segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Venham mais quatro...



Portugal 29 de Setembro de 2014

Foi um excelente fim-de-semana futebolístico, com a concretização da melhor conjugação de resultados (na minha opinião) para o Benfica: empate no clássico entre SCP e FCP, vitória (difícil) do Benfica na Amoreira. E assim devagar, devagarinho, ou se quiserem, sem “saber ler nem escrever”, o Benfica tem 4 pontos de avanço sobre o FCP e 6 pontos de avanço sobre o SCP.
Vamos por partes.
Muito se tem debatido e perorado nestes últimos anos, sobre a “nota artística” que o futebol do Benfica deve exibir, em qualquer lugar, em qualquer competição. A saída de Rui Costa e as incertezas que a sua substituição levantou, a contratação de Aimar para, nas palavras de Rui Costa, ser o seu “herdeiro”, a própria filosofia de jogo implementada por Jesus, quer da pressão alta, quer da nota artística, as diversas correntes “filosóficas” que em jornais e blogues de benfiquistas concluíam que o sistema de jogo que Jesus tinha implementado no Benfica “rebentava” fisicamente com os jogadores pelo vaivém constate que os obrigava, até ao empalidecer da estrela de Aimar e Saviola, às novas contratações e à actual equipa que à margem dos negócios próprios do futebol, perdeu dois jogadores fundamentais por questões que o Sr.º Vieira não consegue explicar: Garay e Cardozo.
É curioso que agora, sem nota artística e com baixas importantes na manobra da equipa, por opção da Direcção, este Benfica consiga estar à 6ª jornada, com a maior vantagem na era Jorge Jesus sobre, em particular o FCP que já contabiliza 3 empates. Tantos como Villas-Boas nos 30 jogos da única época que esteve à frente do FCP, embora também não possamos esquecer a ajuda escandalosa de uns quantos árbitros na fase inicial da prova.
Como sempre defendi a nota artística não pode ser um objectivo de jogo, a pressão alta não pode ser uma estratégia de jogo, os jogos devem-se ganhar com coesão defensiva à custa do trabalho do meio campo, e com saídas rápidas para o ataque, à custa de roubos de bola ou melhores posicionamentos que permitam a intercepção das jogadas adversárias.
Não foi desta maneira que se ganhou ao Estoril, é certo, onde pela 4ª vez em 5 vitórias, o 1º golo surgiu por iniciativa individual, embora desta vez marcado por um avançado. Para mim o 1º golo é um dado importante porque a partir daqui o adversário reajusta-se de forma mais proactiva no ataque, e com isso sobe no terreno criando mais espaços na retaguarda, espaços que a melhor equipa tem de saber aproveitar: porque é melhor, tem jogadores mais talentosos!
Nesta jornada, o Benfica conseguiu o mais difícil, colocando-se a ganhar por 2-0 aos 10 mn de jogo, mas depois desperdiçou esse avanço, coisa que só me lembro num jogo da Taça em Alvalade na época dos 3 treinadores (Fernando Santos, Camacho e Chalana), 2007/2008. Ou seja, se a memória não me falha, há 7 anos que o Benfica não permitia um empate a 2, tendo 2 golos de vantagem.
É isto preocupante? Se tivesse a certeza que só daqui a 7 anos isto voltava a acontecer, não havia motivos para alarme. Mas não é assim, e temos de tentar perceber porque cargas de água, na Amoreira não conseguimos estabilizar um modelo de jogo semelhante ao de Setúbal, onde fomos exímios no contra ataque. Desta vez pelo contrário acabamos por sofrer dois golos, que perante a diferença de potencial entre as duas equipas, e a vantagem de 2-0, é algo difícil de entender.
Contudo seguramente JJ tirará ilações sobre o que correu mal, para não cometermos mais erros destes no que resta de campeonato. É importante estar à frente dos nossos principais rivais, e pelos vistos os do FCP já sentiram o toque, uma vez que já começaram com a “choradeira” sobre supostos erros de arbitragem patrocinados pela Sporttv do amigo (do Sr.º Vieira) Sr.º Joaquim. Eles sentem que nada está perdido, até porque tiveram um calendário de jogos fora de casa mais difícil do que o nosso. Mas se os 4 pontos desestabilizarem a equipa e o treinador sub-21 que contrataram, é possível que com competência do nosso lado, essa vantagem aumente. E aí as coisas podem-se tornar complicadas, porque podemos “embalar”. Mas para que a competência exista, é preciso perceber o que correu mal na Amoreira.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Missil relva - ar




