sábado, 11 de janeiro de 2014

Repulsa pela atitude do Benfica

Sexta-feira, 15 de Outubro de 2004

Com aquele providencial sentido de oportunidade que Pinto da Costa tanto agradece, a TSF mandou hoje para o ar um Fórum de opiniões sobre a possibilidade do FCP não se deslocar ao Estádio da Luz. Este tipo de Fórum é um espaço dito de opinião, na esmagadora maioria, de opinião irresponsável, ignorante e sem interesse. Mas que produz efeitos importantes no que diz respeito ao passar de um certo tipo de mensagem, e que neste caso foi a que mais interessou ao FCP e não a quem precisava de ser esclarecido sobre o assunto.
A TSF tem estes critérios estranhos de dar valor ao que interessa aos editores e não ao interesse que a própria natureza dos assuntos encerra. Por exemplo, quando Del Neri foi despedido pela gestão “competente” do FCP isso não foi considerado interessante, mas o despedimento de Toni do Benfica por exemplo já foi e deu lugar a um Fórum. Quando João Pinto foi dispensado por Vale e Azevedo houve 2 horas de Fórum especial num domingo à tarde, mas quando recentemente a equipa de gestores do Sporting não renovou com João Pinto isso já não foi considerado relevante.
Isto tem uma explicação relativamente simples e que se prende com a cor e cultura clubista dos editores e jornalistas da TSF: esmagadoramente Sporting em Lisboa e FCP no Porto. Quando se vê o Sporting lutar contra uma classificação impensável tendo em conta o apoio recebido da generalidade dos “media”, percebe-se a frustração dos jornalista da TSF que vêm neste tipo de Fórum o melhor sitio para derrotar o seu arqui-rival, o Benfica.
A derrota dos interesses do Benfica, começa com a discussão de assuntos sem fornecerem todas as explicações técnicas e/ou factuais aos ouvintes e continua no processo de selecção das chamadas telefónicas. Quando cerca de 90% dos participantes do Fórum telefonam de Paredes, Porto, Espinho e por aí, não se pense que em Lisboa as pessoas trabalham e os do Porto (ou Norte como gostam de se intitular) ouvem rádio. Não! Há um critério de selecção de ouvintes, o que é um acto discriminatório e de censura.
De todas as vezes que tentei entrar na TSF nunca consegui. Uma delas, quando o Benfica perdeu 7-0 com o Celta, tentei duas vezes antes das 10h30mn, hora de início desse Fórum, tendo-me sido dito que era cedo e para ligar apenas quando ouvisse o spot de anúncio do Fórum. Quando isso aconteceu, disseram-me que a lista já estava cheia e não podia inscrever-me. Protestei e enquanto falava com a recepcionista entrou logo um adepto do FC Porto da zona do Marco de Canavezes...
Ou seja, os jornalistas gostam de falar de liberdade de opinião, mas como é óbvio apenas para eles e para quem eles querem, neste caso uma selecção de telefones de pessoas que têm livre-trânsito consoante as opiniões que expressam. Eu próprio entrei uma única vez no Fórum da noite porque me deram um contacto de alguém da TSF que fez o favor de me telefonar quando se iniciou programa. E lá consegui dizer o que pensava, mas com o Srº Fernando Correia a cortar-me o pio ao fim dos 3 minutos, uma vez que contestei a intenção da Direcção do SLB em avançar para um grupo empresarial de tesos e falidos.
Voltando aos bilhetes, nenhuma das intervenções incluindo a dos jornalistas, mencionou o discurso de Fernando Gomes e os termos inaceitáveis que dirigiu ao SLB após ter terminado o prazo regulamentar para requisitar os bilhetes. Nessa intervenção que cito do jornal o JOGO, FG afirmou “compete à Liga, como entidade reguladora da actividade do futebol, fazer respeitar os regulamentos. Se a Liga não o faz, naturalmente que o FC Porto no estrito desempenho daquilo que a si lhe cabe, tentará fazer o que está ao seu alcance de modo a que os regulamentos sejam cumpridos”. O jornal O JOGO acrescentou a estas declarações o título “Repulsa pela atitude do Benfica e recurso para a Liga”.
Ora já ficou claro que o FCP não cumpriu os requisitos legais e como tal não pôde recorrer – como não recorreu – para a Liga. Quer dizer que FG mentiu e que o JOGO promoveu uma mentira sem antes se esclarecer junto do Benfica, o que viola o código deontológico dos jornalistas.
Este imbróglio nasce portanto de uma intenção declarada do FCP criar um cenário de guerra (4 pontos a menos e deslocação a casa do adversário é um mau cenário) e a TSF mais uma vez serve-lhes a estratégia numa bandeja. Porque não foi o Benfica que se recusou a ceder os bilhetes, foi o FCP que se recusou a pedi-los optando antes disso pela censura pública ao Benfica.
No fim disto tudo a TSF e outros “media” fizeram bem o seu papel: distorcer os factos, aligeirando a carga dos responsáveis portistas e aumentando-a para cima dos benfiquistas. É o SISTEMA.

Nota de 11-01-2014: 1) o cenário de guerra criado pelo FCP (táctica habitual) conseguiu criar uma cortina de distracção sobre a nomeação do árbitro Olegário Benquerença que decidiu o jogo (derrota do Benfica de Trappatoni por 1-0) ao não assinalar 2 grandes penalidades contra o FCP, sobre Karadas (Ricardo Costa) e mão na bola (Jorge Costa), para além do golo não validado a Petit (responsabilidade do árbitro assistente), 2) Filipe Vieira apoiou inequivocamente o mentiroso do Fernando Gomes para a presidência da Liga e da FPF, depois de ter ido à Sala de Imprensa, atrás de José Veiga, aos gritos e berros contra a arbitragem, 3) a TSF bem como o JOGO pertencem à Lusomundo Media, empresa que mais tarde foi adquirida por Joaquim Oliveira, que por acaso também estava no funeral de Eusébio, em lugar VIP, 4) referi neste texto de Outubro 2004 que fui contra o modelo empresarial de “tesos e falidos”. Como provinciano, segundo alguma terminologia lisboeta, apraz-me registar que vi à distância o que ainda hoje alguns intelectuais de pacotilha benfiquista não conseguem ver.

1 comentário:

  1. Devo esclarecer que este texto foi colocado na data referida, Out 2004, no site www.basta2002.com um site já extinto. Recuperei o texto para ilustrar como pouco ou nada mudou desde essa altura para cá, e como a liderança do Benfica convive demasiado bem, com esses poderes do SISTEMA, à revelia do que é o timbre do Benfica ao longo dos anos, um timbre altaneiro, conquistador, orgulhoso e independente.

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