclusão por mera observação de situações análogas que aconteceram no passado recente. E por estabelecer uma relação entre este “modus operandi” e o grupo empresarial que foi constituído com a marca Benfica.

De facto, durante uma semana vimos o Benfica ser vexado pela mentira e pelo Sr.º Pinto da Costa, e o “faz que é Presidente” nunca apareceu a contrariar as teses que PdC quer que passem, a seu favor e do sistema que ano após ano lhe dá os títulos: o complexo sistema de nomeações de árbitros, erros manipulados e direccionados em favor do clube dele, prémios de internacionalização para quem actua de acordo com o padrão exigido pelos poderes dominados por ele, silêncio da comunicação social aos erros grosseiros de arbitragem que favorecem o FCP, a gritaria manipulada da comunicação social com ampliações e repetições sem critério quando supostamente um árbitro fugiu ao “padrão” de actuação dos livros e o Benfica não perdeu pontos, quando eles esperavam que perdesse, etc, etc.

Assim durante uma semana ninguém soube do paradeiro do “faz que é Presidente” do Benfica, mas a amestrada comunicação social lá foi divulgando que o Presidente do Benfica estava a organizar mais um jantar com os deputados benfiquistas, e também que o Presidente do Benfica e o treinador querem uma equipa forte na próxima época para atacar a Champions com qualidade. Mais do mesmo: há que criar casos laterais para não falar das arbitragens. Para não se defender o Benfica dos ataques exteriores ao clube!

Viemos a saber no fim da semana que o “faz que é Presidente” do Benfica ia ver a final da Champions a Wembley (seguramente tudo pago pelo Benfica). E que no dia seguinte viajava para o Jamor. Brilhante. O homem está em todas. Ora é nos negócios no Brasil que o impedem de ver o fora de jogo de posição, com intervenção na jogada, que dá o golo do Estoril, ora é em Wembley a ver um jogo que eu vi pela televisão. Fantástico. 

E assim a mensagem de Pinto da Costa passou: este foi “um campeonato de seriedade”, o Benfica “é como os salários onde se vai tudo nos descontos”, “o Benfica está cada vez melhor para o FCP” e o “Guimarães merece a vitória na Taça”. O “faz que é Presidente” do Benfica deixou que isto passasse, como aliás tem feito de há 12 anos para cá (com pontuais excepções como “deixem jogar o Mantorras” e o escarcéu – com falta de nível - após o Benfica ser roubado por Benquerença contra o FCP, no ano de Trappatoni).

Com um árbitro que tem um curriculum negativo nos jogos entre Benfica e Guimarães, as afirmações de PdC deixaram-me de pé atrás, como se costuma dizer. De facto – e mais uma vez o Benfica nada disse da nomeação – este árbitro derrotou Koeman nos quartos de final da Taça, com o golo a ser construído com o braço e após ter perdoado a expulsão a Cléber durante a primeira parte (o Guimarães a seguir foi eliminado pelo Setúbal). Também derrotou Quique Flores com o golo do Guimarães a ser construído a partir de uma jogada de fora de jogo. Não derrotou Trappatoni porque depois de assinalar um penalty por “corrente de ar” sobre Romeu, Geovanni marcou 1 livre directo a 30 metros da baliza, nos descontos e ganhamos. Se não lá se tinham ido mais 2 pontos.

Já para não lembrar a miserável arbitragem da final da Taça da Liga em que ganhamos ao FCP 3-0 e os cartões foram para aos jogadores do Benfica, perdoando a expulsão a Raul Meireles por pisar Carlos Martins.

Como neste futebol tudo se repete com invariável rigor, ontem o 1º golo do Guimarães foi obtido em posição de fora de jogo, dos que o FCP nunca sofre (comparar também com golo invalidado a Cardozo frente ao Chelsea) e na 1ª parte, o critério de amarelar os jogadores do Benfica e não ter critério igual para os do Guimarães, permitiu que o Guimarães não se afundasse, ao mesmo tempo que restringiu os jogadores do Benfica que perceberam que não podiam arriscar tanto, pois o critério seria sempre diferente para eles.