Portugal 26 de Setembro de 2014

Infelizmente a minha vida profissional não me tem dado grande margem para escrever, mas tinha umas coisas para registar (para memória futura) relativamente à última jornada, onde de forma um tanto enviesada, alcançamos o 1º lugar da tabela, isolados com 2 pontos de avanço sobre o FCP e 4 sobre o SCP. Desde Trappatoni que não conseguíamos tal “façanha”, embora esta comparação não seja para relevar, uma vez que o Benfica de Trappatoni apesar de ter sido campeão, apenas obteve 65% de pontos, coisa que nestes últimos anos, nem sempre garante o 3º lugar.
A última vitória foi começada com um golão de Eliseu, um autêntico míssil relva - ar, mais concretamente, relva – canto superior direito da baliza, sem hipótese para o guarda redes. A potência e direccionalidade do remate farão deste golo um dos melhores do campeonato, sem qualquer sombra de dúvida.
Se é verdade que é sempre bom chegar a 2ª feira e estarmos em primeiro lugar no futebol, deixando os adeptos dos rivais um pouco aturdidos e nervosos (o Lopetegui dos 6-0 ao BATE virou “Lol”petegui do 0-0 com o Boavista), também me parece que este momento do campeonato traz mais interrogações do que certezas.
É contudo engraçado ver tanto e tanto comentador, seja na BTV ou não, aproveitar a “onda” favorável para referir que “ah e tal, na pré temporada houve muita gente que duvidou do trabalho que estava a ser feito, mas eu confiei sempre, etc.”. Cambada de hipócritas e graxistas militantes... Adiante.
O que me preocupa neste momento são as conclusões que se tiram dos números. Que não são tranquilizadoras. Vejamos. Ganhamos 4 dos 5 jogos, 80% de vitórias (percentagem de campeão) o que é bom, mas esse dado será mais rigoroso quando o número de jogos em casa igualar o número de jogos fora. Ou seja, na próxima jornada.
Por outro lado, nas 4 vitórias, 3 delas (Boavista, Setúbal e Moreirense), ou seja 75%, começaram com golos de inspiração individual, e apenas 1 (25%) como corolário de jogo de equipa (Paços de Ferreira). Na minha opinião, estas percentagens estão trocadas, porque os golos resultantes de jogadas colectivas é que deveriam ser 75 a 80%. Isso dava-nos confiança na qualidade da “máquina” futebolística.
Por outro lado ainda, desses 4 golos que iniciaram as 4 vitórias, 3 deles foram marcados por defesas, concretamente defesas laterais. Só 1 golo foi marcado por um avançado (e já agora, em lance de inspiração individual, Sálvio em Setúbal). Também aqui, as percentagens estão trocadas, devendo os primeiros golos ser marcados pelos avançados, em cerca de 75 a 80% dos casos.
Quer isto dizer que esgotando-se o stock dos “mísseis” não estou a ver como iremos continuar a ganhar jogos, pois a nossa linha avançada, prejudicada ou não pela opção de “empandeirar” Cardozo, não está a marcar golos”!
Esta leitura das coisas encaixa-se com outro dado factual: não conseguimos ganhar contra os dois adversários teoricamente mais fortes que já defrontamos: SCP (empate) e Zenit (derrota). E antes que os meus críticos mais iluminados venham recordar que nesses jogos existiram erros individuais na defesa, eu lembro que contra o SCP interrompemos a média de 2 golos marcados por jogo que vínhamos obtendo com JJ, e que contra o Zénit, com mais ou menos aplicação dos jogadores, não conseguimos marcar qualquer golo!
Não pretendo com isto ser pessimista mas sim realista, embora no futebol, e em particular no Benfica, a linha que separa o pessimismo do realismo é muito ténue e mal percebida.
E bom, vem aí a 6ª jornada onde podemos capitalizar do embate entre SCP e FCP caso vençamos o jogo no Estoril. Confesso que não gosto que a comunicação social sublinhe que “há 68 anos que o Benfica não perde na Amoreira”. Dá azar...

