quinta-feira, 21 de junho de 2012

O fenómeno Mantorras II


Portugal, 21 de Junho de 2012

Mas era preciso deixar jogar o Mantorras, pois claro, e o Benfica tinha de pagar o que fosse necessário, quer no seu passe desportivo quer no esbanjamento do investimento feito noutros avançados que davam mais garantias desportivas (mais golos).

Assim teve de se criar o “mito” Mantorras que justificou o negócio que o Sr.º Filipe Vieira, gestor do futebol do Benfica, fez com o seu filho, presidente do Alverca SAD. 

Como jogador, Mantorras só deve ser apreciado na 1ª época de Benfica, a única que julgo ter realizado sem lesões. O plantel era de “luxo”, para os padrões da altura, em particular quando comparado com os plantéis “frugais” da anterior Direcção. Pontificavam Simão, Zahovic, Pesaresi, Júlio César, Drulovic, Argel, Roger, Ednilson, André, etc, num universo de 19 (!) contratações feitas pelo Gestor do Futebol, Sr.º Luis Filipe Vieira. Com um pouco de ironia atrevo-me a sugerir que só fez 19 porque a Direcção anterior lhe deixou uma “pesada” herança, caso contrário talvez contratasse uns 40 ...

Apesar da qualidade do plantel, Mantorras marcou 13 golos, o que na minha perspectiva é muito pouco para tanto alarido e tanto investimento. Mas entusiasmou o público benfiquista. 

Aqui tenho de abrir um parêntesis para manifestar a minha admiração contemplativa, sobre as razões que levam os adeptos a idolatrar ou embirrar com um determinado jogador. Se Mantorras sempre foi um ídolo da esmagadora maioria dos adeptos do Benfica, apesar do rendimento desportivo aquém do esperado, aliás tal como Nuno Gomes, já Cardozo nunca teve o mesmo tratamento por parte dos adeptos. Ele que começou por marcar 22 golos (em todas as competições) logo na 1ª época, numa equipa recheada de problemas e mudanças de treinador, de Fernando Santos por Camacho e de Camacho por Chalana (Mantorras apanhou a troca de Toni por Jesualdo Ferreira). 

Talvez Mantorras entusiasmasse porque corria, discutia cada bola como se fosse a última, fazia pressão sobre os adversários, em suma, esforçava-se bastante. Ou se calhar porque tinha um sorriso simples, de menino grande, enfim, não sei. Sei que Mantorras sempre teve boas 1ªs páginas e Cardozo não. Para a BOLA, por exemplo, enquanto Mantorras era a “alegria do povo” já Cardozo veio para a 1ª página por mandar calar os adeptos que o assobiavam.

Termino com duas notas e uma notícia. Notas: (1) quando o Sr.º Vieira avaliou Mantorras em 18 milhões de contos (90 milhões de euros) em 2002, criou um caso desportivo cuja intenção principal era repercutir-se na apólice do seguro desportivo que o Benfica havia criado para Mantorras (de acordo com um dirigente do Belenenses), (2) nunca se soube se Mantorras veio lesionado do Alverca ou se foi lesionado no Benfica, como nunca se percebeu porque razão o Sr.º Vieira despediu o Dr.º Bernardo Vasconcelos por causa do joelho do Mantorras. Notícia CM em 8 de Janeiro de 2011:
(Mantorras) Dez anos depois, as contas da transferência ainda não estão fechadas. No relatório e contas da Benfica SAD, relativos à época 2009/2010, os encarnados identificam um “título a pagar” de 950 mil euros à Alverca Futebol SAD. As águias explicam que a verba resulta de um “compromisso com a Alverca SAD no âmbito do acordo obtido no final da época passada [2008/2009] relativo ao atleta Mantorras”.
Contactado pelo CM, fonte oficial do clube encarnado confirmou a dívida e esclareceu que a mesma “está a ser liquidada em prestações”. “Até ao final do presente exercício [final desta temporada] fica saldada”, acrescentou.
Se a SAD do Alverca já havia sido declarada extinta ou dissolvida por falência (segundo os jornais), apenas posso registar que indubitavelmente, Mantorras continua a ser um fenómeno...

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