No final, o crucificado voltou a ser o treinador, como antes dele foi o Koeman e o Quique Flores. Para o ano vem outro treinador, os árbitros apitam de igual forma e a culpa vai ser do mesmo. O que é preciso é manter Vieira na liderança do Benfica. O “faz que é Presidente” do Benfica mas que apenas é o representante dos interesses alheios que escravizam o Benfica, económica e desportivamente, por uma boa dezena de anos.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Jogar como nunca, roubados com sempre II



Portugal, 24 de Maio de 2013



Apesar das novidades desportivas se sucederem a um ritmo estonteante, e nas quais incluo mais uma desconcertante – mas estratégica - entrevista de Pinto da Costa à RTP, prefiro dedicar mais alguma reflexão ao campeonato do “penalty fora da área e de outras tropelias de arbitragem” que nunca beneficiam o Benfica. 


Um parêntesis para referir que não pedimos que beneficiem o Benfica. Apenas queremos que não beneficiem o clube crónico campeão. Que é o que se passa...


Voltando ao campeonato do Benfica, desde logo defendo que apesar de perdido, o campeonato não deixa de ser excepcional. Porque fizemos 85,6% de pontos ganhos. Pelos comentários do texto anterior percebo que esta minha opção não é pacífica, pois há muitos adeptos que preferem “títulos” independentemente dos pontos conquistados. Entendo que esta forma de pensar é pactuante com o “sistema”, uma vez que se o “sistema” não nos permite fazer os pontos que a nossa equipa pode fazer, e se temos uma equipa que apesar disso fez muitos mais do que outras que até foram campeãs, isso não nos deve impelir a fazer mudanças, mas sim a manter a equipa e esperar que no ano seguinte possamos repetir a boa percentagem de pontos. Fazer mudanças porque não fomos campeões, apenas pode significar que no próximo ano façamos ainda menos pontos. E com isso diminuímos as possibilidades de conquistar o título.


Recordo que Trappatoni foi campeão com 65% de pontos (menos 20% do que Jesus) e isso não podia servir para definir a estratégia futebolística do ano seguinte. Apesar da felicidade que o “título” representou, tudo aconteceu porque o FCP não aproveitou as ajudas que lhes deram, incluindo o golo invalidado ao Petit na Luz contra o FCP e os 3 penaltys tirados por Proença ao Benfica em Penafiel, onde perdemos 1-0.


Voltando aos números que irritam alguns que estacionaram no passado, dos meus registos de 1986/87 para diante, 27 épocas portanto, a pontuação do Benfica desta época, 85.6% é a 2ª maior apenas inferior aos 91% da época 91/92 que deram o título de campeão. Tivemos 1 derrota como nessa época, no que são os 2 melhores registos nestes 27 anos. 


Essa equipa dos 91% de pontos era treinada por Eriksson. No ano seguinte, (roubalheira a dobrar), apenas fez 68%! E continua a não se perceber porque razão é difícil ao Benfica ganhar um bicampeonato. É que Jesus depois de ser campeão, fez 70% e a roubalheira nas primeiras 4 jornadas marcou a época toda.


Nestas 27 épocas, vários presidentes e vários treinadores, apenas ultrapassamos a barreira dos 70% de pontos por 14 vezes, sendo 4 em 4 de Jesus. Ou seja, em 23 épocas, apenas por 10 vezes o tínhamos conseguido. Nestas 27 épocas o FCP apenas por 2 vezes não conseguiu chegar aos 70% de pontos. Elucidativo...


Por curiosidade, em 1987/88 quando fomos à final da Taça dos Campeões, apenas fizemos 67% de pontos. Também – é pá que coincidência – tínhamos sido campeões no ano anterior.