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Champions 1 - Benfica 0



Portugal 18 de Setembro de 2014

Se é verdade que o futebol do Benfica me tem tranquilizado no que diz respeito às provas nacionais, onde nem o “borrão” de Artur no jogo com o SCP me tira o sono, confesso que aguardava com curiosidade para saber como se comportaria a equipa numa competição de elevada dificuldade como a Champions.
E digo isto porque de acordo com a minha maneira de ver o futebol, há vários factores a considerar que enfraqueceram a equipa. Como sejam o enésimo desarranjo do plantel pelas tais necessidades de venda de jogadores e a contratação de alguns jogadores, dos quais só Talisca conseguiu fazer a pré temporada. Mas isso é nas minhas “teorias”, restava ver como seria na prática.
E digamos que a 1ª lição correu mal.
De facto sentiu-se a falta de um jogador de área que polarizasse os movimentos ofensivos da equipa, um jogador posicional como Cardozo, sentiu-se a falta de um defesa de grande qualidade que soubesse sair com a bola jogável (embora esta característica não seja a mais importante), pois apesar de ser muito esforçado, Jardel não é, nem será Garay, e sentiu-se a falta de entrosamento de alguns jogadores, pois a pré temporada foi jogada com outros e num sistema táctico diferente (com 2 avançados).
Às vezes quando escrevo nos meus textos sobre o amadorismo da Direcção do Benfica, há uns “cromos” que ficam muito chateados e partem para a crítica contundente ou insulto gratuito. Vêm o Benfica como algo de arquétipo, inatacável por ser exemplo de perfeição. Que está longe de ser....
A realidade é que Vieira ofereceu Garay ao Zenit por umas “cascas de alho” e por critérios não desportivos, como referiu. Para o seu lugar contratou César por 2 milhões, a uma equipa da 2ª divisão brasileira, e fez regressar Lizandro (que custou 5 milhões). Depois de ter valorizado Siqueira, permitindo um ganho de 3 milhões ao Granada, contratou 2 defesas esquerdos, Djavan e Benito até decidir que afinal era o Eliseu que ia jogar. Siqueira era caro, com 7 milhões, mas só em 2 defesas o Benfica gastou 4 milhões! No ataque “ofereceu” o Cardozo ao Trabzonspor e contratou Derlei ao Marítimo por 2,5 milhões. Trocou 1 goleador posicional de créditos firmados, por outro jogador móvel e uma incógnita, já que marcar golos no Marítimo é uma coisa, marcar no Benfica é outra.
