quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A arte da mentira

Portugal, 4 de Setembro de 2013

Como tentei mostrar no último texto, sem qualquer pretensiosismo (embora muitos pensem que não), a comunicação social valoriza os aspectos que bem entende dos factos noticiosos (as ocorrências no “mundo” real depois transformadas em notícias e destaques) para orientar o pensamento das pessoas no sentido que mais jeito lhes dá. Dei o exemplo dos últimos dois jogos entre Benfica e SCP, o primeiro que ficou conhecido como o “maior roubo” da época, associado ao árbitro Capela, pelos destaques que a comunicação social deu aos supostos erros de arbitragem que aconteceram nesse jogo, e o último onde nada se passou em termos de destaques excepto o grande golo de Markovic.

De um jogo para o outro o critério mudou. Em vez de termos os erros do árbitro na 1ª página, como no caso Capela, desta vez tivemos a qualidade do golo do Benfica. Por acaso no jogo do Capela o Benfica marcou 1 golo que andou pelas bocas do mundo devido à sua excelência, mas isso não foi destaque em NENHUM jornal português (como agora foi o golo de Markovic), TODOS preferindo enfatizar os erros do árbitro. Ao contrário no último derby onde os erros mais graves do árbitro e com interferência directa no resultado, foram TODOS contra o Benfica mas isso não transpareceu em nenhum jornal, excepto no jornal O JOGO na metade inferior da 1ª página (a parte menos lida do jornal – vejam nos escaparates que a dobra do jornal só permite ler a metade de cima).

Resumindo em trocados, no Benfica 2 – SCP 0 para o público ficou a ideia que o Benfica ganhou com a ajuda do árbitro. No SCP 1 – Benfica 1 ficou a ideia que o Benfica só empatou devido a um grande golo, a uma jogada individual, a essas coisas raras no futebol como são os lances de inspiração. No Benfica 2 – SCP 0 não se percebeu que o Benfica jogou muito melhor que o SCP, equipa que fez o 1º remate enquadrado com a baliza aos 47 mn da 2ª parte quando WW rematou para os “3 pontos do País de Gales”. No SCP 1 – Benfica 1 não se percebeu que só na 1ª parte o Benfica mandou uma bola à trave e teve um golo perdido que não é normal no jogador que foi, Sálvio, enquanto o único golo do SCP, madrugador (e por isso desestabilizador), foi obtido numa situação de relativa facilidade de detecção de fora de jogo.

Desconstruindo os factos que aconteceram e ficcionando-os através de “notícias”, destaques e comentários, a comunicação social (já não estou a falar só do jornal A BOLA) conseguiu inverter os parâmetros a valorizar, em claro prejuízo do Benfica, e da verdade desportiva na parte que se relaciona com os erros de arbitragem. 

Como se vê, mentir pode ter conotações artísticas. E com carteira profissional e um código deontológico a respeitar, torna-se numa arte só ao alcance de alguns...

Quem são os eleitos? Não é difícil apontar: todos os jornalistas ou não, que ano após ano aparecem nos programas de televisão ou nas rádios, que têm colunas de opinião nos jornais, contribuições pelas quais são bem remunerados. Uma vez ataquei Carlos Daniel acerca disto e das suas opiniões por e-mail, e ele respondeu-me que “era pago pelo seu trabalho”, com se fosse a coisa mais natural do mundo. Mas não me disse tudo. Ele é pago por escrever as suas opiniões enquadradas pelo lado que menos interessa ao Benfica e ao rigor dos factos. No dia em que quiser ser correcto, deixa de ganhar esse “extra” que não deve ser tão pouco como isso.

Exemplos das suas opiniões: quando Carlos Azenha empatou na Luz, com o Portimonense, 1-1, em que Jesus fez descansar mais de metade da equipa titular (o titulo estava entregue – ano do Roberto), escreveu uma opinião a enaltecer as qualidades de Azenha, que “definitivamente deixava de ser conhecido como “Azelha” e passava a conquistar o respeito dos agentes desportivos blá e blá”, sem nunca referir que o Benfica jogou desfalcado e que o penalty que dá o golo do Portimão, nasceu de uma mão de Roderick fora da área... Ora como este aspecto não se encaixa no “guião” “Benfica favorecido” (idem último jogo com SCP), desvia-se a agulha da opinião para outro lado, o lado de um amigo. Por falar nisso: onde anda essa sumidade do futebol chamada Carlos Azenha?

Mas temos mais. Este tipo de mentiras por omissão, não surge só porque uns são adeptos do SCP ou do FCP. Temos também benfiquistas como José Querido Manha, hoje Director do RECORD (dá jeito ter um tipo benfiquista à frente de um jornal de sportinguistas, para a propaganda azul e branca contabilizar que em Lisboa há dois jornais do Benfica, o Pravda e o Querido Manha) que escreveu a propósito do derby que o Benfica teve “sorte no azar”, reportando-se às substituições forçadas, em particular a de Lazar Markovic. Ora 8 dias antes contra o Gil Vicente, alguém se lesionou para entrar Markovic? Não. Porque “carga de água” teria JQM de distorcer o assunto, fazendo crer que Markovic não jogaria contra o SCP por opção de Jesus? Porque também há o “guião” “despedimento de Jesus”...

O falecido Artur Semedo, já recebia em 1998 – dito pelo próprio - no jornal o JOGO, 60 contos na moeda antiga, 300 euros por semana, em cada crónica que escrevia a “malhar” em Vale e Azevedo. 4 crónicas por mês e recebia mais do que o salário de um quadro superior... para dizer mal de Vale e Azevedo...

Hoje em 2013 as coisas não mudaram muito. Os alvos (equipa do Benfica jogadores e treinador), e as defesas (méritos de FCP e SCP, ou erros de arbitragem pró FCP e SCP) é que passaram a ser outros. A mentira pode ser “arte”. E a “arte” tem o seu preço.

4 comentários:

  1. Por favor envia isso ao Carlos Daniel e ao palhaço do Jorge Gabriel

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  2. Olá, se me deres o e-mail do Jorge Gabriel teria muito gosto em enviá-lo... a ver se estes otários acordam para a vida... não basta ter andado em Timor ou ter sido assessor do Presidente da República, para significar que sabem como devemos deixar de ser "comidos" por esta alcateia de opinógrafos, analistas, jornalistas, editores de informação, chefes de redacção e outros fdp que não merecem a carteira profissional que utilizam...

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  3. PS: o e-mail do Carlos Daniel eu tenho (é público) ...

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