Isto permite-me falar dos que dizem que “nunca o investimento foi tão elevado e que Jesus tinha obrigação de ganhar mais”. Tretas. O investimento é relativo. Quando em 1997 o Benfica foi buscar o Paulo Nunes para o Manuel José, era apenas o jogador mais caro de sempre no futebol português! Quando o Benfica foi buscar em 2001, Simão ao Barcelona por 2,2 milhões de contos e metade do Mantorras ao Alverca por 1 milhão de contos, fora todos os outros como Zahovic, Pesaresi, Júlio César, Drulovic, etc, isso significou um brutal investimento que o consagrado Toni e depois Jesualdo, transformaram em 63% de pontos. Só gente distraída, burra ou mal intencionada, pode relacionar o investimento com os resultados.


Se quisermos continuar na senda das comparações, o Benfica apenas fez menos percentagem de pontos do que Bayern, Barcelona e Shacktar. Fizemos mais pontos do que campeões como o PSG, Juventus, ManUnit, Ajax, CSKA e até na Argentina com 14 jornadas, temos mais do que os 69% do Newell’s Boys!


Em campeonatos limpos, onde há regras de arbitragem iguais para todos, apesar dos erros que também acontecem, este Benfica ultrapassou alguns campeões, que também têm superioridade orçamental sobre muitas equipas dos seus campeonatos. Mas cujos treinadores, como Ancelotti, Ferguson, Ronald de Boer, Conte, etc, também se enganam, também perdem pontos! Mesmo assim foram campeões porque fizeram mais do que os outros!


Cá isso é impossível. Só com percentagens superiores a 90% poderemos estar “a salvo” dos erros das arbitragens, e como vimos apenas conseguimos isso por 1 vez em 27 épocas. Pelo que considerar tal hipótese na preparação da época seguinte é um embuste aos sócios e adeptos.


Resta pois a estratégia para a arbitragem, algo que condicionasse pela positiva, a porcaria que por lá existe há décadas. E aqui voltamos ao Sr.º Luís Ferreira Vieira. Alguém ouviu a reacção deste que se faz passar por Presidente do Benfica, a propósito de tantas e tantas arbitragens polémicas durante o campeonato, e até na última jornada? Não. Parece que, para branquear a vitória do Sr.º Pinto da Costa, está a encenar um jantar com deputados da Assembleia da República. Não é por acaso...

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Jogar como nunca, roubados como sempre



Portugal, 23 de Maio de 2013



3 dias depois do final do campeonato confesso que ainda tenho as ideias um pouco confusas e não percebi bem o que se passou para perdermos um campeonato por 1 simples ponto. Se noutros anos a diferença pontual existente para o crónico vencedor, ainda me provocava alguma incerteza nas minhas convicções sobre o modelo que leva o FCP a ser sempre campeão, desta vez não tenho esse álibi e apenas fico a olhar para a tabela classificativa interrogando-me “como foi possível?”.


Antes que venham os adeptos estoicistas com o choradinho habitual que as culpas do mundo ser um lugar tão mau, serem todas da nossa exclusiva responsabilidade, lembro que esta equipa do Benfica fez mais pontos que o FCP de Hulk no ano passado (esta é para alguns que querendo criticar Jesus, afirmaram que o castigo de Hulk ajudou o Benfica a ser campeão em 2010), lembro que esta equipa do Benfica fez mais pontos do que a equipa campeã em 2010, lembro que esta equipa do Benfica fez mais pontos que o FCP de Mourinho, quando em simultâneo ganhou a Taça UEFA num ano, ou a Champions no ano seguinte.


Esta equipa é a equipa do Benfica com melhores resultados nos últimos 20 anos, é a equipa que conseguiu fazer 85,6% de pontos e mesmo assim não ganhou o campeonato.