A somar à estranha estratégia de Vieira, fosse por lesão ou por opção, Luisão e Jardel não fizeram um só jogo da pré temporada, Samaris idem mas por não estar cá e Enzo por férias. 4 jogadores que ocupam posições fundamentais dentro de campo.
E foi assim que com apenas 4 jogos no campeonato português que abordamos o 1º jogo da Champions, perante um adversário que já levava 8 e que se reforçou à custa do Benfica, com particular ênfase na defesa, onde Garay foi dar a qualidade que faltou em anos anteriores, e que impediram o Zenit de ser campeão. Mas há também que considerar a qualidade de Javi Garcia. Não é por acaso que Villas-Boas se reforçou com ex-jogadores do Benfica.
Ironia das ironias (para além do sorteio ter emparelhado o Benfica com o Zénit e o Mónaco, como no ano passado com o Olympiakos de Roberto), foi Jardel a iniciar a jogada do 1º golo dos russos. De facto há uma certa diferença entre Garay e Jardel, mas possivelmente Vieira não percebeu isso quando decidiu oferecer Garay a Villas-Boas. E assim com um só erro, um só golo, se começou a desenhar uma derrota cara. Na alta competição, isto é mesmo assim: os erros pagam-se mais caro do que na média ou baixa competição, como seja o nosso campeonato nacional.
Mas também considero que existiu um mau posicionamento global da nossa equipa, fruto do mau posicionamento de Samaris, que nesse lance de Jardel não ocupou a posição 6 como deveria. Se o tivesse feito, a nossa defesa não subiria tanto no terreno, e as hipóteses de interceptar o contra ataque do Zenit, seriam muito maiores. Mas temos de o desculpar pois é só o 2º jogo oficial que faz. É o planeamento do SLB a funcionar.
E assim, com este amadorismo da Direcção, abordamos pela enésima vez a exigente Champions, com vários jogadores sem rotinas. Os erros pagam-se caro e pior, influenciam o jogo seguinte.
Uma palavra obviamente para a bonita atitude dos adeptos presentes no estádio da Luz, que presentearam a equipa com uma enorme ovação, apesar da derrota. Foi bonito e fez lembrar os adeptos do Liverpool quando cantam o “you’ll never walk alone” mesmo quando perdem. Era bom que se repetisse mais vezes, pois seguramente iríamos lucrar mais. Uma equipa acarinhada, que sente os adeptos do seu lado, joga e rende mais.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Equivocos e confirmações...



Portugal 16 de Setembro de 2014

A última jornada de futebol trouxe um conjunto de resultados e de reacções que comprovam a existência de alguns equívocos e algumas conclusões que passaram ao lado dos principais analistas de futebol, os que ganham bom dinheiro para participar naqueles programas de entretenimento em que supostamente falam de futebol.
Na jornada anterior, a propósito do empate do Benfica com o SCP, esses analistas e demais comunicação social, elogiaram a exibição do SCP, vendo o que não existiu – grande qualidade futebolística da sua exibição – e não vendo que o SCP trouxe 1 ponto devido exclusivamente a um erro do nosso guarda redes. Isto é, também viram esse erro, mas apenas para “crucificar” Artur Moraes e não para o relacionar com o pontinho que o SCP obteve e que interrompeu 6 derrotas consecutivas na Luz.
Recordo o que escrevi no texto anterior, em 1 de Setembro: “a mim pareceu-me que se podem tirar muitas outras conclusões e que não foi pelo enorme erro de Artur que perdemos 2 pontos. Do lado positivo, regista-se a boa qualidade de posse de bola do Benfica e algumas transições rápidas entre a defesa e o ataque. O que permitirá mais tarde, a concretização de mais golos. E daqui vem o lado negativo, a pouca eficácia dos avançados”.
Passada apenas uma jornada, temos a concretização disto mesmo: o Benfica teve a eficácia que faltou no jogo com o SCP, em particular nas transições rápidas defesa/ataque e o SCP, que também teve um brinde, desta vez de China, continuou sem conseguir ganhar apesar de ter defrontado em sua própria casa um adversário de menor orçamento.
Fica bem evidente o equivoco dos analistas e da comunicação social em geral, no que respeita às conclusões sobre a qualidade de jogo que o SCP apresentou na Luz, e ficou confirmado que este Benfica pode marcar muitos golos jogando com 1 avançado (como sempre tenho defendido) e privilegiando as transições rápidas defesa/ataque.
Por isso continuo a defender que quem espera aprender alguma coisa de futebol com esta malta da comunicação social, bem pode esperar sentado e pedir um gim tónico para ajudar a passar o tempo...
Claro que nem falo do solípede Nuno Farinha que escreveu em coluna de opinião, no RECORD há uns meses, “desancando” na qualidade de Talisca e na qualidade de Jorge Jesus. Mas como no ano passado também escreveu que a vitória do Benfica no Estoril (onde o FCP tinha empatado) tinha sido uma vitória “mentirosa”, deste cavalheiro já espero tudo. Até ver a Benfica TV promover uma acção social de rua do Ruben Amorim, em conjunto com o RECORD que estava representado por... Nuno Farinha. Que ao que parece, até é benfiquista! O benfiquismo anda mesmo pelas ruas da amargura....
Num clube onde impera a falta de vergonha de um Presidente que não consegue explicar quando recebeu o emblema de prata dos 25 anos de associado, estas coisas podem e vão continuar a acontecer...
Mas também foi uma jornada de confirmações de como para o FCP, as conclusões da influência da arbitragem são sempre diferentes, do que para o Benfica. Tomando o jornal O JOGO como referência, na 1ª página foram mencionados 2 erros de arbitragem que prejudicaram o FCP, 1 penalty por assinalar e 1 golo mal invalidado. É curioso, mas quando o Benfica venceu na Madeira há 4 anos por 1-0, golo de Cardozo, onde foram tirados 2 penaltys ao Benfica, o mesmo jornal O JOGO tinha na 1ª página um título do tipo “(sofrimento) por culpa de Cardozo”. Ou seja, que o Cardozo desperdiçou tantos golos nesse jogo que o Benfica ia empatando! 2 penaltys? O Tribunal do JOGO não considerou os lances relevantes, ou a terem considerado relevantes, a Direcção do Jornal não considerou suficientemente importantes para virem mencionados na 1ª página. Como agora fizeram para os casos do FCP.
Obviamente que sobre o penalty oferecido ao FCP, isso não merece 1ª página. Há que mentir a todos os níveis, desde que seja para branquear os erros do FCP. Mas então o Jakson não falhou golos? O Lopetegui não errou na gestão do grupo e nas substituições? Não houve jogadores do FCP em sub rendimento? Não! Nada disso! Só se tivesse jogado o Benfica é que teria sido assim: o Jesus errou na equipa que montou ou na táctica (marcar com X a opção preferida), o lado esquerdo do ataque foi pouco criativo, os avançados foram perdulários, a defesa comprometeu, o guarda redes esteve inseguro e o plantel do Guimarães custa 1/4 do que custa o plantel do Benfica....
Acresce que o dono do jornal o JOGO foi um dos convidados de honra do Benfica, a marcar presença na final da Liga Europa em Turim...