Perante tão óbvia constatação restam duas hipóteses: 1) dar os parabéns aos vencedores porque foram efectivamente melhores e conseguiram com essa qualidade fazer mais 1 ponto, 2) concluir que pelo contrário, este campeonato perdido por 1 ponto prova à saciedade que há limites para o mérito, limites colocados pela manipulação dos erros de arbitragem, manipulação que influencia o mérito de uns e de outros, aumentando ou diminuindo-o conforme a cor da camisola.


Eu sou, desde há mais de 20 anos, apologista da opção 2. Desde que o clube da minha terra jogou contra o Rio Ave, na altura na 2ª divisão e no sábado anterior, tive uma conversa com o presidente de um clube vizinho (também na 2ª divisão e treinado por Freitas, ex-jogador do FCP), na qual ele me disse friamente “o árbitro vai ser o José Silvano e já perdestes”. Como não queria acreditar nas certezas desse presidente e amigo, fui ver o jogo. E vi como se faz...


O futebol nunca mais foi o mesmo para mim e com facilidade percebi como é que a máquina portista ganha os campeonatos enquanto em Lisboa se muda de jogadores, treinadores e presidentes. Com o passar dos anos fui adicionando peças ao puzzle, peças que me foram chegando de pessoas com credibilidade no meio. Até de sócios do FCP com conhecimento da matéria.


Tudo se resume a ter o controlo de todas as variáveis da arbitragem, que ao contrário dos tempos de Mourinho, é agora total. Antigamente o FCP controlava alguns árbitros, com prendas, meninas, empréstimos, etc. Contudo esses árbitros, eram penalizados quando erravam de forma evidente, sendo prejudicados nas nomeações dos jogos seguintes. Daí o FCP de Moutinho ter sido campeão com 84% e 80% de pontos “apenas”.


Hoje o FCP domina através do Dr.º Fernando Gomes, o presidente da Arbitragem Vítor Pereira (que já estava controlado pelo FCP devido a “pecados” cometidos nos anos 90) e as comissões de acompanhamento técnico, as tais que promovem reuniões de aperfeiçoamento regular com os árbitros. Portanto os árbitros que erram de forma escandalosa, a favor do FCP ou contra o Benfica, têm uma protecção “especial” que se resume a serem poupados à critica no jogo seguinte, mas entrando nas nomeações logo a seguir, nem que seja para jogos da 2ª Liga. Não ganham os 1100 euros da 1ª liga mas ganham 800 euros da 2ª Liga e ainda continuam nas boas graças deste “sistema”. 


Assim Bruno Paixão que arbitrou a única derrota do FCP em 3 anos de campeonatos “made” Fernando Gomes, não apita jogos de FCP e SCP e perdeu as insígnias de internacional. Este Hugo Miguel não tarda a ser novamente nomeado para um jogo de algum prestígio e continuará na fila para ser promovido a internacional!


Este domínio que hoje o FCP tem nas diversas variáveis da arbitragem e que não tinha há 10 anos, tem pois a ver também com a estratégia do Benfica para a Liga e para a FPF, que através do Sr.º Vieira apoiou “inequivocamente” a candidatura de Fernando Gomes. Ora perante a evidência dos factos das duas uma: 1) ou o Benfica admitia o erro desse apoio e passava a criticar o desempenho dos árbitros e os critérios de quem os avalia, 2) ou não admitia o erro e continuava a aceitar toda a espécie de tropelias praticadas pelos árbitros com prejuízos incalculáveis na auto estima dos benfiquistas e no prestigio do clube.


Alguém viu o Sr.º Vieira comentar a arbitragem do Paços – FCP, como vimos o Sr.º Pinto da Costa dizer que não queria que “este campeonato fosse conhecido como a Liga Capela” momentos depois de ganhar com 1 penalty fora da área? Não viram nem vão ver. O Sr.º Vieira faz parte desta engrenagem. É chocante, mas é a realidade! Voltarei ao tema ...