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Último dia....



Portugal 1 de Setembro de 2014

Último dia para o mercado de jogadores fechar e finalmente acabar a especulação em torno de qual vai ser a equipa do Benfica que vai “atacar” o bicampeonato. Também é o último dia que vou estar por cá, esperando que amanhã já possa estar na praia desfrutando a areia e as ondas do mar.
Nestes últimos tempos aconteceram algumas coisas interessantes. Desde logo o sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões, onde nos calhou um grupo relativamente difícil. Mas se tivesse saído o Borussia Dortmund, o Liverpool e o Roma teria sido pior.
Recordo-me das palavras de JJ quando a propósito da miserável pré temporada (mal planeada, lesões e maus resultados) defendeu que é nos “jogos com equipas difíceis que se fazem os testes que têm de se fazer”. Não percebi bem do que é que ele se estava a defender, uma vez que das experiências que fez resultou que há 5/6 jogadores que não têm qualidade suficiente para jogar na equipa mais forte do Benfica: César, Luís Felipe, Benito, Sidnei, Bernardo Silva, João Teixeira e João Cancelo. Sabendo das dificuldades técnicas destes jogadores e do grau de exigência que existe no Benfica (adeptos + comunicação social) foi prudente apostar num esquema de jogo com 2 avançados? Acho que não, que só piorou a imagem desses jogadores e provocou danos na confiança dos adeptos.
Ora tomando como referência as ideias do nosso treinador, também me parece que isto de jogar na Liga dos Campeões, o que dá “pica” é jogar contra equipas a sério. Andar na Liga dos Campeões a jogar com Maribores e BATES Borisovs é coisa para equipas com pouca auto confiança e que têm receio dos confrontos com as grandes equipas, “safando-se” com equipas de menor experiência e/ou menores orçamentos. Portanto acho que na lógica de Jesus temos um bom grupo. Embora pudesse ter sido bem pior, como já referi.
Por outro lado, este sorteio provou uma coisa que até agora nunca tinha acontecido: a equipa do pote 1 sendo e melhor desportivamente, é contudo a que tem orçamento mais baixo dos outros potes 2, 3 e 4! Mas também por outro lado, constata-se que por ironia do destino, tal como no ano passado com o Olympiakos, saíram-nos 2 equipas muito representadas por Jorge Mendes e com muitos jogadores que vendemos ou emprestamos. Vieira quer-se ver livre deles mas no final a história dá uma grande volta e voltamos a levar com eles. Espero que este ano, com resultado diferente da época passada....
Por último, houve um novo Benfica – SCP e desta vez, vá lá saber-se porquê, JJ apresentou apenas 1 avançado, Lima contra os 2 que apresentou no jogo da Taça de Honra (com a tal equipa “remendada”). Note-se que prefiro o modelo de jogo com 1 avançado! Apenas registo, por falta de lógica, que se tenha arriscado mais, quando se tinha um plantel de menos valia.
Para variar e com aquela habitual falta de cultura desportiva que os caracteriza, a comunicação social resumiu o jogo ao infeliz lance de Artur, sem frisar de forma semelhante, a enorme intervenção no mn 89 que evitou 1 golo que podia ter ditado a derrota.
A mim pareceu-me que se podem tirar muitas outras conclusões e que não foi pelo enorme erro de Artur que perdemos 2 pontos. Do lado positivo, regista-se a boa qualidade de posse de bola do Benfica e algumas transições rápidas entre a defesa e o ataque. O que permitirá mais tarde, a concretização de mais golos. E daqui vem o lado negativo, a pouca eficácia dos avançados. Quem tem lido os meus textos recordar-se-á que mencionei a estatística dos golos de Lima com Cardozo, e dos golos de Lima com Rodrigo. Para tirar a conclusão óbvia que Lima marcou muito, mas foi com Cardozo: 20 contra 14. Ora sem Cardozo, e sem Rodrigo, que esperar de Lima? 3 jogos, 0 golos!
E daqui tiro outra conclusão mais ou menos lógica. Os assessores de Vieira, que esperaram pela morte de Eusébio para correrem com Cardozo a qualquer preço, terão algum conhecimento de futebol que não seja a arrogância do que concluem quando olham para o seu umbigo?
Um desses idiotas, Rui Gomes da Silva, quando “despacharam” Roberto e contrataram Artur ficou estupefacto (quase sentido) porque lhe disse que íamos perder o campeonato outra vez. E ainda não tinha sequer começado. Segundo ele, tínhamos resolvido o problema da baliza, as coisas não tinham como melhorar...
O problema do Benfica é que os assessores de Vieira continuam a influenciar os destinos da equipa....
Boas férias e até dia 15 ....

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Rola a bola....

Portugal 26 de Agosto de 2014

Duas jornadas, 6 pontos, a primeira vez que JJ começa o campeonato com 2 vitórias consecutivas, mas sem querer parecer aquela imprensa que só vê o futebol do Benfica como um copo meio cheio, isto não me tranquiliza minimamente.
É evidente que é melhor ter 6 do que 4 pontos, como no ano do título de 2010, ou 3 como no titulo da época passada. Mas se percebermos que apenas melhoramos nos processos defensivos – zero golos – e temos um ataque quase miserável com 3 golos, dois deles marcados por defesas, acho que não é para estarmos tranquilos.
Contudo este cenário já era por mim projectado quando escrevi o texto “Fim de uma era” referindo-me à venda ao desbarato de Cardozo, o melhor avançado estrangeiro que alguma vez actuou pelo Benfica. Era previsível que sem a muleta de Cardozo, Lima se revelasse o jogador mediano que sempre foi. E posto isto, sem um avançado que marque golos, é muito mais difícil ser campeão.
Não é preciso ler muito sobre este tipo de assuntos, basta fazer comparações. Com Cardozo (1822 mn, 17 golos) Lima (2397 mn) marcou 20 golos na época 2012/13. Com Rodrigo, Lima (2428 mn) marcou 14 (Rodrigo com 1857 mn marcou 11, Cardozo jogou 731 mn e marcou 7 golos) na época 2013/14! Não ver isto e andar de fato e gravata a fazer de conta que se está a pensar uma equipa cada vez mais forte, é pura farsa...
Os números nunca podem ser ignorados no planeamento futebolístico. Porque os números comparam-se e as opiniões não. Ora no Benfica prevalecia a ideia que Cardozo era lento, não se mexia, não corria, etc, seguindo um padrão de apreciação que faz escola no nosso clube, sem que ninguém com responsabilidades a contrarie. Neste padrão de apreciação dominante, o que interessa é a velocidade, característica que se vê mas que nem sempre se percebe. Enquanto os que não actuam de acordo com esse padrão da velocidade, são mal considerados e até assobiados (!?).
Não há dúvidas: mesmo com uma época sofrível (7 golos), Cardozo marcou metade dos golos de Lima, que jogou mais do triplo dos minutos....
Para perceber o futebol de jogadores como Cardozo, teremos de deixar os preconceitos de lado e observar que a sua movimentação era essencialmente baseada no melhor posicionamento. O seu jogo era um jogo de inteligência e não de corrida. Talvez por isso fosse difícil de apreender pela esmagadora maioria dos adeptos.
Como escrevi, virou-se uma página e agora voltamos aos tempos do “quase marcávamos” e das “oportunidades desperdiçadas”.
Sem querer pôr-me em bicos de pés, penso que Jesus não está a perceber bem o problema que tem, com um ataque baseado em avançados móveis. Se eles precisam de correr para tirarem partido da sua velocidade e técnica, a melhor solução de jogo passa por contrair a história do Benfica, do “vamos para cima deles logo desde o inicio” como os fundamentalistas defendem. Porque indo para cima deles, aumenta-se a densidade de jogadores no último terço do terreno adversário e os avançados não têm linhas de passe para poderem correr atrás da bola. E como não são jogadores posicionais, ou são medianos a trocar a bola em baixas velocidades, não tiramos partido deles. Para eles terem linhas de passe que possam aproveitar, precisamos de puxar o nosso jogo atrás, descomprimindo o último terço do campo adversário. Para isso precisamos de um 6 dito “puro”, como Fejsa por exemplo. Ou um adaptado, quando, como é o caso, Fejsa está lesionado.
Mas como disse, isto seria contrariar a tradição do Benfica, E assim continuamos a fazer como as galinhas que perante uma vedação andam de um lado para o outro e não a sabem contornar.
Paços de Ferreira e Boavista são exemplos de como o nosso sistema de jogo com tantas “experiências” e goleadas sofridas durante a pré temporada, é um equívoco que contraria as leis da física e os princípios da optimização dos recursos.
Dizem que o futebol é paixão. Será, será. Mas nada impede que se procure pensá-lo racionalmente, mesmo que com isso se tirem conclusões que vão contra o futebol visto pelo lado da paixão e da tradição.

Outra conclusão se pode tirar. A venda de Garay e Cardozo, por “opção própria” da Direcção, quando se tornou público que se ofereceu 7 milhões por 55% do passe de Hernandez (tínhamos dificuldades financeiras, dizia-se), enquadra-se numa teoria mais escabrosa que é o deliberado enfraquecimento da equipa, para aumentar as possibilidades dos rivais ganharem o campeonato. E assim, mais uma vez o Sr.º Vieira capitalizará as boas graças do “sistema”. E mais uma vez ajuda os amigos e não aqueles que está a “parasitar” a partir de off-shores.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Muita parra...



Portugal 22 de Agosto de 2014

A semana tem sido fértil em acontecimentos, dentro e fora das 4 linhas, salientando-se a entrevista do que para uns é o Presidente do Benfica, que para mim é uma espécie de “faz-que-é-Presidente” e para outros que escrevem nos onlines de BOLA e RECORD, é o PresiMente.
A entrevista que, tal como antecipei no texto “Bem-vindo Mr. Chance”, seria uma espécie de “one man show”, dado que o entrevistador é alguém que na BTV recebe um salário pago por Vieira como presidente da SAD que por sua vez é dona da BTV. É este o conceito de transparência implementado pela actual estrutura/projecto do Benfica, que muitos aplaudem.
A entrevista ficou manchada pela confirmação de que Vieira faz jus ao posto de PresiMente, quando referiu a propósito de Oblak, que o jogador já tinha sido oferecido novamente ao Benfica e que ele, qual super-herói do povo benfiquista, recusou liminarmente pelo comportamento que o atleta tinha tido.
Quando estava a ver a entrevista fiquei logo com a ideia que se estava a “enterrar”, o que foi confirmado nos dias seguintes com o desmentido formal do Atlético. No fundo, Vieira mente tanto que já perdeu a noção dos limites da sua mentira. E como tal, por vezes excede-se. Como agora.
Já tinha mentido quando afirmou que Siqueira não ficava na equipa por questões salariais, no que foi desmentido pelo jogador dias depois, e que agora se confirma com a contratação do guarda redes Júlio César, o tal que no ano passado não veio por questões... salariais.
A política salarial do Benfica, que o Sr.º Vieira gosta de usar para justificar algumas opções, é apenas mais uma das muitas mentiras que fazem o dia a dia deste nobre e centenário Clube. Soube-se agora que Garay custava 3,5 milhões por ano, fruto do salário que tinha no Real, e da necessidade que Vieira teve em vender Fábio Coentrão. Ora este salário ao pé dos 1,2 milhões do goleador Cardozo ou dos pouco mais de 1,5 milhões de Luisão, é natural que provocasse aquelas reacções de pré temporada que conhecíamos, de cada um reivindicar melhorias aos contratos. Não era afinal por ganância dos jogadores, mas pela política salarial mentirosa e de conveniência, que o “faz-que-é-Presidente” implementou.
Mas os adeptos (na sua maioria) gostam do estilo de Vieira, o tal empresário de origens humildes que está muito mais rico desde que veio para o Benfica, quase na mesma proporção (passe a ironia) que o Benfica está mais atolado em dívidas e compromissos financeiros.
E por gostarem do que se vai passando é que não percebo este Benfica. Ou melhor, cada vez mais percebo o que é o Benfica. O Benfica “melhor clube do mundo” é algo que não existe, com excepção do passado glorioso (que ninguém nos pode tirar) e da maior massa associativa do Mundo. O resto (ética, valores, princípios, etc.) é para esquecer, estando ao nível de um pequeno Clube de uma qualquer freguesia de Lisboa. Ou de Alverca.
Continuando, Vieira, responsável máximo do Clube/SAD do Benfica afirmou, por oposição a todas as outras vendas onde prevaleceu o critério da cláusula de rescisão, que por opção própria, o clube desinvestiu em Cardozo e Garay. Então é só isto? É com isto que a nação benfiquistas fica esclarecida? Dispensa quase de borla dois jogadores fundamentais no plano desportivo, com fundamento numa “opção própria” e já está? Que consequências teremos no plano desportivo, fruto dessa opção, e quem as vai assumir? O presidente? O treinador? Que implicações esta “opção própria” terá no plano económico uma vez que foram feitas aquisições para a defesa e perspectiva-se nova contratação para o ataque?
Que faz o entrevistador perante este evidente ponto fraco da argumentação? Confronta o Sr.º Vieira ou pensa no cheque ao fim do mês? Pergunta de resposta fácil, como aliás em quase tudo que é comunicação do Clube...
Resumindo, o presiMente afirma que desinvestiu em dois activos desportivos de relevo, por “opção própria”, é desmentido na cedência do Oblak e no dia seguinte não se passa nada! Os que antes, com Vale e Azevedo, se penduravam nas páginas de jornais e tempos de antena em rádio e televisão, agora não vieram questionar estas opções da Direcção, nem defender a honorabilidade do Clube.
É este o actual Benfica. De muita parra e pouca uva....